sábado, 5 de maio de 2012

Açougueiro conta como implantou cultura no próprio estabelecimento



Criador do primeiro Açougue Cultural do mundo conta como implantou livro em meio às carnes


Poços de Caldas, MG, 05/05/12 - “A arte mudou minha vida completamente”. Esta é uma das afirmações que pontuam a fala do açougueiro Luiz Amorim, 47 anos, que criou o primeiro açougue cultural do mundo e hoje, 12 anos após a implantação de uma biblioteca comunitária em meio às carnes, é uma Organização Não Governamental (Ong) que realiza ao menos cinco grandes eventos por ano em Brasília-DF.
Amorim foi alfabetizado aos 16 anos e leu o primeiro livro aos 18. De lá para cá, não parou mais. Convidado para o 2º Encontro de Educação do Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços), o açougueiro, bastante inspirado pela literatura e o pensamento grego, confessa que tornou-se ávido por cultura desde quando foi contratado, aos 12 anos, por um pequeno açougue, também em Brasília. Após ter sido engraxate e vigia, passou a morar nos fundos da loja, onde lia para passar o tempo e acabou apaixonado pelos livros e pela arte. Chegou a ler entre 10 e 15 livros por mês.
Desde 1994, Amorim divide-se entre os livros, a paixão pelo trabalho e pela arte. Quando montou a própria loja, instalou uma estante com 10 livros para fazer empréstimos e arrecadar doações. Daí surgiu o Açougue Cultura T-Bone, que tem uma história marcada por tentativas de destruição, inclusive o fechamento pela Vigilância Sanitária (Visa), que alegou problemas de higiene um ambiente com livros e carnes.
Contudo, todas as dificuldades foram dribladas e hoje o projeto conta com o patrocínio da Petrobras e no final de 2002 abriu uma biblioteca comunitária na SQN 712/13, uma casa com mais atividades culturais e 45 mil livros à disposição da comunidade.
“A pessoa que sabe ler e não consegue ler nem um livro por mês não sabe o mal que está fazendo”, afirma, ao responder uma das perguntas referentes a um outro projeto, também implantado por ele no Distrito Federal, que disponibiliza livros nas paradas de ônibus da cidade, o Parada Cultural – Biblioteca Popular 24 horas.
Questionado sobre a possibilidade dos livros ficarem estragados pelo manuseio ou mesmo serem furtados, Amorim não poupa palavras para dizer o quanto prefere ver um livro circulando entre leitores do que “aprisionado” na estante. “Se um livro rodou um ano e 10 pessoas leram, já valeu mais do que ficar um ano na estante de um apartamento, conservado no ar condicionado”, salienta.
Assim, entre idas e vindas, o Açougue T-Bone conta hoje com seis funcionários e, segundo Amorim, é importante que todos os funcionários leiam. “Naturalmente eles foram pegando o gosto pela leitura e quando não estão trabalhando com as carnes, me ajudam com o trabalho cultural. Uma coisa é vinculada à outra e não tem como ser diferente”, finaliza.

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