Hip-Hop - A Cultura Marginal

Texto do livro de Jéssica Balbino é inserido em livro didático do Estado Rio Grande do Sul

TRAFICANDO CONHECIMENTO

Entrevista com a jornalista e escritora mineira Jéssica Balbino, militante do movimento hiP-hop, representante da nova literatura marginal brasileira

FEMININA EM FOCO

"Em meio a tantas armas que eles podem escolher no jogo real do “matar ou morrer”, o hip-hop escolhe a maior de todas as armas: a cultura. Uma cultura marginal, mas que não é propriedade dos grandes, não é da elite nem da burguesia. É a cultura de quem foi capaz de criá-la e levá-la adiante. É a cultura das ruas, do povo” (Jéssica Balbino)

PERIFERIA EM MOVIMENTO

Mineira multifacetada. Assim definimos Jessica Balbino, que é autora do livro “Traficando conhecimento”, jornalista e assessora de imprensa. Abaixo, uma entrevista que fizemos com ela.

Jéssica Balbino participa de livro coletivo de “Poetas do Sarau Suburbano”

Jéssica Balbino é jornalista e escritora, nasceu e vive em Poços de Caldas, mas permanece antenada com o que acontece pelas periferias do Brasil. O primeiro livro foi escrito com sua parceira Anita Motta,“Hip-Hop – A Cultura Marginal”. Ela também participou da coletânea “Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil”, organizado por Alessandro Buzo em 2007

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O MENELICK 2º ATO

post retirado do site do grupo INQUÉRITO








O texto abaixo foi publicado na revista O MENELICK e foi feito pela jornalista e assessora de imprensa do Inquérito, @jessicabalbino !
Como a revista é um tributo a cultura negra, o texto fala sobre a faixa Nego Negô, que versa, justamente, sobre essa cultura.
Vale a pena conferir.

Para acessar todo conteúdo da revista, clique aqui


Inquérito e a história dos negros

Por Jéssica Balbino
Foto Márcio Salata
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“Só que foi na África que o mundo começou. A cana, o café e o algodão, quem que plantô? E o ouro que vocês ostenta, quem que arrancô? Não foi bem do jeito que a história te ensinô. Zumbi que lutou, a princesa só assinô (...)”.
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Rima, trocadilho e poesia. É assim, contextualizando a história do mundo e dos negros, que o grupo Inquérito apresenta junto com a Mudança - nome que dá título ao terceiro disco - a faixa Nego Negô, cantada ao lado do rapper DBS.
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A canção brinca com o bordão “NegooooooOOoooo” do rapper de Carapicuíba e remete não apenas a imagem do “gordo é o chefe”, como costuma dizer DBS, como a tudo que foi negado, durante toda história, ao povo pobre e preto.
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O paralelo entre o rap, o verbo negar e os negros regem toda música e englobam o que a história privou os negros de saberem, conhecerem e até mesmo viverem. Saúde, cultura, informação. Esporte, emprego e educação. Estas são algumas das palavras que aparecem no refrão da canção, que mais do que um protesto, mostra que o estilo vem com conhecimento, militância e vontade de reescrever a história do país, tentando tirar do tráfico os moleques que tiveram os antepassados traficados num navio. Ousadia e elementos diferenciados contextualizam a Mudança proposta pelo novo disco do Inquérito.
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www.grupoinquerito.com.br

De que vale?

a eternidade?
um orgasmo dura poucos segundos. A vida dura poucos segundos. (Marcelo Rubens Paiva)

E essa frase torna a fazer um sentido absurdo.
Poucas vezes, na minha carreira, me senti frustrada, indefesa, triste e com vontade de chorar gritado. Hoje, foi um dia desses.
Contrariando todos os manuais de redação, todas as regras dos chefes, todos conselhos dos superiores e tudo que já me disseram sobre "jamais se emocione com a notícia", chorei por conta das vítimas da tragédia em Bandeira do Sul.
Ao todo, 15 pessoas morreram. Entre elas, duas tinham mais de 30 anos e boa parte, menos de 20 anos.
Por que, um ser humano morre, antes dos 20 anos?! O que ele teve oportunidade de fazer? E tudo que sonhou? Para onde vão os sonhos? Os desejos? As vontades? O amor? A vontade e a sede de viver?
Me deu uma tristeza muito grande pensar nisso. E imaginar a família destas vítimas. E ainda, imaginar como será o futuro da cidade, que tem cerca de seis mil habitantes. Fica marcado para sempre um fato triste como este.
E as famílias? Os amigos? Os parentes?
Todos estavam numa micareta, pré-carnaval, festa familiar, curtindo um som no trio-elétrico. Por que algumas coisas desse tipo tem que acontecer?
tudo isso só me fez pensar em como estou vievndo a minha vida. No que é importante, e concluir que, de fato, o melhor da vida é a simplicidade.
Não quero, nunca mais, poupar amor. Deixar de dizer que amo, que adoro, que quero estar perto, que me preocupo. Enfim, esgotar meu amor é fundamental para que, se eu ou você nos despedirmos hoje, para nunca mais, não fiquem coisas a serem ditas.
Portanto, em dia com o que eu gostaria de dizer.
Obrigada por me ler.

ASSESSORIA HIP-HOP




Assessoria de Imprensa é a ponte entre seu trabalho e o público

A assessoria de imprensa serve para, em conjunto com o artista/produto, desenvolver estratégias de divulgação da pessoa, marca ou produto junto à imprensa tradicional e alternativa, conseguindo o que é chamado de mídia espontânea, ou seja, quem o assessor está divulgando torna-se a própria notícia.

Por meio das ações abaixo descritas e mencionadas, consegue-se a publicação de material em diferentes locais.

A primeira etapa começa com o estudo do artista/produto, onde os pontos fortes e fracos são sinalizados. Com uma visão global e com a correção das vulnerabilidades, tem início o trabalho especializado na divulgação, sendo que os resultados são colhidos com o tempo e necessitam de continuidade e comunicação constante com o cliente.

Vale lembrar que a assessoria de imprensa se alimenta de novidades.

As etapas da assessoria de imprensa e os serviços que podem ser realizados:

- Padronização do release do artista/produto e de seus links (site, MySpace e outras redes sociais);

- Estudo e adequação de release oficial (português e inglês), fotos, logotipo e capa do álbum, arquivos nas versões em baixa e alta resolução, MP3, rider técnico, mapa de palco, discografia, supervisão de entrevistas e outros, a critério do artista/produto.

- Produção de releases sobre as atividades que o artista realizar

- Envio dos releases para mídias segmentadas

- Proposta/sugestão de Pauta

- Elaboração de matérias e entrevistas

- Follow – Up

- Suporte ao artista na ocasião de lançamentos ou divulgação de shows, eventos e datas, através de notas, mailing e agenda;

- Agendamento de entrevistas e eventos para divulgação do trabalho na mídia espontânea

- Pasta de Imprensa (Press Kit)

- Manutenção e divulgação nas redes sociais

- Divulgação via e-mail

- Alimentação de site/blog próprio

- Acompanhamento em eventos significativos, com cobertura (custos de deslocamento não inclusos)

- Clipping com todas as notas publicadas, entrevistas e os respectivos veículos que as publicaram (periodicidade: ao final de cada bimestre)

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Importância do Release

Se o artista/grupo/produto não dispõe de um release eficiente, feito por um profissional, e o apresenta com conteúdo disperso e informações irrelevantes, não desperta interesse.

Porém, se o release é feito ou organizado por um profissional qualificado, será mais eficiente, afinal, o assessor está acostumado a lidar com a imprensa e sabe, exatamente, o que chama atenção.

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Revisão de letras e encartes

Tão importante quanto a qualidade sonora é a qualidade do material impresso da banda. Qualquer erro gramatical pode comprometer a credibilidade do artista, por isso um olhar profissional na elaboração de um cartaz, anúncio, encarte é importantíssima. A criatividade e o comprometimento transmitem a qualidade do artista.

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Sites, blogs e redes sociais

Mais importante do que estar presente nas redes sociais e transmitir links sonoros, é passar credibilidade. Vemos muitos artistas com perfis em todas as redes, porém, sem um público consumidor real. Para atrair, não basta talento. È preciso ter padronização de imagens, linguagem e conceito. É preciso tratar disso com profissionalismo e um assessor é a pessoa ideal para fazer tais textos, tais atualizações, passando a credibilidade necessária, sem erros gramaticais e com a padronização indispensável para atrair o público.

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Fotografia/vídeo

Como tratamos da imagem da banda, é essencial que se tenha um material de qualidade quando falamos em fotografia.

É fundamental ter fotos bem feitas e com padrão para envio à imprensa, atualização do site e encartes, cartazes e banners.

O mesmo vale para videoclipes e materiais audiovisuais como teasers, making off e imagens de shows e eventos.

É imprescindível material profissional para divulgar o artista/produto. Quem não tem fotos com qualidade perde mercado. Não adianta talento, sons bem produzidos, danças bem elaboradas e fotografias e vídeos feitos por amadores.

Profissionalismo garante a conquista do espaço.

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Produção de releases

Tipos de releases

- Release biográfico = conta a história do artista de forma resumida, citando os principais pontos da carreira e destacando os eventos mais importantes da trajetória

- Release de lançamento = utilizado para quando um trabalho novo surge, como o lançamento de um disco, de um DVD, de um clipe, de uma peça, de um livro, etc. Bastante necessário para que o público possa conhecer o novo trabalho e também cativar mais pessoas que possam se identificar com o trabalho

- Releases de acompanhamento = utilizados quando a assessoria já é contratada e o artista necessita de acompanhamento das atividades como envio de releases quando participa de shows, de eventos, de palestras, de discussões. É o tipo de material que dá ao público a agenda do artista. Normalmente alimentado também com fotos, vídeos e materiais de audiovisual.

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Envio dos releases para mídias segmentadas

Jornais de circulação nacional = release exclusivo, focando o tipo de informação relevante a este tipo de mídia, com envio de fotos.

Rádios = release conciso, voltado para o público do rádio, com linguagem acessível.

TVs = Release prático, com sugestão de locais para entrevista, de entrevistados, contatos previamente agendados.

Revistas = release mais completo, com informações diferenciadas e fotos em alta resolução

Sites = informações ágeis, textos curtos e novidades a todo momento

Blogs = informações ágeis, textos curtos e novidades a todo momento

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Proposta/sugestão de Pauta

Válida para todos os veículos, enviar pautas que digam respeito a linha editorial de cada um, sugerindo linhas a serem abordadas nas matérias. Vale também envio de press-kit como acompanhamento.

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Follow – Up

Acompanhamento dos releases e materiais enviados. Contato com os jornalistas e responsáveis por cada editoria para saber se as matérias serão ou não veiculadas.

Agendamento de entrevistas e eventos para divulgação do trabalho na mídia espontânea

Vem na sequência do follow-up e serve como uma forma de mídia espontânea para o artista.

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Pasta de Imprensa (Press Kit)

Confecção de Press Kit para a imprensa. Pode conter pasta, bloco de anotações, canetas e naturalmente, um release completo e conciso sobre o artista, o trabalho e ainda um exemplar de algum novo trabalho, como DVD, CD, livro, etc. É interessante para ser entregue antes de eventos como coletivas de imprensa, ou shows, palestras e debates onde o jornalista estará presente. Caso haja recurso, é interessante enviar numa data qualquer, apenas para lembrar o jornalista de que o artista se preocupa com ele.

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Manutenção e divulgação nas redes sociais

Envio de mensagens pelo twitter, Orkut, facebook, myspace, etc. de materiais produzidos pelo artista, de novidades. É válido para atualizações rápidas e pequenas mensagens. Aproxima o artista do público, dos fãs e garante aumento de admiradores do trabalho. Canal direto com quem acompanha o trabalho.

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Divulgação via e-mail

Confecção de release curto e envio via e-mail para contatos com interesses em comum ao do artista. Utilizado para eventos, encontros, etc.

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Alimentação de site/blog próprio

Produção de materiais e textos para site e blog, com biografia do artista, lançamentos, fatos históricos relativos ao artista, notícias recentes, atualização periódica, disponibilização de fotos, vídeos, material oficial.

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Acompanhamento em eventos

O assessor acompanha o artista em eventos como entrevistas, palestras, debates e apresentações e encarrega-se de registrar tudo com fotos, entrevistas e ainda de dar atenção aos representantes de outros veículos que vão ao local para cobrir o encontro.

Após o evento, o assessor prepara o material e encaminha aos veículos de imprensa, tanto release como fotos e ainda entrevistas já decupadas, ou mesmo gravadas, para que sirvam de material complementar ao que os jornalistas irão produzir.

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Clipping Impresso e Eletrônico

Reunião de todo material relacionado ao artista já publicado e divulgado . Organização em pastas, com datas, veículos, etc. O mesmo vale para o material eletrônico. Serve como comprovação de atuação.

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CONTRATE

assessoriahiphop@hotmail.com
www.jessicabalbino.blogspot.com
+ 55 35 8807.5741
+ 55 35 9160.3755

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

LAMENTÁVEL

Ele canta hip-hop?*
por Jéssica Balbino

Hoje fui acordada pela minha mãe, antes das 8h e logo em seguida, ela me pediu que sintonizasse na Rede Globo para ver o modelo do vestido da apresentadora Ana Maria Braga. Ok. Não gosto de televisão, relutei, porém, resolvi ligar.
Vestido lindo. Branco, bem feito, veste bem. Porém, o que me chamou atenção foi o convidado do programa. Sentado à mesa, um rapaz branco, de olhos claros, usava um boné de lado, ao melhor estilo dos hip-hoppers brasileiros.
Parei para prestar atenção. Sotaque carregado. Camiseta escrita funk. Dúvida: será funkeiro, será rapper?
Primeiro erro. A apresentadora refere-se ao estilo de música feito por ele como hip-hop.

Pausa para palestrar: Hip-Hop é o nome da cultura que engloba vários elementos, entre eles, o rap, que é o estilo de música característico do movimento.

Voltemos. O fulano, Don Blanquito, que Ana Maria diz que ele é o primeiro gringo a cantar hip-hop em português chegou cheio da gíria e do gingado no programa, invadindo a tela de milhões de brasileiros que são "viciados em TV".
Pra começar, ninguém canta hip-hop. Seja no Brasil, seja no mundo. PELOAMORDEDEUS !
Em segundo lugar, o estilo de música dele pode ser qualquer coisa que queiram chamar, menos RAP ! (nova pausa para palestra: rap = ritmo e poesia).

"Remexe o bundão", ou algo parecio com isso (impossível de entender em razão do sotaque) é o refrão da música do jovem norte-americano.
Mais difícil do que aguentar a música de péssima qualidade logo na manhã de sexta-feira é aguentar os comentários da apresentadora e do seu bicho de estimação (fantoche).

"Vem descendo mostrando o bundão" é o que chamaram de música no programa, aplaudiram e ainda disseram: muito bom !
"As letras nascem de inspiração do dia-a-dia no Rio", é o que afirma Don Blanquito, quando questionado sobre ser o compositor das músicas.

Eu, então, questiono: bunda é inspiração do dia-a-dia? Ele acredita que isso é rap? que é funk? Fica a dica. Ele precida de inspiração para escrever "bundão" e rimar isso numa base dançante de algum Dj de funk.


Ok. Há três anos no Brasil, o bonito é especilizado em administração e turismo (para estrangeiros, é mole?) e no ar, fez um apelo para a Polícia Federal, pedindo para ficar no país após o vencimento do visto. Isso porque ele quer casar.
Aplausos do programa para o rapper, que se considera carioca da gema e se diz "apaixonado pelo Brasil".
Eu também estaria. Ele veio de Los Angeles para a terrinha "descoberta" por Cabral e encontrou o "filão" do mercado.
Ele VENDE pacotes turísticos para estrangeiros que vem ao Brasil, mas, foge do usual passeio no Pão-de-Açúcar ou no Corcovado e explora a favela, levando os gringos às casas dos moradores das comunidades, servindo refeições e reproduzindo o cenário do filme Cidade de Deus para quem vem ao Brasil nos tratar como bichos exóticos moradores dos morros.
Sim, ele ganha dinheiro vendendo a favela para gringos. É mole?
E de quebra, ainda faz sucesso cantando a música do bundão.
Ó que legal !!! Enquanto isso, os milhões de brasileiros continuam morrendo de fome nas favelas, inclusive os vizinhos do Blanquito.

O pseudo-rapper conta que antes de vir ao Brasil, cantava "hip-hop". Sim, ele diz que cantava hip-hop, nos Estados Unidos, em inglês, obviamente e também em espanhol, daí o vulgo Don Blanquito.
Ele dá uma aula também, sobre o estilo musical, dizendo que hoje canta em português, porém, no ritmo americano. "Aqui o rimo é bem distinto. O ritmo do Brasil é bem brasileiro, mais lento, tipo Racionais, meio revolucionário, contra o Governo e eu não sou contra o Governo, eu amo a minha vida, eu amo o Governo".
É claro, e ainda nesse interím, faz uma imitação da base da canção Nego Drama dos Racionais.
E é claro que ele ama o governo. Ele vem aqui, ganha dinheiro nas custas da nossa pobreza (financiada pelo Governo) e ainda faz sucesso com o que acreditam ser "música".

No entanto, o ápice do programa chegou, para mim, com a apresentação dele, cantando as coisas que estão no dia-a-dia dele. E pasmem, ele tem shows fechados por todo Brasil.

"Escolhe uma música para convencer o superintendente da Polícia Federal a te deixar no Brasil", pede Ana Maria Braga.

Então, empunhando o microfone, ele avisa que a musica é para as Olimpíadas e também um tributo à cidade do Rio de Janeiro.

"Rio de Janeiro a melhor cidade. Vem humilde, com malandragem. Cachaça, biquínis e sacanagem (...)"
E assim ele segue, mesclando rimas em português e em inglês !
No refrão: "Cachaça ! Mulatas (...)"

"Paga um gelo, vamo chapar"

Tive vontade de chorar GRITADO ! No auge da campanha que idealizei com o grupo Inquérito: Um Brinde, sou obrigada a ver, durante a Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo, uma apologia CLARA ao sexo, ao álcool e à depreciação feminina e ainda do Rio de Janeiro.
Fiquei extremamente chateada por perceber que de repente, estou andando em círculos e que todo trabalho parece ser mínimo quando vejo, em rede nacional, programas como esse, principalmente após ter feito contato com TODAS EMISSORAS, anunciando a campanha MUNDIAL, UM BRINDE ! Sim, chegamos em cinco países e nem assim afirmei que fomos os primeiros do hip-hop a conseguir isso. Eu não sei e isso também não é o mais importante.
Contudo, só sei que apesar de ver isso, após ter brigado tanto pela campanha e continuar lutando para mantê-la acontecendo, fazendo virar, fazendo o IMPOSSÍVEL para dar certo, fico desanimada com a nossa "indústria cultural" e com o que empurram, guela abaixo, do meu povo brasileiro. E de, como devem ter achado lindo o funkeiro norte-americano pensando que canta em português, chamando o que não é, nem de longe, música, de hip-hop e explorando a favela para fazer o próprio dinheiro.
Lamentável.

Só lamento muito que alguns parceiros não tenham aderido a campanha Um Brinde e tenham encontrado dificuldades em exibir o videoclipe, que é real, que é rap, que é hip-hop, que é rua e que passa uma mensagem, sem que, para isso, precise depreciar a figura feminina, expor bundas, ou falar palavrões.
Sigo na luta com o grupo Inquérito e a campanha Um Brinde. Feliz, de alguma maneira, por enxergar além do senso-comum.



Para assistir ao video do Don Blanquito no Mais Você, clique aqui

Para conhecer a campanha Um Brinde, clique aqui

*Por favor, o título é apenas um trocadilho, explicado no texto. Obrigada.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

PROTESTO

Artistas fazem enterro simbólico do prefeito


Representantes da Charanga dos Artistas percorrem ruas da cidade com o enterro simbólico do prefeito após o fim da atração no Carnaval


por Jéssica Balbino
especial para o JORNAL MANTIQUEIRA
fotos: Marcos Corrêa

“estamos desesperados e sedentos por respeito, cultura e dignidade”


Poços de Caldas, MG – Velas, roupas pretas, viúva que chora, lágrimas e cortejo. No topo do caixão apenas um coração com a frase “bom de”. Simbolicamente, o prefeito da cidade, Paulo César Silva, conhecido como Paulinho Couro Minas foi enterrado pelos artistas da Charanga.

Após uma decisão da comissão coordenadora dos festejos carnavalescos de 2011, que resolveu suspender a Charanga dos Artistas, que neste ano completaria 10 anos no Carnaval poços-caldense, por conta de divergências de valores entre a prefeitura e o grupo com mais de 80 artistas, os mesmos resolveram protestar, de forma pacífica e silenciosa, contra o fim das apresentações durante o Carnaval.





Acompanhados por equipes da Guarda Municipal e da Polícia Militar, os artistas reuniram-se em frente o Espaço Cultural da Urca, palco onde quase todos já se apresentaram e onde está sediada a Divisão Municipal de Cultura e saíram pelas ruas da cidade, percorrendo a frente da Secretaria Municipal de Turismo, a frente da Câmara Municipal, parando diante da porta do prédio da prefeitura.

Pelo caminho, exclamações de populares, turistas e moradores revelaram o apoio à encenação e sugestão de que a cena seja repetida durante o Carnaval, ao lado dos grupos contratados pela prefeitura não cansaram de ser proclamadas.

O ator Dema Mello, um dos encabeçadores da manifestação não esconde a tristeza em não poder sair às ruas da cidade pela décima vez no Carnaval, alegrando as tardes no Parque José Affonso Junqueira.







“Nos sentimos plagiados, pois sabemos qual é o nível da Charanga e já vimos quem serão os pseudo-artistas que vão nos apresentar. Queremos uma forma de mostrar que não corremos apenas atrás do dinheiro, corremos também atrás da cultura e da liberdade expressão. A administração está agindo de uma forma que parece que estamos desesperados por conta de dinheiro, mas não, estamos desesperados e sedentos por respeito, cultura e dignidade”, frisa o artista.





Com esta frase, ele refere-se a tentativa de reajuste feita pela prefeitura, que ofereceu 5% a mais do que o valor investido nos últimos anos, enquanto os artistas da Charanga pediram um aumento de cerca de 20%.

Na última segunda-feira (21), durante a apresentação da comissão do Carnaval e da programação, o secretário de Turismo, Marco Antônio Dias de Paia frisou que as novas atrações custarão R$ 45 mil, contra os R$ 75 mil que a Charanga pediu para se apresentar durante os quatro dias de Carnaval.

Se houvesse o reajuste, a Charanga passaria a receber R$ 75,9 mil, contra os 61,2 mil pagos no último ano pela administração, contudo, a comissão carnavalesca frisou que não dispunha de tal valor no orçamento do Carnaval 2011.







Para os artistas, a causa vai além da Charanga e a manifestação é feita em nome da cultura. “Nós, artistas, nesse momento, compomos 22 grupos de teatro, lutando por um trabalho bonito e digno e não tivemos o apoio da Divisão de Cultura para realizar a Charanga. Por isso, não esperamos nada dessa nova Fundação de Cultura. Queremos lutar por uma instituição que realmente entenda a cultura”, destaca Mello.

Contudo, nem só os artistas lamentam a extinção da Charanga dos Artistas no Carnaval poços-caldense. A apicultora Sandra Lúcia Costa Santos, 47 anos juntou-se ao grupo em manifestação, porém, confessa ser apenas parte do público e amante da intervenção artística. Desde a primeira Charanga ela acompanha o grupo e neste ano, recusa-se a sair de casa. “A melhor coisa do Carnaval era a Charanga pois sempre combinou com a cidade. Sem ela, não tem Carnaval”, revela.





A moradora da cidade conta também que tem parentes em cidades como Belo Horizonte e Guarujá que estes desistiram de visitar Poços durante o próximo Carnaval justamente porque não haverá mais Charanga na praça. “Eles sempre vem, trazem bastante gente, mas, desistiram de vir e virão apenas na semana santa”, acrescenta.


Com isso, e apesar da tristeza figurada, o artistas Clisthenis Betti, que durante todo trajeto carregou o caixão – que neste caso é de verdade e foi retirado do cenário de uma peça tradicional de Poços de Caldas – dispara: “Prefeito tenta enterrar Charanga e Charanga enterra prefeito”.





Ao som das palmas e do grito de “viva cultura”, o grupo deixou a porta da prefeitura da cidade e ainda percorreu as ruas centrais, entoando a oração do Credo, na versão dos artistas. “Creio no teatro como instrumento de consagração do ser (...)”, finalizaram.