Hip-Hop - A Cultura Marginal

Texto do livro de Jéssica Balbino é inserido em livro didático do Estado Rio Grande do Sul

TRAFICANDO CONHECIMENTO

Entrevista com a jornalista e escritora mineira Jéssica Balbino, militante do movimento hiP-hop, representante da nova literatura marginal brasileira

FEMININA EM FOCO

"Em meio a tantas armas que eles podem escolher no jogo real do “matar ou morrer”, o hip-hop escolhe a maior de todas as armas: a cultura. Uma cultura marginal, mas que não é propriedade dos grandes, não é da elite nem da burguesia. É a cultura de quem foi capaz de criá-la e levá-la adiante. É a cultura das ruas, do povo” (Jéssica Balbino)

PERIFERIA EM MOVIMENTO

Mineira multifacetada. Assim definimos Jessica Balbino, que é autora do livro “Traficando conhecimento”, jornalista e assessora de imprensa. Abaixo, uma entrevista que fizemos com ela.

Jéssica Balbino participa de livro coletivo de “Poetas do Sarau Suburbano”

Jéssica Balbino é jornalista e escritora, nasceu e vive em Poços de Caldas, mas permanece antenada com o que acontece pelas periferias do Brasil. O primeiro livro foi escrito com sua parceira Anita Motta,“Hip-Hop – A Cultura Marginal”. Ela também participou da coletânea “Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil”, organizado por Alessandro Buzo em 2007

quinta-feira, 31 de março de 2011

CULTURA

Encontro de Hip-Hop é destaque no V Flipoços
  
Escritores da Literatura Marginal, rappers, Djs e graffiteiros participam de evento voltado a cultura hip-hop em festival literário nacional


Poços de Caldas, MG – Por acreditar na transformação e na evolução por meio da literatura, a organização do V Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços) organiza, para o próximo dia 5 de maio, um dia voltado, exclusivamente, a cultura hip-hop.
Dentro da programação do festival que tenta abordar todos tipos de assuntos e atingir os mais diferentes públicos, a organizadora do evento, Gisele Corrêa Ferreira, enfatiza a necessidade de explorar mais a literatura marginal, que tem espaço garantido e maior a cada edição.
Neste ano, o evento traz representantes de todos os elementos do hip-hop e debates com personalidades da literatura. 

Flyer do encontro

O início do debate será marcado por Alessandro Buzo, escritor e agitador cultural, autor de sete livros e organizador de quatro coletâneas com escritores de todos estados brasileiros, ele comenta a participação no Flipoços. “É muito bom ter o hip-hop em destaque num evento de literatura, no caso do Flipoços. Não é de hoje que o rap traz vários letristas importantes e aos poucos, nomes do hip-hop se lançam na literatura. A tendência é que cada vez mais essa parceria se consolide. Para mim, é uma honra ter sido convidado. Antes de tudo, sou escritor, mas minha ligação com o hip-hop é total, tanto que vou falar do meu livro mais recente, o Hip-Hop- Dentro do Movimento”, salienta. 

 
Alessandro Buzo: escritor e agitador cultural dentro do movimento hip-hop

Não distante do que ele comenta, está o rapper, poeta e geógrafo Renan Inquérito, que participa do festival e conta que através da poesia se descobriu músico e hoje caminha entre as duas linhas. “Antes de ser rapper eu era poeta. Sempre gostei de brincar com as palavras e meu grupo, o Inquérito, traz nas letras e no contexto, uma forte ligação com a literatura marginal. Participar do evento significa expansão artística e profissional, além de representar reconhecimento por um trabalho de mais de 10 anos. Vida longa a Literatura Marginal”, conta, o rapper que no final de 2010 lançou o terceiro disco – Mudança – e que traz numa das faixas a canção Poucas Palavras, em homenagem aos escritores da Literatura Marginal. 


 
Renan Inquérito: músico, poeta e geógrafo na programação do Flipoços

A programação traz também intervenção do Dj Mancha, poços-caldense que em 2010 passou a freqüentar saraus e descobriu o gosto pela leitura. “Foi através do hip-hop que percebi que poderia juntar literatura e música. Isso é fantástico. Eu tenho adorado”, diz. 

 
Dj Mancha fala sobre a relação da literatura com a música e apresenta performance no evento

No graffiti, um dos elementos da cultura hip-hop, o convidado é Mundano, famoso pelo trabalho com os carroceiros do centro de São Paulo e por graffitis de contexto social, ele é bastante ligado ao movimento literário e imprime isso em suas obras, que já foram destaque em todo país e até fora dele. 


 


O escritor Sacolinha também vem ao evento e participa do debate, apresentando suas duas novas obras: Estação Terminal e Peripécias de Minha Infância. Bastante ligado ao hip-hop, o escritor foi um dos pioneiros da Literatura Marginal no Brasil.

 
Escritor Sacolinha, presente numa coletânea de textos lançada na França, é um dos destaques do festival

Para finalizar, o evento traz um pocket show do grupo poços-caldense UClanos, mesclando a arte com a literatura.
O encerramento da noite fica por conta da palestra máster com o rapper, escritor e ator MV Bill. Pela segunda vez na cidade, ele traz um debate sobre tráfico, racismo e escolas.
Para mediar os debates e também participar como escritora da Literatura Marginal e pesquisadora do hip-hop, a jornalista Jéssica Balbino é a convidada. 


MV Bill vem pela segunda vez ao festival literário nacional

“Acho fundamental que um evento como o Flipoços, que só cresce, dê espaço ao hip-hop e a literatura. É mais do que provado que o hip-hop pode ser uma ferramenta educacional muito válida e acho que o evento tem introduzido essa ideia com muita propriedade”, destaca. 


UClanos é um dos grupos convidados para pocket show no Flipoços

Já para a organização, essa é a oportunidade de atingir todos os públicos e cumprir o papel social e educacional do Flipoços.  “Trata-se de uma literatura que está sendo mais respeita no Brasil e nosso intuito é quebrar o preconceito que às vezes existe sobre a Literatura Marginal. Existem pessoas maravilhosas fazendo um trabalho super profissional. Através da literatura e da cultura hip-hop, muitos jovens tem oportunidade de fazer alguma coisa produtiva e muitas vezes, esta é a chance de resgate que eles têm para serem cidadãos melhores e mais integrados na sociedade de forma digna”, pontua Gisele. 

Serviço – O Encontro do Hip-Hop acontece no Flipoços no próximo dia 5 de maio a partir das 14h30 no Espaço Cultural da Urca – Teatro Benigno Gaiga. Mais informações podem ser obtidas através do site www.feiradolivropocosdecaldas.com.br ou pelo telefone (35) 8807-5741

terça-feira, 29 de março de 2011

EDUCAÇÃO



Oficina de hip-hop com Jéssica Balbino e Original Crew

Evento contou com a exibição do documentário Conexão Cultural SP e do videoclipe Um Brinde


 Alunos do 3º ano do EM do Colégio Municipal

É sempre assim ! Sempre que eu estou super desanimada, surge algo/alguém pra me levantar e me animar ! Hoje foi a palestra sobre hip-hop que o professor Diney Lenon organizou e me convidou. Dentro do ciclo de oficinas Juventude e Cidadania, falei sobre a cultura da periferia, o hip-hop e foi bem bacana.
Cerca de 100 alunos do 3º ano do Ensino Médio, da escola Municipal de Poços de Caldas participaram e foi um dos melhores públicos que já tive até hoje.


 público e Jéssica Balbino durante a palestra


O pessoal foi bem politizado, bem bacana, bem animado, discutiram, participaram, embora boa parte não fosse do hip-hop e não tivesse muito conhecimento sobre a cultura.




 é impossível não ficar feliz com o feedback do público



O curioso foi que eles se mostrarm abertos a aprender e conhecer mais sobre isso e foi ótimo responder as perguntas.
No início, exibi o documentário Conexão Cultural SP, do meu amigo @diegomenegaci ! Foi muito show porque todos gostaram muito e se emocionaram com o que foi falado e exibido, inclusive a Cooperifa chamou bastante atenção do povo.


revista O Menelick - ato 2 que eu aproveitei para distribuir entre os jovens 




Na sequência, contei um pouco da minha história no hip-hop ! Sim, assim mesmo, sem script, sem fala decorada, sem datashow, sem nada. Gosto de olhar nos olhos enquanto falo. E a reciprocidade de hoje foi bem legal !
Exibi, então, o videoclipe Um Brinde, do @grupoINQUERITO e todos gostaram bastante. Rolou um debate sobre a questão do álcool e das drogas no hip-hop e prosseguimos debatendo literatura, a questão americanizada da cultura, entre outros temas.



cena do videoclipe Um Brinde, do grupo Inquérito, dirigido por Vras77


galerinha concentrada na palestra e na cultura popular



A palestra foi finalizada com a participação do grupo @OriginalCrew . Os meninos correm muito e foi bem bacana. A dança deles foi bem apresentada e os professores adoraram. Ao final, todos queriam cópia do documentário, do videoclipe, contatos para outras palestras, etc.
Valeu muito a pena ter estado lá. Receber os alunos depois da palestra é o que me dá ânimo para seguir adiante e ver que estou no caminho certo. Apesar de tudo de errado e desanimador que vem se sucedendo, ver aqueles jovens - exatamente como fui um dia - me agradecendo e desejando boa sorte é mágico !
Voltei para casa bem feliz e completa.

Cena do documentário Conexão Cultural SP


Não posso deixar de agradecer a @ju_simplesassim que mais uma vez representou e esteve presente comigo lá, tirando fotos, dando toda assistência e providenciando toda estrutura, além de me dar uma força incrível (aposto que ela vai ler esse texto e me xingar até esse parágrafo, falando que eu esqueci de citá-la).
E, apesar de nada mudar e eu voltar para casa pegando dois ônibus, ouvindo rap no celular e cantando até chegar aqui em casa, é bom viver assim, de hip-hop,  pelo hip-hop !!!



 Original Crew durante exibição após palestra

Andressa que ganhou meu livro

PAZ

Jéssica Balbino

segunda-feira, 28 de março de 2011

EDUCAÇÃO



 Oficina para juventude tem hip-hop como tema

Ciclo de palestras faz parte de um projeto para jovens do município de Poços de Caldas e o  tema da vez é o hip-hop

Ensinar por intermédio da arte, essa é a proposta do Ciclo de Oficinas Culturais Juventude e Cidadania, que nesta edição traz a cultura hip-hop como objetivo educacional.
Com uma oficina ministrada pela jornalista, escritora e pesquisadora do hip-hop, Jéssica Balbino e uma apresentação do grupo de dança Original Crew, o coordenador do projeto, professor e também cientista social Diney Lenon pretende alertar os jovens por meio de trabalhos lúdicos com arte. “É a exibição da cultura urbana, da periferia, a voz do pobres. É diversidade cultura e uma linguagem próximo do real mundo dos alunos”, pontua o professor.




A oficina acontece para alunos do 3º ano do Ensino Médio. Nesta edição, o projeto traz a exibição do documentário  Conexão Cultural – A criação artística nas periferias de São Paulo, que mostra a realidade da produção cultural nos guetos da capital paulista, mas se aplica em qualquer periferia do Brasil.
A escolha do documentário é porque ele passa, em pouco tempo, a ideia do que é o hip-hop e do que é a criação das periferias, que vai muito além de simples elementos e que hoje faz uma verdadeira revolução, partindo para  evolução em si”, coloca a jornalista Jéssica Balbino.
Um dos produtores do documentário, filmado em 2008, Diego Menegaci afirma que ele retrata a efervescência cultural, sobretudo literária, nas periferias da cosmopolita cidade de São Paulo. “Tendo como lema ‘da periferia para a periferia’, o hip-hop se tornou a base da produção artística fora dos grandes centros e serve como exemplo para os jovens que desejam seguir, transmitir uma mensagem, seja ela qual for”, frisa.
Ainda durante a oficina, o videoclipe Um Brinde, do grupo Inquérito será exibido como parte da campanha idealizada pelo grupo e que já teve exibições em 170 locais do país e em outros cinco países:  Inglaterra, EUA, Portugal, Cuba e Guiné Bissau.
O projeto é viabilizado pela Lei Municipal de Incentivo á Cultura de Poços de Caldas, com patrocínio da Alcoa e apoio do Instituto Cultural Companhia Bella de Artes.







Serviço – Para saber mais sobre o documentário Conexão Cultural, acesse o blog www.conexaoculturalsp.blogspot.com . Para saber mais sobre a campanha Um Brinde, acesse www.grupoinquerito.com.br 

domingo, 27 de março de 2011

SONHOS ROUBADOS

Assissti, há alguns minutos, e pela segunda vez, o filme SONHOS ROUBADOS, de Sandra Werneck, inspirado no livro-reportagem de Eliane Trindade.
As histórias das meninas - menores de idade - que se veem envolvidas na prostituição como algo natural na vida me faz pensar no processo que faz, muita gente, chegar a se prostituir.
Não me sinto diferente delas por ter família, emprego e por não vender o meu corpo. Tambémm tive, assim cmoo grande parte das mulheres, os sonhos roubados e ainda criança.
Mais tarde, me senti uma puta por aceitar trabalhar por menos do que eu devo/mereço ganhar ...E me sinto explorada sexualmente cada vez que troco algum tipo de serviço por momentos com alguém ou a minha competência para ter sexo, ou vice-versa e faço sexo em troca de alguma coisa, mesmo que seja momentos carinhosos - ou nem tanto assim, mas que deveriam ser - .
Vejo meus sonhos roubados todos os dias quando sou privada de um beijo ou um abraço de boa noite pelas pessoas que eu amo muito e que não posso estar próxima.
É assim mesmo, os sonhos caem um tanto em cada esquina, cruzamento, bar ou copo de cerveja que é entornado.
E para quem está às margens da sociedade é ainda pior. Ver o sorriso que deveria ser de criança se transformar em lágrimas de adultos é dolorido quando assistimos ao filme ou lemos o livro. Jovens transformadas em seres durões para enfrentar a vida e a realidade, que é sem massagem.
Como todo filme brasileiro ele é recheado de sexo, palavrões e imagens da favela e sim, até nisso é um retrato fiel da realidade !
Hoje, me sinto assim, exatamente como uma delas, porém, tenho o mesmo olhar de esperança e o mesmo desejo de viver melhor um dia. E assim seguimos, tanto recuperar os tais sonhos roubados.



Abaixo, a resenha que fiz, ano passado, depois de ler o livro, para o jornal @maispocos


Sonhos caem pelas esquinas
Do livro As meninas da esquina de Eliane Trindade


Por Jéssica Balbino

“Desde os 6 anos me viro sozinha. Não lembro direito como foi o meu primeiro programa, mas foi com um coroa. Só sei que senti uma agonia e ainda sinto no meu corpo. Sinto vergonha de falar como ganho a vida”. Esse é o trecho do diário de uma das seis adolescentes que resolveram abrir a vida e contar as experiências nem sempre felizes e agradáveis a jornalista Eliane Trindade.
O resultado é um livro-reportagem que poderia ser ficção, mas é jornalismo. Tão real que os tons de cor-de-rosa da festa de debutantes de uma delas se enegrecem diante de uma vida nada justa ou feliz de quem tem que ganhar a vida em meio à prostituição e exploração sexual.
As tramas são recheadas de pobreza, falta de alimentos, higiene e lacradas pelos abusos e violações, que em alguns momentos dão espaço a alguns sonhos e alegrias.
Garotas de lugares diferentes e com histórias bastante comuns. Todas tiveram suas infâncias interrompidas e se vêem obrigadas a interromper as dos próprios filhos, que recebem o mesmo que elas: o desamor da pobreza e do submundo brasileiro.
O resultado de dois anos de pesquisas são os diários de Natasha, Britney, Milena, Yasmin, Vitória e Diana, que entre 14 e 20 anos confidenciaram as dores e os amores à jornalista, que com o cuidado e o esmero tão peculiares da profissão, transformou o tema da profissão mais antiga do mundo em algo fantástico de ser lido.
Não que seja uma leitura fácil. É algo que dói e desmonta castelos de areia tão bem construídos por quem se arrisca a ler uma reportagem que vai além das quase 400 páginas do livro. É uma realidade que pode ser vista em quase todas as esquinas brasileiras e não apenas naquelas das vielas, citadas em alguns trechos que misturam sexo, violência, rede do tráfico e o desejo de ser feliz.
O que se sabe é que a exploração sexual infanto-juvenil está em 937 dos 5.551 municípios do país, mas a jornalista consegue dar vida a estas estatísticas, convencendo as seis garotas que adotam nomes fictícios a adotar também um gravador onde contam as experiências diárias e aprendem a relatar as vivências e encarar, de frente, a dor de uma vida que não escolheram, mas que as escolheu.
E o mais surpreendente do livro não para aí. Ao final, a jornalista ressalta detalhes revelados pelas meninas e os analisa diante da preocupante situação do mercado do sexo, que conforme as adolescentes contam, envolve policiais, parentes, idosos e quem deveria protegê-las. Dados, estatísticas e estudos feitos por especialistas são confrontados pelas vozes de um mundo muitas vezes ignorado. A preocupação com a Aids e a gravidez precoce ficam evidentes ainda pelas políticas públicas que ONGs de cada comunidade tentam desenvolver na vida destas garotas. Os holofotes, no entanto, ficam por conta de finais nem sempre felizes, mas reais, e ainda cheios de esperança na vida de meninas que representam muitas outras como elas.
A leitura é dolorida, mas reveladora. Vale a pena perder alguns sonhos para ajudar a construir tantos outros. Um exemplo é que os diários foram inspiradores para o filme Sonhos Roubados, de Sandra Werneck.

sábado, 26 de março de 2011

DESABAFO

a quem possa interessar:

Ainda não sei o que vou fazer. Talvez eu me afaste um pouco de toda cena. Talvez para pensar, repensar, mudar a forma de agir, ou me focar em mim mesma.
Nos últimos meses, me dediquei por completo ao hip-hop e a vários grupos e  qual é o resultado disso: tô falida, fudida e mal paga (parafraseando Slim Rimografia).
Não tenho um puto e todo investimento que fiz não deu retorno algum.
Quando rola algum show, encontro, evento, o caralho, todos os grupos que conheço, que sou amiga e que assessoro vão e eu fico nos bastidores. Se eu não peço pelo amor de Deus para ir, não sou convidada, e se peço, tem que ver se tem espaço, se vai dar tempo, se não vou atrapalhar os esquemas, entre outras coisas.
A culpa é minha, por me permitir ser usada de tal forma.
Quando dá tudo certo, ninguém liga para dizer qual foi o retorno, como foi o feedback, como foi legal, etc.
Mas, se algo sai fora do trilho, do eixo ou não sai como haviam planejado, o meu telefone é o primeiro a tocar e não tem hora para isso.
Mando trilhões de e-mails mas as respostas só chegam quando é para me cobrar de algo que já fiz, ou que estou fazendo. E não, não estou ganhando por isso.

É foda admitir que a culpa maior é minha, por permitir que seja assim. Por deixar que explorem meu serviço, meu trabalho, não paguem por ele (financeiramente, como deveria ser) e que não agradeçam da forma como deveria. Sim, porque mesmo pagando, deveriam agradecer.

Mesmo quando faço porque gosto, não há 100% de altruísmo. Sempre espero algo em troca, nem que isso seja um convite para ir num show (não falo da entrada gratuita, mas da questão da presença), a gratidão, a amizade e o compartilhar do dia-a-dia.
Minha caixa de entrada pipoca de e-mails e se eu ficar online no MSN não consigo fazer mais nada. Tudo isso porque pessoas que nem conheço ou que tenho pouco contato vem me pedir release, divulgação, publicação no blog, matéria para tal site, contato de fulano, de ciclano, e-mail de tal pessoa, entre outras coisas.
Não há jeito de fugir. Não sei dizer não. E talvez este tempo seja para refletir e aprender a fazê-lo.
Tudo isso tem me desgastado por demais e me sobrecarregado muito. Não quero perder o amor em algo que eu acho tão bonito e que me encanta tanto, que é o hip-hop. Não quero perder o romantismo naquilo que acredito e que me move para frente.
 Meu e-mail/MSN (jessicabixete@hotmail.com) foi hackeado e zoaram meus contatos, meus amigos, minha vida pessoal e sentimental. Não sei o que fiz, ou para quem fiz, a ponto de usarem isso como maneira de me atingir. Atingiu e eu fiquei bastante desestimulada a mexer na internet.
Sem falar que há algum tempo venho perdendo o tesão nas redes sociais, até mesmo no twitter, que sempre foi meu xodozinho. Aliás, tenho vivido muito a vida dos grupos, dos amigos, dos assessorados e deixado a minha de lado.
Talvez seja um momento de refletir, de buscar a minha vida, as minhas respostas.
Não vou abandonar nada, e nem abrir mão de tudo. Só preciso desse tempo, que pode durar essa noite, esse fim de semana, estes próximos sete dias, ou o próximo mês. Não há nada, absolutamente, que dure para sempre, mas, ao me olhar no espelho e ter a certeza de que tudo acaba passando, eu quero me descobrir ainda mais e me respeitar, como foi um dia, não mais como vem sendo, me desrespeitando e deixando com que terceiros façam o mesmo.
Meu próprio valor, para mim, é o mais importante. E agora, sou eu, Jéssica Balbino, e apenas isso, não jornalista, nem escritora, tampouco assessora que escreve, mas a pessoa que sente, vive, chora, ri, tem sonhos, desejos, vontades, e sentimentos. Sim, carência também. É, raiva também.
Acho que escrevo essas linhas mais para mim do que para quem, eventualmente, vier a ler. Mas, não quero mais me esquecer de mim para me dedicar a outras pessoas, e, para começar, um texto meu, para mim e apenas isso ! Um desabafo, com a certeza de que tudo passa, um dia tudo acaba passando!


PAZ
Jéssica Balbino

quarta-feira, 23 de março de 2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dia da poesia

Boa poesia. Bom dia.
Sim, descobri por acaso que hoje é o dia da poesia.
Sou péssima nelas, mas sou ótima para encher meu dia com pequenas linhas e gestos que me fazem mais feliz.
Inclusive, após ler a coluna da minha jornalista preferida Eliane Brum, mandei o seguinte e-mail a ela:

Oi Eliane,

confesso que fazia tempo que eu não lia sua coluna às segundas-feiras ... entao, de repente, minha vida estava no piloto automático, ou seja, sem poesia.
Sempre comentei com uma amiga que trabalhou comigo num jornal em que éramos escravizadas (se é que tem algum em que não sejamos), que o ponto alto do meu dia era encontrar poesia nas pequenas coisas e a gente fazia isso de forma única. Ou seja, em pequenas coisas, como as fotos que tirávamos, o almoço, enfim, aquele momento que a professora perguntou aos alunos, já idosos.
Esses exercícios são reveladores. E acredito que o filme seja assim também.
Ele não deve chegar aqui na cidade em que moro, então, vou ficar com vontade de ver até quando sair em DVD ou algo assim, porém, a sua coluna me fez despertar. Faltava poesia no meu dia e fazer uma ronda que não seja em policias, funerarias e secretarias é essencial para dar sentido ao dia.
Obrigada por me despertar poeticamente hoje :)
Mais uma vez teu texto me mudou ...


E o mesmo acontece quando eu abro meus livros e poesia, seja do Sérgio Vaz, seja do André Ebner, seja o blog do Sempre André, seja de outros poetas que eu admiro muito.
Gosto de viver poeticamente e sempre comentei isso com meus amigos. Acho que a poesia é parte do que somos e está presente o tempo todo, basta que a gente tenha coragem suficiente para descobrí-la.

Hoje, no dia da poesia, deixo um salve a todos meus amigos poetas. A todos que brincam com as letras e conseguem fazer de mim, por isso, uma pessoa melhor. OBRIGADA !!! 
Eu sou péssima para fazer poesias, então, não vou me arriscar. Vou deixar aqui uma frase que fiz, por acaso, certo dia e que acabou entrando no encarte do Inquérito:




“Renascer pode ser bom. Algumas vezes, perder significa mudar e mudar, pode ser sempre para melhor”.

PAZ
Jéssica Balbino
 

 

sexta-feira, 11 de março de 2011

VIDEOCLIPE UM BRINDE É EXIBIDO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO RS

Grupo Inquérito participa de debate em Porto Alegre e faz exibição do videoclipe com a presença do diretor Vras77

Quebrando fronteiras, o grupo Inquérito exibe, hoje, às 20h, o videoclipe Um Brinde na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
A ação faz parte da campanha que conta com mais de 170 pontos de exibição em todo Brasil e cinco no exterior.
A ideia é levar a mensagem ao máximo de pessoas. "Estamos levando o rap a espaços onde ele ainda entra timidamente, como a Assembleia Legislativa, Câmaras de Vereadores, etc. Queremos passar nossa mensagem e isso vale para todas as pessoas. O objetivo é falar para todas as esferas", pontua Renan Inquérito.
Mesmo com o fim do Carnaval, onde quase duas centenas de mortes foram registradas nas estradas federais, boa parte por conta da combinação álcool + volante, o grupo Inquérito segue com a campanha ao longo do ano e busca novos pontos de exibição pelo país.
Após a exibição acontece um debate, que desta vez conta com o direitor do videoclipe @Vras 77 e com o MC e compositor @RENAN_INQUERITO

Serviço: Para organizar uma exibição do clipe no seu município, coletivo, associação ou cineclube, escreva para assessoriahiphop@hotmail.com