Hip-Hop - A Cultura Marginal

Texto do livro de Jéssica Balbino é inserido em livro didático do Estado Rio Grande do Sul

TRAFICANDO CONHECIMENTO

Entrevista com a jornalista e escritora mineira Jéssica Balbino, militante do movimento hiP-hop, representante da nova literatura marginal brasileira

FEMININA EM FOCO

"Em meio a tantas armas que eles podem escolher no jogo real do “matar ou morrer”, o hip-hop escolhe a maior de todas as armas: a cultura. Uma cultura marginal, mas que não é propriedade dos grandes, não é da elite nem da burguesia. É a cultura de quem foi capaz de criá-la e levá-la adiante. É a cultura das ruas, do povo” (Jéssica Balbino)

PERIFERIA EM MOVIMENTO

Mineira multifacetada. Assim definimos Jessica Balbino, que é autora do livro “Traficando conhecimento”, jornalista e assessora de imprensa. Abaixo, uma entrevista que fizemos com ela.

Jéssica Balbino participa de livro coletivo de “Poetas do Sarau Suburbano”

Jéssica Balbino é jornalista e escritora, nasceu e vive em Poços de Caldas, mas permanece antenada com o que acontece pelas periferias do Brasil. O primeiro livro foi escrito com sua parceira Anita Motta,“Hip-Hop – A Cultura Marginal”. Ela também participou da coletânea “Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil”, organizado por Alessandro Buzo em 2007

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A força do hip-hop que move o Moinho



#FestivalMoinhoVivo arrecada mais de 800 quilos de alimentos e recebe três mil pessoas durante o domingo

Por Jéssica Balbino


“Sou príncipe do gueto e meu castelo é de madeira”. Não poderiam ser mais apropriados os versos do grupo A Família, cantados pelo músico Crônica Mendes, que ontem (22), durante o show, fez a multidão vibrar na Favela do Moinho, no centro de São Paulo.


Os shows foram mais uma ação na favela que abriga milhares de famílias em condições precárias e foi vítima de um incêndio no último dia 23 de dezembro.
A iniciativa por parte do Movimento Hip-Hop Revolucionário (MH²R), em parceria com moradores, comunicadores e militantes, resultou numa das mais bonitas cenas já vistas no país: coletividade e ajuda.

Intervenção artística, social, cultural e humana. Assim pode ser resumido – se é que existe um resumo de tudo que aconteceu na Favela do Moinho no último domingo. Realizar a cobertura do evento é bem mais do que fotografar, estar atenta a cada detalhe, gravar ou anotar entrevistas importantes ou reportar, no minuto seguinte, o que acabou de acontecer. É entender o real significado da profissão, do que é ser cidadão e estar inserido no mundo. É mais que militar no contexto do hip-hop ou da literatura. É ajudar a construir, escrever, reportar e eternizar a nossa história, marcada por muitas afrontas, lutas e derrotas, mas, mesmo diante da sensação de impotência, sempre em busca da vitória.


O clima é o mesmo do início da década de 1980. O hip-hop pelo social, por quem precisa, unido. Confraternização, humanização e a lembrança de que a Favela do Moinho existe não apenas num domingo que teve sol, chuva, frio e calor, mas em todos os dias.

Camas improvisadas e miséria latente. Pessoas que cruzam, a todo momento, a linha do trem e se arriscam, não apenas nisso, mas numa sobrevivência que é toda improvisada: desde os barracos – que podem desabar, ser incendiados ou demolidos – à resistência cotidiana, de enfrentar, mesmo com toda dor, todas as cores da vida. Este é apenas um dos cenários das famílias que residem na favela, em sua simplicidade, em sua sofisticação, em todo seu universo, que recebe de braços abertos um grande evento sem saber ao certo no que isso pode ser bom, mas que coloca um sem número de crianças, homens e mulheres empunhado sacos de lixo para recolher as latinhas e pedaços de plástico descartados.

“É um jeito de fazer um dinheiro durante a semana”, exclama uma moradora, que foge da entrevista, mas sorri ao encontrar duas latinhas vazias e jogá-las dentro do saco que carrega e que rapidamente se enche.

Com mais de 40 grupos de rap, personalidades, militantes e admiradores, o #FestivalMoinhoVivo recebeu cerca de 3,3 mil pessoas e arrecadou mais de 850 quilos de alimentos, o suficiente para lotar uma sala de pouco mais de 25 metros quadrados.

Além do entretenimento, o evento apresentou também o lançamento da Associação Cultural e Reciclagem, que tem como objetivo garantir o usucapião do espaço, já ganho em batalha judicial pelos moradores.

Momento poético

“Victor virou ladrão

Hugo Salafráfrio

Um roubava por pão

O outro pra reforçar o salário”



Com a história de Victor e Hugo, o poeta e criador da Cooperifa Sérgio Vaz declamou as diferenças sociais com a poesia “Os Miseráveis”, num momento único durante o evento, onde, mesmo debaixo da chuva, o público e os moradores de uma das maiores favelas de São Paulo pararam para comungar a poesia.
Na manhã seguinte ao evento, postou na rede social Twitter: “Ontem na favela do Moinho: um dos maiores exemplos de música e cidadania dos últimos tempos. Juntos somos fortes”.

E pensando nessa coletividade e em ser artista cidadão, como ele mesmo se autodenomina, que na próxima quarta-feira (25) o Sarau da Cooperifa acontece em prol do Moinho e alimentos e roupas também serão arrecadados.

Mas ele não é o único. O escritor, agitador cultural e jornalista Alessandro Buzo, que também esteve no evento para uma cobertura especial, postou em seu blog, ainda na noite do evento. “Hoje renovei minhas esperanças na humanidade e ainda me orgulhei do rap, do hip-hop (...) O Moinho está vivo e o povo não quer só moradia, reconstruir seus barracos de madeira. Eles querem ser tratados como cidadãos, querem uma moradia digna, qualidade de vida. Fiquei feliz de ver a favela cheia de gente do bem e a comunidade junto. Esse é o hip-hop que eu acredito”, coloca.


O movimento “Mães de Maio” esteve no evento, com a venda de camisetas, livros e a presença das mães que foram vítimas do Estado, ao perderem seus filhos de forma truculenta.

O escritor e militante cultural Toni C., autor do recém-lançado romance “O Hip-Hop Está Morto”, também marcou presença. Numa mesa improvisada, ambos comercializaram seus livros e toda renda foi revertida ao evento.

O rapper, escritor e geógrafo Renan Inquérito também esteve no evento e, além da apresentação musical com o grupo, já acostumado a visitar locais assim e realizar campanhas, como “Um Brinde”, de combate ao alcoolismo, e #PoucasPalavras, de incentivo à leitura, fez questão de comentar a iniciativa. “Acho muito importante que festivais assim aconteçam. Em primeiro lugar, por conta da ação solidária que é parte do hip-hop. Em segundo lugar, porque é uma maneira de dar voz a uma comunidade que não é vista ou ouvida. Quando os Djs entraram com suas pick-ups e os MCs com seus microfones foi a chance de chamar atenção para o local e para os problemas das pessoas que vivem ali. Nosso objetivo é dar uma voz a estas pessoas que são vítimas da especulação imobiliária, que incomodam, mas, como a analogia dentro do rap, são como fênix e ressurgem das cinzas. Neste caso, literalmente, por conta do incêndio que sofreram”, pontua.

Reciclagem política

“Reciclem os políticos”. “O Moinho Vivo”. Estas são algumas das poesias do escritor das ruas Mundano, que acompanha as edições do evento e colore os barracos com suas cores, mensagens de proteste e vida. Também, logo pela manhã, postou na rede social. “Quem foi ontem na Favela do Moinho aí? To arrepiado até agora....coisa linda”.

“Até 2010, nem água os moradores do Moinho tinham. Isso em pleno centro da terceira maior cidade do mundo e num país privilegiado em relação à água. Isso mostra o descaso de décadas dos governantes, mas o pior foi ver gastarem R$ 3,5 milhões para implodir um prédio tão sólido que não conseguiram derrubar na primeira implosão. Com essa verba dava para reformar o prédio e transformar num centro cultural para abrigar shows maravilhosos, como o de ontem”, acredita o graffiteiro.

Para quem foi prestigiar, como o diretor de videoclipes de rap Vras 77, o momento foi de felicidade e celebração. “Ontem, eu fiquei feliz com a galera do rap, que chegou e representou com as doações. Isso que é o hip-hop de verdade: um ajudando o outro que precisa”, avalia.

Para o jornalista e fotógrafo Diego Menegaci, o mais importante foi a demonstração de união. “A gente sabe que a vontade do povo independe da vontade de um prefeito, de um governador, de um presidente. O único canal de comunicação entre o povo e os políticos é o voto, ou seja, é muito limitado. Portanto, essa união serve para movimentar uma população, neste caso, excluída de várias necessidades básicas. A luta de ontem não falava apenas de moradia, mas de educação, saúde, saneamento básico. Tudo isso permite que este sonho se mantenha vivo e é por isso que o hip-hop é uma das organizações mais importantes do Brasil. Hoje a ajuda pode chegar tarde, mas não falha, afinal, são 500 anos de luta, já está muito, muuuiiitttooo atrasado”, enfatiza.

O jornalista Guilherme Bryan, que nunca havia ido ao Moinho ou participado de ações diretas do hip-hop neste sentido, comenta a importância da ação. “Eu achei importantíssima a ação, primeiro para mostrar à sociedade o quanto ela ainda é preconceituosa e desconhecedora das lutas que realmente valem a pena. As classes média e média alta ainda veem tudo pelo filtro das agências de notícia. Depois, enquanto se dava mais uma prova de intransigência e truculência em São José dos Campos, o povo do hip-hop paulistano mostrava o quanto é possível fazer uma festa organizada, animada e contagiante, sem precisar de muito. E o mais óbvio é que foi mais uma prova da força da união comunitária em prol de seus irmãos e iguais, né?”, resume.

Força feminina

E a representatividade feminina entrou em cena com o show de Tiely Queen, Amanda Negrassim e a discotecagem de Dj Simmone e Dj Miria Alves. O movimento Hip-Hop Mulher se fez presente, tanto em manifestações artísticas como no ativismo. Para a coordenadora, que além de cantar, contribuiu e militou, foi algo importante. “Eu gostei muito do que vi. O Moinho recebeu o hip-hop de braços abertos. A galera escutou o chamado e veio. Mesmo com chuva ou sol rachando, o pessoal chegou e trouxe o alimento. Me senti como nos eventos que o hip-hop fazia há 15 anos nas quebradas. Isso sim é ação do hip-hop. Me senti em casa cantando pras minhas e pros meus”, declara.

Quem comemora são as moradoras da favela, que mesmo pequenas, sonham em subir ao palco e também empunhar o microfone. “Eu também quero ser cantora, de rap”, diz Jaqueline Dias, 9 anos.

Acompanhada pela amiga, elas dividem-se entre os shows que acontecem no palco, os brinquedos infantis num playground já bastante gasto e a rotina quebrada na favela, com tanta atenção voltada ao povo. “Eu gosto quando é assim, quando as pessoas vêm aqui e ajudam a favela com comida, água e ainda tem os shows”, acrescenta Mariana, antes de sair correndo entre as mais de três mil pessoas presentes.

E a militância feminina não para por aí. A cantora DeDeusMC, que tem pouco mais de um ano de carreira, mas muita disposição para apoiar ações sociais e já esteve no Moinho em outras oportunidades, elogia o evento. “Muito bom ver que o hip-hop se organiza em prol de uma comunidade. Vi nos rostos de felicidade daquelas pessoas o motivo pelo qual existimos e criamos nossa arte. É por eles e tudo tem um sentido mais que especial”, dispara.


A graffiteira Fernanda Sunega se armou de latinhas em spray e coloriu uma casa, que, segundo ela, foi uma adoção da família. “Fico muito feliz em ver acontecer e poder ajudar, através do Hip-Hop Mulher, estas famílias. Trouxe minhas latinhas e um pouco de cor para o Moinho”, conta.

A cantora Yzalú, que inova mesclando rap com voz e violão, e é uma das precursoras do movimento da nova Música Periférica Brasileira (MPB), também fez seu show, mesmo debaixo de chuva e comenta: “Gosto de estar em ações assim. Isso me alimenta, alimenta a cultura e o povo”.


Entenda o caso

Há 30 anos, a ocupação da empresa Moinho Santa Cruz deflagrava o surgimento de uma das maiores favelas da cidade de São Paulo. A comunidade, originalmente formada por catadores de materiais recicláveis, reunia ali um exemplo de preservação ao meio ambiente na cinzenta metrópole, gerando empregos e renda.

No entanto, após manifestações e eventos terem conseguido levar água para os barracos, em dezembro do último ano, o incêndio que atingiu toda favela deixou pelo menos 380 famílias desabrigadas. Muitas vítimas ainda permanecem sem as mínimas condições de sobrevivência – higiene, comida e abrigo.

De acordo com Bob Controvérsia, um dos organizadores do evento, os moradores do Moinho atentam para a morte de mais de 40 pessoas durante o incêndio. Fato não noticiado. “A mídia disse que foram apenas duas. A pressa, nesse caso, tem seu objetivo, que é acelerar a remoção da população, ocultar as provas de que existem várias irregularidades e que o tempo daquela população em uma região extremamente valorizada se esgotou”, diz.

A fala dele é completada pelo morador Yuri Pacheco, 27 anos. “A prefeitura quer nos tirar daqui porque estamos no centro de São Paulo. Existe especulação imobiliária. Querem nosso terreno numa região que é muito valorizada. Querem nos varrer daqui e um incêndio criminoso foi a maneira encontrada para dizimar muitas famílias e nos forçarem a encontrar outro local, no entanto, vamos resistir e permanecer”, informa.

Pensando em mudar este cenário, os militantes culturais Milton Sales, Jackson e Amaral Família DuCorre organizaram o evento, em parceria com MH²R e a jornalista Yara Morais.

Para Milton Sales, o evento foi uma resposta do que o hip-hop e o ativismo podem dar à prefeitura da cidade de São Paulo. “Estão tentando devastar esta comunidade e tirar estas famílias daqui à força. Nós estamos brigando pelos direitos delas”, enfatizou numa de suas falas para o público presente.

Já para Bob Controvérsia, o resumo do evento é um só. “Resultado muito bom e surpreendente. Sem palavras para toda ação e todos que contribuíram para que ela acontecesse”, sintetiza.

* fotos: Márcio Salata, Jéssica Balbino, Nina Fideles, Tiely Queen e Divulgação

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Grupo M.A.F.I.A grava homenagem para o músico Seu Jorge


Em estúdio para a gravação de um álbum, o grupo apresenta uma homenagem ao cantor Seu Jorge com a música “Quem Não Quer Sou Eu”

uem disse que o rap não pode ser pop? Falar de festa, ser rock, ser samba, ser ritmo e poesia no sentido mais plural da palavra?

Para isso, o grupo de Poços de Caldas, M.Á.F.I.A (Manos na Área Fazendo a Igualdade Acontecer) está preparando um disco e nesse meio tempo, gravou uma homenagem ao cantor “Seu Jorge”.
Os irmãos Mafioso J. e J.2 unem-se em estúdio para a composição do próximo álbum e enquanto ele não chega às ruas de todo país, eles apresentam um remix da canção “Quem Não Quer Sou Eu”, produzida pelo selo “O Lance”.

“O Seu Jorge é um grande cantor, que admiramos muito, por isso resolvemos homenageá-lo com este remix do som”, contam os irmãos.

Esta é a prova do rompimento de barreiras – principalmente de estilos – no rap.




Sobre o grupo




M.Á.F.I.A. é um sonho de criança, despertado na adolescência dos irmãos que cresceram ouvindo música negra. Por conta disso, em 2007, passaram a produzir, gravaram alguns CDs e agora empenham-se na gravação do próximo álbum.



Link para baixar a música: http://www.4shared.com/archive/3H_fT4v7/Seu_Jorge__MFIA_-_Quem_No_Quer.html



Serviço – Para saber mais sobre o grupo, siga no twitter: @mafianaarea


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Hip-Hop integra-se ao VI Festival Rock – Cordel


Festival musical no Ceará conta com mais de 120 atrações diferentes, entre elas, DJs, MCs, dançarinos, poetas e graffiteiros


O hip-hop na sua manifestação mais legítima. Essa é a ideia do músico Felipe Rima, ao criar, junto ao Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBN) a “Ação Hip-Hop”, que insere na programação do VI Festival Rock-Cordel os elementos da cultural de rua: Dj, MC, graffiti, dança e muita poesia.

Por meio de um rodízio de 24 atrações semanais, as ações sob curadoria do rapper, poeta e produtor Felipe Rima são a integração das artes entre os jovens advindos de várias comunidades. “A ideia é democratizar o acesso aos palcos e legitimar o trabalho das representatividades do hip-hop”, destaca o jovem.

As ações acontecerão no palco da passarela do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura com artistas da cidade de Fortaleza e também da região metropolitana, que se apresentarão entre os dias 19, 22 e 26 deste mês.

Além do próprio Felipe Rima, os DJs Marianho Penha e Flip Jay embalam o “Ação Hip-Hop”, bem como o grupo Oxente Break e atrações como Basquete de Rua, Freestyle Rimas, Vilão & R.Dog, Bulan Grafitti, Enxame, Rimativa, RDF, Davi Favela e Farol Hip-Hop são alguns dos grupos convidados para a celebração.



Sobre Felipe Rima

O músico, poeta e produtor Felipe Rima lançou, em setembro do último ano o disco “Entre o Batuque do Coração e a Poesia da Vitória” em Fortaleza, São Paulo, Poços de Caldas – MG, Cariri e em Buenos Aires, na Argentina e vem fazendo um trabalho de prevenção ao HIV/Aids tendo inclusive uma canção do álbum inserida no documentário “Viralistas” produzido pela MTV.



O evento



O evento recebe, durante 13 dias, mais de 120 bandas de vários estados do país. Esta é a sexta edição do festival que destaca a música autoral.

Os concertos acontecem, simultaneamente nas cidades de Fortaleza, Juazeiro do Norte (CE) e Sousa (PB).

No CCBNB, os shows estão marcados para o período da tarde e começo da noite, entre 12h40 e 19 horas; no Anfiteatro, sempre a partir das 18h30, até pouco antes da meia-noite. Os horários contemplam todos os públicos, desde quem trabalha ou almoça no Centro e pode aproveitar a programação durante a semana até quem está livre apenas depois do expediente. No fim de semana, o público tende a aumentar. O acesso, vale ressaltar, é gratuito.
Entre as bandas locais selecionadas, constam desde as iniciantes até veteranas, cujo trabalho já é relativamente conhecido na cidade - a exemplo de Mafalda Morfina, Renegados, Caco De Vidro, Macula, entre outras.

Mais informações

VI Rock Cordel. De hoje até 28/01, no CCBNB-Fortaleza (Rua Floriano Peixoto, 941, Centro) e no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Gratuito. Programação completa:
http://bnb.gov.br/content/aplicacao/Centro_Cultural/Agenda/gerados/CentroCulturalAgenda.asp

Contato: (85) 3464.3108

Dia 19 de janeiro, a partir das 19:30

DJs – Mariano Penha

Freestyle – Basquete de Rua 15min

Break - Oxente Break / X Break – (Momento coreografia) 30min

Rap - Tyle Rodrigues – Show 30min

Break - Oxente Break / X Break – (Momento Batalha Show) 30min

Freestyle – Rimas 15min

Rap - VM Na Rima – Show 30min

Grafite – Doug

Dia 22 de janeiro, a partir das 17:30

DJs – Flip Jay

Freestyle – Basquete de Rua 15min

Break – Grupo Enxame / C. B Power Muv Crew – (Momento coreografia) 30min

Rap – Rimativa - Show 30min

Break – Grupo Enxame / C. B Power Muv Crew – (Momento Batalha Show) 30min

Freestyle – Rimas 15min

Rap – RDF Relatos de Fortaleza - Show 30min

Grafite - Davi Favela

Dia 26 de janeiro, a partir das 19:30

DJs – Mariano Penha

Freestyle – Basquete de Rua 15min

Break – É nois Crew / Farol Hip Hop – (Momento coreografia) 30min

Rap - Vilão & Rdog - Show 30min

Break – É nois Crew/ Farol Hip Hop – (Batalha Show) 30min

Freestyle – Rimas 15min

Rap - Erivan Produtos do morro

Grafite - Bulan Grafitti

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sarau no terreiro: lançamento do livro #PoucasPalavras acontece em oficina no Ponto de Cultura Caminhos


Renan Inquérito lança livro no Ponto de Cultura Caminhos, um terreiro de Candomblé com oficinas poéticas


Mesclar a cultura popular, fazendo-a transitar por locais diferentes e improváveis é uma das tarefas mais recorrentes do hip-hop e a exemplo disso, na ultima sexta-feira (13 de janeiro), o grupo Inquérito visitou o Ponto de Cultura Caminhos, na cidade de Hortolândia, no interior de São Paulo.
Localizado num terreiro de Candomblé, o espaço mescla atividades culturais, literárias e oficinas para crianças e jovens. Daí, a ideia de fazer uma oficina do projeto #Poucas Palavras no espaço, seguida de um sarau, com lançamento do livro do rapper Renan Inquérito.
Acompanhado pelo músico Pop Black, que faz backing vocal no grupo e também participa das oficinas, e do fotógrafo Márcio Salata, que assina vários trabalhos fotográficos do grupo, além de ter fotos publicadas no livro #PoucasPalavras, o músico realizou uma oficina bastante diferente no espaço.




De acordo com ele, o primeiro motivo foi a variação de idade, com crianças de três anos até os jovens de 15 anos. "Muitas delas não sabiam ler ainda e tive que me desdobrar e tentar fazer com que elas absorvessem algo. Foi engraçado porque tem uma poesia intitulada 'Vídeo-Cassete' e aí eu falando, percebi que talvez eles, pela pouca idade, nunca tivessem visto um aparelho desses, então perguntei e muitos não sabiam o que era. Pegamos uma fita VHS e passamos de mão em mão e eu ainda brinquei 'pode pegar que não morde'", diverte-se o rapper, ao lembrar do contato feito durante a visita do terreiro, que não ficou apenas na parte poética e visual da oficina, onde um varal é montado com algumas poesias concretas, as fotografias de Márcio Salata e as ilustrações do graffiteiro Mundano, que enriquecem o livro.



Por ser um Ponto de Cultura que abriga um terreiro e vice-versa, entrou em pauta, durante a oficina, a questão do negro, da cultura e das origens e matrizes africanas.
"Foi extremamente positivo, porque as crianças curtiram muito. Participaram e escrevemos juntos uma poesia no final. Depois, o Pop Black fez, no violão, uma melodia para ela e quando vimos, já tinha um cara com um afoxé - instrumento de percussão - fazendo o acompanhamento e virou uma música. Foi lindo", resume Renan Inquérito.



Com o resultado, a expectativa é que o projeto #PoucasPalavras seja intensificado no local e também na região.O evento teve incentivo e foi viabilizado pela Secretaria Municipal de Cultura de Hortolândia - SP.

Serviço - Mais sobre o projeto pode ser acessado no site #PoucasPalavras

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Jéssica Balbino participa de chat na Rede de Adolescentes e Jovens Comunicadores do Brasil

O tema “Cultura Marginal” será debatido, ao vivo, por meio do chat, com a jornalista e escritora


Acontece hoje, a partir das 16h, um chat – via facebook - com a jornalista e escritora Jéssica Balbino por meio da Rede de Adolescentes e Jovens Comunicadores do Brasil.
Entre os vários temas que a rede debate, cada dia com um convidado, o de hoje será sobre Cultura Marginal e a jornalista, que é envolvida com a produção cultural da periferia e do hip-hop, falará aos presentes sobre a própria vivência e os trabalhos que vem fazendo nos últimos anos.
A rede é uma articulação da juventude pelo Direito Humano à Comunicação, que visa contribuir no diálogo, formulação e atuação em torno das políticas de comunicação para adolescentes e jovens.




Para os integrantes da Rede, falar em direito à comunicação no Brasil é falar em democratização do acesso aos meios de produção, mecanismos de controle social e em garantir o estímulo e fortalecimento potencial criativo da população.

Na última semana, o convidado do chat foi o diretor Vras77, famoso pela inovação na maneira de fazer clipes de rap no Brasil, que atualmente está dirigindo um documentário e que foi convidado para oficinas durante o Fórum Social Mundial deste ano.

A comunicação é um direito inalienável. Trata-se de uma necessidade humana fundamental que muitas vezes é negligenciada em decorrência dos processos de exclusão sócio-econômica. Esse é o pensamento dos adolescentes, jovens e profissionais de comunicação que compõem a Rede.

Como participar do chat

O chat no facebook com Jéssica Balbino


Para Participar do Chat, basta solicitar a entrada no grupo: http://www.facebook.com/groups/RNAJC/ -

O que - Chat no Facebook com Jéssica Balbino
Quando - Segunda - Feira - 16.01.2012
Horário – 16h (horário de Brasília)



Serviço - Mais informações sobre Jéssica Balbino acesse o blog www.jessicabalbino.blogspot.com ou pelo twitter@jessicabalbino


domingo, 15 de janeiro de 2012

Rodrigo Ciríaco lança livro e faz sarau na Alemanha



Após lançar a obra “100 Mágoas” em Berlim, Rodrigo Ciríaco realiza agora uma edição alemã do Sarau dos Mesquiteiros

fotos:Brunela Succi

“Nóis é ponto e atravessa qualquer rio”. Foi com esta frase que o escritor Rodrigo Ciríaco anunciou uma edição especial do Sarau dos Mesquiteiros, que vai acontecer no próximo dia 25 de janeiro em Berlim, na Alemanha.


Neste caso, a literatura marginal cruzou oceanos e chegou pela segunda vez na Alemanha. O evento acontece na A Livraria Berlim, onde Ciríaco lançou na quinta-feira (12) o livro “100 Mágoas” , que é um mosaico de várias histórias que abordam a problemática política e social da babilônia brasileira: a pobreza, o descaso e a violência policial. No entanto, o livro não limita-se ao “mais do mesmo”. Traz também tensões conjugais, emocionais. Tudo isso carregado de lirismo. Sem deixar de lado o cinismo.O trabalho tem prefácio de Marcelino Freire e orelha de Érica Peçanha. O projeto gráfico ficou por conta de Silvana Martins.



Durante a ação, o autor falou um pouco sobre a origem do livro, sobre a importância do financiamento da obra por meio de um edital público do município de São Paulo ( Programa VAI) e sobre o trabalho coletivo feito na elaboração de um novo selo editorial, o Um Por Todos, além da diversidade de temas e personagens presentes nos contos: a pessoa em situação de rua, uma mulher condenada injustamente, o pai revoltado no leito do hospital sem atendimento para a filha, as traições e rejeições amorosas, a babá vingativa contra o bebê, entre outros.

Foram feitas as leituras de dois contos do seu livro: “Maria”, que aborda uma história uma mulher acusada injustamente de matar a filha com cocaína em sua mamadeira e “Sem Mágoas”, conto este que faz referência ao título do livro e que aborda o desabafo de uma mulher ao seu ex-namorado.



Uma pergunta de destaque foi sobre a “visceralidade” dos contos, ou do que Rodrigo gosta de chamar, “literatura de estômago”. Como se faz com tantas histórias, o que ela provoca no autor? “Gastrite”, foi a primeira resposta, seguida de risada dos presentes. “Mas por isso que não me considero muitas vezes um escritor, pois não gosto de escrever sobre qualquer coisa, mas aquilo que me pega pelo estômago, por baixo. Escrever é necessário para eu me sentir vivo”, declarou.

Ao final, foi recitado o poema “Periafricania”, de Gaspar (Z´África Brasil) e os presentes convidados a tomar um vinho, conhecer mais o trabalho e conversar com o autor.


O local onde aconteceu o lançamento, que teve tradução e moderação da pesquisadora Ingrid Hapke (Universidade de Hamburgo – ALE) e vai acontecer o sarau trata-se de um espaço especializado em literatura afro-luso-brasileira e que já recebeu nomes da literatura brasileira como Marcos Lopes, Ruy Castro, Ignácio de Loyola Brandão, João Ubaldo Ribeiro e o veterano da cena contemporânea/periférica, Ferréz.


O autor e o Sarau dos Mesquiteiros

Rodrigo Ciríaco é escritor, educador e também autor do livro de contos “Te Pego Lá Fora” (Edições Toró, 2008) e participou da coletânea francesa “Je Suis Favela”, com contos traduzidos e publicados pela Editora Anacoana em 2011.


O Sarau dos Mesquiteiros acontece semanalmente no Jardim Verônica – Ermelino Matrarazzo, na zona leste de São Paulo, com o tema “Um por Todos, Todos por Um”, procurando valorizar o trabalho coletivo, solidário e cooperativo, além do protagonismo juvenil.

Serviço – Mais informações sobre o livro podem ser obtidas através do link: http://www.efeito-colateral.blogspot.com/

Artistas e militantes do hip-hop unem-se em prol da Favela do Movinho

#FestivalMoinhoVivo busca arrecadações de alimentos, roupas e medicamentos para sobreviventes de incêndio na favela

#FestivalMoinhoVivo. É com esta hashtag que a cultura hip-hop se organizou e realiza, no próximo domingo (22), um festival na Favela do Moinho, na região central de São Paulo, com o objetivo de arrecadar alimentos, medicamentos, objetos de higiene pessoal e roupas.

A iniciativa busca amenizar o sofrimento dos mais de quatro mil moradores da favela que no último dia 23 de dezembro foi atingida por um incêndio, matando moradores e deixando boa parte dos que ficaram sem as mínimas condições de sobrevivência – higiene, comida e um teto.

Os militantes culturais Milton Sales, Jackson e Amaral Família DuCorre uniram-se em protesto e mobilização e com o evento esperam atrair um significativo número de doações.

Estão confirmadas as presenças de grandes nomes da cena musical nacional como Mano Brown (Racionais MCs), Dexter, Emicida, Crônica Mendes (A Família), Rincon Sapiência, DeDeus MC, Lindomar 3L, Rimatitude, Us Vagabundo Chic, Ducorre, entre outros artistas do break, graffiti, Djs,poetas e escritores e comunicação.

O que pode ser doado:

- alimentos não perecíveis

- medicamentos

- materiais de construção

- brinquedos

- material escolar

- roupas


Serviço – O #FestivalMoinhoVivo acontece no próximo domingo (22) a partir das 14h na própria favela, localizada a Rua Doutor Elias Chaves, 20,próximo ao viaduto da Avenida Rio Branco, no centro de São Paulo – SP.




VÍDEOS

Utilizando a linguagem audiovisual, muitos militantes tem produzido curtas, documentários e vídeo-reportagens para relatar o sofrimento dos moradores da favela.

Um deles é o vídeo “Moinho Vivo”, produzido por Fernando Pequeno. Segundo ele, “este é um pedido de ajuda dos moradores da Comunidade do Moinho, onde aconteceu o incêndio que deixou várias famílias desabrigadas e algumas pessoas morreram”.



Outro material é o documentário “Favela do Moinho” , que tem pouco mais de 13 minutos de duração e foi produzindo pela PUC- SP e mostra a luta prefeitos Serra e Kassab para desocupar a área onde hoje vivem mais de quatro mil pessoas.

O documentário mostra que o Escritório Modelo entrou, em 2008, com uma ação de usucapião coletivo em nome da associação de moradores e o juiz do caso concedeu o benefício, permitindo que os moradores permanecessem nas casas até o final da ação.



Já o organizador do evento, Milton Sales, também manda um recado, num vídeo de 20 segundos, acusa a prefeitura de querer esconder os moradores e os efeitos do incêndio.






Outro material, intitulado “Moinho Vivo – O que a imprensa não disse” está disponível no canal de vídeos youtube e mostra moradores e ativistas compartilhando informações e denúncias sobre o que houve na comunidade.






quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Renan Inquérito lança #PoucasPalavras em evento de hip-hop num terreiro

Acontece nesta sexta-feira (13) a partir das 20h o lançamento do livro #PoucasPalavrasdo@RENAN_INQUERITO no Sarau do Dendê, na cidade de Hortolândia, no interior paulista.
O evento acontece com apoio da prefeitura do município e o Ponto de Cultura Caminhos promove uma festa com muita literatura marginal. A ideia é também um marco na iniciativa de introduzir o hip-hop no terreiro.
Antes do sarau, as cerca de 40 crianças atendidas pelo Ponto de Cultura participarão de uma oficina de literatura marginal.
Conforme foi publicado no Portal da cidade de Hortolândia , a responsável pelo Ponto de Cultura, Mãe Lenora, tem como ideia envolver as crianças num estudo poético e literário, usando a literatura periférica para tanto. "O livro, como a maioria das composições de rap, além de ter uma forma poética, abre precedentes para discussões sobre a inclusão social. É muito importante que as crianças comecem desde cedo a fazer uma reflexão crítica sobre os fatos", considera.
O livro do rapper, professor e geógrafo Renan Inquérito foi lançado no início de dezembro e já percorreu diversas cidades por todo país em lançamentos e saraus.
A obra tem prefácio de Sérgio Vaz, orelha de Alessandro Buzo, ilustrações do graffiteiro Mundano e fotografias de Márcio Salata, além de ter sido editada pelo também escritor Toni C.






















Serviço - Mais informações sobre o livro podem ser acessadas no site www.grupoinquerito.com.br