Hip-Hop - A Cultura Marginal

Texto do livro de Jéssica Balbino é inserido em livro didático do Estado Rio Grande do Sul

TRAFICANDO CONHECIMENTO

Entrevista com a jornalista e escritora mineira Jéssica Balbino, militante do movimento hiP-hop, representante da nova literatura marginal brasileira

FEMININA EM FOCO

"Em meio a tantas armas que eles podem escolher no jogo real do “matar ou morrer”, o hip-hop escolhe a maior de todas as armas: a cultura. Uma cultura marginal, mas que não é propriedade dos grandes, não é da elite nem da burguesia. É a cultura de quem foi capaz de criá-la e levá-la adiante. É a cultura das ruas, do povo” (Jéssica Balbino)

PERIFERIA EM MOVIMENTO

Mineira multifacetada. Assim definimos Jessica Balbino, que é autora do livro “Traficando conhecimento”, jornalista e assessora de imprensa. Abaixo, uma entrevista que fizemos com ela.

Jéssica Balbino participa de livro coletivo de “Poetas do Sarau Suburbano”

Jéssica Balbino é jornalista e escritora, nasceu e vive em Poços de Caldas, mas permanece antenada com o que acontece pelas periferias do Brasil. O primeiro livro foi escrito com sua parceira Anita Motta,“Hip-Hop – A Cultura Marginal”. Ela também participou da coletânea “Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil”, organizado por Alessandro Buzo em 2007

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

RETROSPECTIVA 2010

Começo a escrever este post e faltam 16 minutos para o dia 31 de dezembro de 2010. Data que põe fim a primeira década do século XXI ! Já se passaram 10 anos desde a virada para o ano 2000, quando muitos mitos fizeram muita coisa. È inevitável não pensar no que aconteceu durante este ano. Não gosto desta data. Assim como odeio Natal. Acho desnecessário o #surto, embora me insira nele, porque parece que o MUNDO vai acabar e não apenas o ano. Enfim, as pessoas se sentem obrigadas a estarem felizes, a viajar, a comemorar, a estourar a champagne, a fazer planos, a vestir roupa branca, acessórios amarelos para ter dinheiro, vermelho para ter paixão e rosa para ter amor. Sou obrigada a fazer matérias ridículas sobre "onde passar o reveillon" e "o que abre e fecha". Foda-se. Por que as pessoas não saudam o novo ano como uma oportunidade de MUDAR e fazer coisas melhores? A maioria pensa em onde passar, como se embebedar o suficiente para ter história para contar, entre outras coisas, que são indignas de postagem. Não planejei nada e não sei, até agora, o que vou vestir, onde vou estar e tampouco o que vou fazer. Só sei de uma coisa: quando o relógio marcar 00h01, quero abraçar as pessoas que estiveram comigo em 2010 e que sei que estarão comigo em 2011. Que vão caminhar ao meu lado, mesmo que só por hoje. Amanha as coisas mudam, as pessoas se afastam e acontece algo semelhante como agora, quando todos meus amigos de três/quatro anos atrás combinaram uma festa e simplesmente me ignoraram, como se todas as promessas de "estamos juntos até o final" feitas num reveillon há alguns anos tivesse sido removida junto com as folhas do calentário. Aliás, ela foi. Enfim, não importa. O calendário fica para trás e eu, pretendo ir adiante. Vamos a retrospectiva de 2010 quando:



Num dos momentos mais mágicos e felizes do ano: lançamento do #TraficandoConhecimento e aniversário de 9 anos da Cooperifa

- Dei plantão no primeiro sábado do ano e cobri o primeiro homicídio, quando garotos lincharam outro em plena praça.
- Perdi minha tia de uma maneira muito triste, cruel e violenta
- Me indignei com algumas pessoas e tive um terrível acesso de raiva
- Trabalhei igual um burro de carga
- Escrevi um livro
- Chorei noites inteiras escondida
- Não comemorei o Carnaval
- Comprei uma briga feroz com vizinhos barulhentos que faziam festas todas as noites e não deixavam minha família dormir
- Arrumei um cachorro
- Engordei, emagreci
- Emagreci, engordei
- Terminei um livro
- Escrevi projetos
- Comprei revistas, jornais, livros
- Reformei meu blog
- Comecei a escrever ficção
- Parei
- Namorei
- Terminei
- Voltei
- Larguei
- Dei um tempo
- Vivi
- Fui enganada
- Me aproximei de amigos antigos
- Briguei
- Fiz a viagem dos meus sonhos
- Olhei a "natureza selvagem" e desejei ficar ali para sempre
- Passei mal a ponto de achar que morreria
- Li horóscopo sempre que lembrei
- Deixei de me importar com coisas do passado
- Coloquei na gaveta alguns planos, sonhos e sentimentos
- Busquei ação
- Apresentei eventos, dei palestras, aceitei convites
- Fui homenageada
- Ganhei um prêmio
- Chorei a morte da Dina Di
- Passei a escrever mais sobre hip-hop
- Conheci pessoas importantes
- Reencontrei amigos
- Usei mais vestido do que calça
- Paguei contas
- Me endividei novamente
- Fui ao cinema quantas vezes pude
- Não consegui ler todos os livros que me propus
- Conheci a Cooperifa
- Fui bastante vezes para São Paulo
- Peguei férias duas vezes por ano
- Viajei por toda região sul de Minas e Norte de São Paulo
- Não consegui comprar um carro
- Rompi relações que me fazem sofrer
- Romperam relações por mim e que me deixam triste
- Ouvi rap todos os dias
- Fui num show de rock e dancei e cantei todas as músicas
- Pintei a unha cada semana com um esmalte diferente e agora não tenho onde guardar todos que comprei
- Aliás, continuo com problemas de espaço no meu quarto
- Ganhei um vibrador
- Quero ganhar outros
- Fiz sexo
- Me recusei a me entregar
- Me arrependi de muita cagada que fiz
- Depois vi que foi melhor assim
- Me arrependi de não ter aproveitado algumas oportunidades
- Vi que pode sim, ter sido melhor, mas ainda me sinto covarde
- Respeitei meus desejos
- Fiz loucuras em baladas
- Bebi, mas não cheguei a vomitar por isso (gente, passei um ano sem me embrigar a ponto de morrer?! Estou velha)
- Senti saudades a ponto de chorar a noite toda e saber que NUNCA MAIS vou abraçar algumas pessoas porque elas já se foram
- Pensei no que fazer e perdi noites de sono
- Descobri que tenho insônia
- Que sou hipocondríaca
- Comecei a tomar remédios periodicamente
- Estou ficando careca
- Desenvolvi estilo com flores no cabelo
- Entrevistei várias pessoas que eu gostaria
- Me encontrei comigo mesma nos meus 10 anos de hip-hop
- Caguei no layout do blog e fiquei a noite inteira tentando mudar
- Conheci MUITA GENTE que eu só conhecia pela internet
- Reecontrei muitos amigos
- Palestrei com o Ferréz e o Sérgio Vaz
- Fiz meus lançamentos e fui feliz
- Entrei no mar
- Segurei um cavalo marinho na mão
- Chorei ao ver um pôr-do-sol
- Tive muita raiva
- Desejei mal para algumas pessoas
- Fui poucas vezes na igreja
- Escrevi poucas poesias
- Arrumei novos e muitos mais empregos e freelas
- Financeiramente o ano foi melhor
- Ganhei o Prêmio Preto Ghóez
- Fiz muitas entregas de livros e isso me deixou muito feliz
- Parei de ver novela
- Fiz várias ligações interurbanas
- Continuo gastante metade do salário com telefone, embora não goste muito de falar por este meio
- Não imagino quantos zilhões de palavras escrevi e/ou digitei
- Tomei chuva
- Voltei a lugares que havia prometido
- Fui a lugares que sempre quis
- Admiti fantasias sexuais
- Me sinto mais tolerante
- Reconheci o valor de amizades
- De mãos estendidas quando realmente precisamos
- De um ombro para chorar quando tudo está horrível
- De alguém pra rir quando tudo é maravilhoso e se está absurdamente feliz
- Andei mais de ônibus do que em qualquer outro ano da minha vida (vai entender...kkkkkk)
- Ganhei muitas roupas
- Deixei muito do materialismo de lado
- Fiquei loira, ruiva, morena e não deixei de fazer mechas californianas no cabelo (vermelhas, claro
- Assisti muitos filmes e percebi que preciso passar a anotar os que assisto, como faço com os livros que leio
- Frequentei muitos lançamentos
- Lembrei que sou uma boa vendedora
- Assessorei muita gente
- Trabalhei de graça muitas vezes
- Ganhei muita grana por isso também
- Ainda quero comprar um fusca
- Voltei na Dilma nos dois turnos
- Cobri as eleições em três veículos diferentes num único dia
- Declarei todo meu amor ao meu trabalho
- Todo meu AMOR AO HIP-HOP
- Confessei sonhos
- Coloquei "na roda" coisas que eu jamais falei e me senti bem por confessar bobeiras infantis
- Me sinto melhor, por ter sobrevivido a tudo isso, por ter encontrado, pelo caminho, pessoas incríveis, amigas, verdadeiras, falsas, etc. Fui triste e fui feliz. Fui COMPLETA ! E, apesar de odiar tudo isso, a esperança me move e espero que em 2011, nos encontremos novamente por aqui, ou por ai, mas, espero que a gente se veja e de alguma maneira, nos façamos, mutuamente, FELIZES !

FELIZ TODO DIA !!!

(paz, amor, justiça e liberdade)
Jéssica Balbino
00h07

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?!

Essa é uma pergunta que faço, diariamente, para quem encontro e sinceramente, acho um TESÃO discutir literatura.
Sim, me excita completamente um debate sobre um livro lido, um livro que se quer ler, um comentário, uma crítica, uma resenha, enfim, ler, para mim, é tão importante quanto comer, tomar banho, trabalhar, namorar, etc.
È complemento do cotidiano e dificilmente eu estou
"lendo nada". Há sempre algo a ser lido, pesquisado. E SOU COMPULSIVA. Leio frasco de xampu, bula de remédio, lista telefônica, sites, blogs, jornais, revistas e atualmente, o twitter.
No ônibus (sim, uso transporte coletivo), faço até birra por conta de um lugar pra sentar e desfrutar meus livros. No entanto, neste ano, pela segunda vez consecutiva, estou decepcionada comigo mesma. Não consegui cumprir minha meta, que seria ler 50 livros. Cheguei nos 40 livros. Tá, sei que é bem mais que a média, etc, etc, etc, mas, não to pra bater recorde, pra disputar quem lê mais, enfim, só me estipulo algo que penso ser possível fazer. Se eu faço uma matéria por dia, no mínimo, por que não ler 50 livros no ano?! O que impede?
DEDICAÇÃO.
Tenho um vício que se chama INTERNET ! Fico com o notebook
ALL TIME plugado na internet e fazendo zilhões de coisas. Entre elas, ler. Mas, e os livros? A pilha dos "a serem lidos" só cresce. Estive três vezes na livraria do @Alessandrobuzo este ano e das três vezes, sai ARRASTANDO uma sacola imensa de livros adquiridos. E num cheguei nem na metade de todos que quero comprar e ler. Com que dinheiro? Não passo um mês sem comprar livros. Fora os que eu ganho de presente. Os que o @criadasruas me trafica mensalmente e os que chegam até mim pelo Projeto Leia e eu pego para ler antes de fazer circular nas ruas.
Pro próximo ano tenho uma pilha de mais de 30 livros (que contei antes dos três que comprei nestas ultimas duas semanas). Aliás, hoje comprei um li
vro. Precisei fazer hora enquanto arrumavam meu notebook (claro, senão estaria conectada) e fui numa revistaria (depois de dessosar uma livraria e ser expulsa pelo olhar da vendedora, tipo: NÃO VAI COMPRAR NADA, VAZA). Fiz minha melhor cara de maloqueira da zona sul, hip-hopper, invocada, folheei todos livros que queria e claro, não comprei de pirraça ! Queria ter levado um monte, mas, gosto de me sentir a vontade (como na Livraria Suburbano Convicto) e por isso vazei, rumo a revistaria, onde achei um livro bem interessante por R$ 9,90. Queria ter comprado outros, mas, o bom senso impediu que eu gastasse TODO SALÁRIO lá.



Voltando as listas. Preciso atualizar todas. Fiz a de 2009 e de 2010, que inclusive mandei pro Buzo com alguams falhas. Agora, tá completa. Ainda estou lendo o "Cheio de Charme" (me dei o luxo de comprar um livro carésimo e de MULHERZINHA. Só assim sobrevivo ao final do ano. Se eu ler algo muito forte agora, vou ENLOUQUECER. A época das festas me deixa absurdametne down e preciso de um romance água com açúcar para sobreviver a esta energia ruim de fim de ano. Estou amando, mas, possivelmente, só encerrarei as quase 800 páginas no próximo ano) e em 2011 parto apra a lista novamente. Tem de tudo. E AMO. Quer me dar um presente? Além do freestyle (piada interna) pode me dar livros. Vou ficar tão feliz e animada quanto. E vou ler. Sim, porque não desprezo nenhuma leitura. Leio de tudo que cai nas minhas mãos. E sigamos par 2011. A meta continua a mesma: 50 livros ao longo dos 12 meses. E DETERMINADA a cumprir.


Livros lidos em 2010

1) Garoto encontra garota (Meg Cabot)

2) Manual Prático do Ódio (Ferréz)

3) Mulheres Alteradas (Maitena)

4) Tem Alguém Aí? (Marian Keyes)

5) Quarto de Despejo (Carolina Maria de Jesus)

6) Capão pecado (Ferréz)

7) A vida na porta da geladeira (Alice Kuipers)

8) Angu de Sangue (Marcelino Freire)

9) O Livreiro de Cabul (Asne Seierstad)

10) O Carrinho de Rolimã (Fantimanumilde)

11) As pessoas dos livros (Fernanda Young)

12) A arte de entrevistar bem (Thaís Oyama)

13) Cidade de Deus (Luiz Roberto Nascimento Silva)

14) A revolução dos bichos (George Orwell)

15) Histórias tecidas em seda (Lúcia Hiratsuka)

16) O Colecionador de Pedras (Sérgio Vaz)

17) Casadas com o crime (Josmar Jozino)

18) Black Music (Arthur Dapieve)

19) A falência das elites (Adelaide Carraro)

20) Contos de Bordel – a prostituição feminina na Boca do Lixo de São Paulo (Renata Bortoleto, Ana Laura Diniz e Michele Izawa)

21) Lembrancinha do Adeus – Historia (s) de um bandido (Julio Ludemir)

22) Cronista de um tempo ruim (Ferréz)

23) O Símbolo Perdido (Dan Brown)

24) Sangue Azul – Morte e Corrupção na PM do Rio (Leonardo Gudel)

25) Meninas de Esquina (Eliane Trindade)

26) Nunca subestime uma mulherzinha (Fernanda Takai)

27) De gênio e louco todo mundo tem um pouco (Augusto Cury)

28) Nudez Mortal (Nora Roberts)

29) Twitter (Fabrício Carpinejar)

30) Hip-Hop a Lápis – Literatura do Oprimido (Toni C)

31) Hip-Hop Mulher (Tiely Queen)

32) Favela Toma Conta (Alessandro Buzo)

33) Por que os homens gostam das mulheres poderosas

34) Atração Sexual

35) Hip-Hop a Lápis II

36) Guia Afetivo da Periferia (Marcus Vinícius Faustini)

37) Sociedade do Código de Barras (Preto Ghóez)

38) Buzo 10 (Alessandro Buzo)

39) Estação Terminal (Sacolinha)

40) Cheio de Charme (Marian Keyes)


e segue a lista de 2009


Livros lidos em 2009

1) - Os sete minutos (Irwin Wallace)

2) - Um Bestseller para chamar de meu (Marian Keyes)

3) - A segunda vez que te conheci (Marcelo Rubens Paiva)

4) - Cem escovadas antes de ir para cama

5) - Comer, rezar, amar (Liz Gilbert)

6) - Feliz sem marido

7) - Sete de paus (Mário Prata)

8) – Akashi (André Puntel)

9) - Bar Bodega, um crime de imprensa

10) - O Guardião de Memórias

11) - Muito longe de casa, memórias de um menino soldado

12) - Capitães da Areia (Jorge Amado)

13) - Gomorra (Roberto Saviano)

14) - As boas mulheres da china (Xinran)

15) - Entrevista com Deus – O dossiê Iscariotes (Marcos Losekann)

16) - Por que os homens se casam com as mulheres manipuladoras

17) - Millenium 1 – os homens que não amavam as mulheres (Stieg Larsson)

18) - Millenium 2 – a menina que brincava com fogo (Stieg Larsson)

19) - Filha, mãe, avó e puta

20) - O ponto de partida (Fernando Molica)

21) - Onde está Tereza? (Zíbia Gasparetto)

22) - Pixote – A infância dos mortos (Oswaldo Louzeiro)

23) - Esperando os cabeças amarelas

24) - Dewey – um gato entre livros

25) - Rosário Tijeras (Jorge Franco)

26) - Notícias da Favela (Cristiane Ramalho)

27) - De passagem mas não a passeio (Dinha)

28) - O Cortiço (Aluísio Azevedo)

29) - Um segredo no céu da boca – Pra nossa mulecada (Edições Toró)

30) - Podridão (Adelaide Carraro)

31) - Soldados do papel – Um romance verdade sobre o mundo das drogas no Rio de Janeiro

32) - Guia de caça e pesca para mulheres (Melissa Bank)

33) - Pelos acostamentos da vida e os andarilhos do Brasil (Tânia Mara)

34) – Hell – Lolita Pille

35) – Contos para ler ouvindo música

36) - Michelangelo, o tatuador

37) – Cooperifa (Sérgio Vaz)

38) – O olho da rua (Eliane Brum)

39) – Crepúsculo (Stephanie Meyer)

40) – Millenium 3 – a rainha do castelo de ar (Stieg Larsson)

41) – O menino do pijama listrado (John Boyne)

42) – Noite Adentro (Robson Canto)

43) – Ao som do mar e a luz do céu profundo (Nelson Motta)

44) - Cabeça a prêmio (Marçal Aquino)

45) - No olho da rua (Marcelo Antônio da Cunha)

46) - A casa dos Budas Ditosos (João Ubaldo Ribeiro)

Houve uma redução de seis livros de um ano para o outro. Isso representa, infelizmente, uma queda. Não medindo conteúdo nem nada disso, mas, seria importante ter crescido.
Sei que os comproissos esse ano foram mais e tenho trabalhado igual um burro de carga, porém, nada é desculpa. Em 2011, manterei a pergunta; O QUE VOCÊ ESTÁ LENDO?!
Ah, vale lembrar ainda que entre 2009 e 2010 escrevi um livro, além de ter atuado como jornalsita e assessora de imprensa, o que envolve a produção acirrada e ferox de textos.

minhas resenhas podem ser lidas, semanalmente, no blog LITEARTURA PERIFÉRICA


PAZ
FELIZ TODO DIA
(LITERARIAMENTE)

JÉSSICA BALBINO

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

AÇÃO DE NATAL

Escritoras e rapper distribuem livros na periferia


Mais de 200 livros foram distribuídos em Poços de Caldas por meio das escritoras Jéssica Balbino e Raquel de Souza e do rapper Leopac


"A vida ganha outro sabor quando se faz alguém feliz" (Gabriel Chalita)



Entrega no bairro Santa Rita

Solidariedade. Gentileza. O Natal como deve ser. Assim foi a ação realizada durante a tarde de ontem em dois bairros da periferia de Poços de Caldas.
Crianças, jovens e adultos receberam das escritoras Jéssica Balbino e Raquel de Souza e do músico e militante Leopac, exemplares de livros através do Projeto Leia (Leitura Amplificada).
Da necessidade de fazer a cultura circular nas regiões mais carentes, nasceu o projeto, que arrecada, junto a editoras, amigos e conhecidos exemplares de livros novos ou usados em bom estado e distribui nas periferias da cidade.




Distribuição dos livros no bairro Santa Rita


"Esse é o verdadeiro tráfico de conhecimento. È buscar, em outros locais, cidades e até mesmo estados, livros para doar e fazer o saber circular. A ideia é que as pessoas recebam os livros, leiam e passem-os adiante", diz a escritora Jéssica Balbino, autora do livro homonimo, Traficando Conhecimento, que cita, inclusive, o projeto.




Moradores em volta do carro para pegar os livros

Somente durante a véspera de Natal mais de 200 livros foram entregues, entre infantis, romances, livros-reportagens, literatura marginal, poéticos e de contos. Entre eles, o título "Livremente Mara" a escritora Raquel de Souza ganhou novos leitores. Autora do projeto Livro Presente, que percorreu três escolas da cidade e distribuiu o romance para alunos de supletivos, ela quis integrar o projeto Leia e além de doar exemplares do livro, doou pacotes de pipoca e de salgadinho, que foram entregues às crianças.




Jéssica Balbino e moradora do bairro Santo André


"Quis somar à iniciativa porque acho importante incentivar a leitura. As pessoas gostam de receber livros. Desmistifica a ideia de que brasileiro não gosta de ler", afirma Raquel de Souza.




Crianças após o recebimento dos livros (um deles é o Pelas Periferias do Brasil)

A colocação dela vai ao encontro da cena vivida. Uma dezena de crianças se aglomera ao redor do porta-malas do carro e escolhe os livros, observando a textura da capa, as cores expostas e qual história ele reserva.




Crianças empinando pipa na periferia

Numa mão o livro, na outra o saquinho de pipoca e de salgadinho. Correm para avisar outras crianças, voltam e pedem livros para os irmãos, primos e vizinhos que não puderam ir pegar.
Adultos também vem para buscar. Escolhem os livros. Perguntam por alguns títulos que desejam ler. Saem felizes. É Natal.



Escritora Raquel de Souza distribui livros e pipoca

Para Leopac, que integra também o Coletivo Hip-Hop Uai e propaga iniciativas de saraus e de incentivo à arte no sul de Minas, o projeto é um bem maior. "Isso pelo simples fato de atacar os olhos das pessoas carentes, principalmente das crianças. O livro é rico em informação e formação de idéias, independente de qualquer idade. Entregar os livros foi como lavar a alma", afirma.




Jéssica Balbino durante a distribuição com as crianças



Assim, o projeto comemora mais uma edição, desta vez especial de Natal os integrantes preparam-se para uma nova entrega, que deve acontecer nas próximas semanas, uma vez que ainda há muitos livros para serem entregues.



Crianças escolhem os livros

Editoras como a Bertrand Brasil, Cortez, Bertrand Brasil e Objetiva apoiam o projeto com doação de livros, bem como o Jornal Mantiqueira, em Poços de Caldas, com a doação de palavras cruzadas e o escritor e agitador cultural Alessandro Buzo, que doou livros e exemplares que ele mesmo escreveu ao longo dos 10 anos de carreira. As jornalistas Julianne Batista, Delma Maiochi e Lúcia Ribeiro também contribuíram com doações volumosas de livros.



Rapper Leopac com moradores do Santo André

Para finalizar a ação, que marca as festas de fim de ano dos idealizadores, o melhor agradecimento: o abraço de quem ganhou os livros, o aperto de mão dos mais tímidos e as palavras: obrigada e Deus Abençoe, vindas de crianças, jovens e idosos, que com os livros na mão, acenaram o Feliz Natal.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

"Deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar (...)"

No auge da minha TPM que já dura dias e nada da menstruação... no auge de problemas familiares, que sim, são os piores e mais difíceis de resolver e diante de situações que parecem não ter solução e que só o tempo - que para geminianos como eu, custa a passar nesses casos - me sinto confusa, sozinha, carente e com todos defeitos do mundo. Ah, e reluto para admitir isso. Sem falar que me sinto absurdamente cansada e sem vontade de nada, ao mesmo tempo que quero tudo.
Mas, em meio a todo esse caos interno - e externo, porque época de NATAL deveria ser proibido para quem não gosta - há algo que me faz sorrir, me emocionar e que é bem mais forte do que qualquer uma dessas negatividades.
Seis letras que tem o poder de me fazer o que sou.

HIP-HOP


Sim. É com muito AMOR que escrevo isso.
Acabei de chegar do evento de finalização do ano do grupo de dança CONCEPÇÃO URBANA. Recebi uma homenagem dos garotos, feita pelo diretor do grupo, Mário Damião, acompanhado dos coreógrafos, Nando Gonçalves e Rafael Maximiano (Maguila), ao lado dos meninos da Original Crew, do UClanos e do meu grande amigo e parceiro Leopac.
Me emocionei verdadeiramente ao acomapanhar cada exibição de dança, cada vídeo e cada conquista que os garotos alcançaram neste ano de 2010.
Me lembro de quando o ano começou e ainda em janeiro tomamos o CALOTE do ano de um cara que veio de fora e quis passar todos nós para trás utilizando o HIP-HOP ! Naquela ocasião, prometemos que NUNCA MAIS deixaríamos pessoas de fora se apropriarem da nossa cultura, que é construída a cada dia, por nós mesmos, com muita luta e que só quem é, verdadeiramente, do hip-hop, sabe do que eu digo quando escrevo isso.
Meses depois, nascia o COLETIVO HIP-HOP UAI e foi com ele que fizemos a 1ª BATALHA DE RIMAS de Poços de Caldas e mais uma porção de eventos e encontros que renderam bastante, além de terem nos fortalecido enquanto pessoas, enquanto movimento, enquanto cultura.
Fiquei extremamente feliz hoje de observar o progresso de todos, de ver como cada um está crescendo dentro do seu elemento e de ver que juntos, estamos sonhando a mesma coisa: HIP-HOP !
Foi interessante ver o hip-hop acontecer e várias autoridades, como o Álvaro Cagnani, vereador, que sempre nos apoia, a sua maneira, saudar os presentes dizendo "E aí, galera?!" e ver o prefeito reconhecendo o hip-hop enquanto cultura que leva o nome de Poços de Caldas adiante e ainda um representante de uma das maiores autarquias da cidade, patrocinando o grupo por meio da Lei Estadual de Incentivo a Cultura, entre outras pessoas, como o Carlão da Capoeira, grande apoiador da cultura hip-hop desde a década de 1980.
Mas o gostoso foi sentir a vibração, o jeito de cada pessoa, a maneira como todos curtiram cada apresentação e como a cultura das ruas é capaz de mudar vidas.
O mais gostoso foi sorrir, mesmo depois de um dia absurdamente TENSO e saber que isso foi sincero e que o hip-hop, sim, foi a cura, o alimento, o bálsamo, enfim, o que animou minha alma !

EU AMO E VIVO HIP-HOP

E de verdade, aceito que não gostem, mas, por favor, RESPEITEM !
Isso é a minha vida. Eu sou assim e se eu mudar, talvez não esteja sendo feliz e nem com tanto brilho nos olhos.

No mais, obrigada ao pessoal do Concepção Urbana pela homenagem !



Alunos do Concepção Urbana




Leopac



Leopac, Pâmela, Jéssica Balbino


Palestra, palestra, palestra





MUITO AMOR
Jéssica Balbino

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

“Na verdade continuo, sob a mesma condição (...) Distraindo a verdade e enganando o coração”

E 2010 chega ao fim.

Odeio época de Natal !

Não acredito no Ano Novo.

Penso que no ano que vem tudo será diferente

E isso não passa de mais uma promessa

Que se repete a cada última hora do dia 31 de dezembro

Não acredito em velhinhos barbados

Em roupas vermelhas

E nem em sacos cheios de presentes

Duvido muito que no ano novo, alguma coisa mude

Quando o relógio marcar 01h01 de 2011, continuarei sendo a mesma Jéssica Balbino

Não vou emagrecer, e tampouco prometer isso

Me recuso a planejar casamento

Não vou tentar arrumar outro emprego (obrigada, eu AMO o meu)

E nem vou mudar com as pessoas

Não vou pedir perdão, porque gosto de fazer isso na hora e não quando as folhas do calendário caem

Não vou prometer fazer mili e um projetos só porque é Ano Novo. Eu faço isso desde anos muito velhos

É fato que devo ampliar as ações, mas não porque é 2011 e sim porque faz parte do processo de evolução

Sim, devo ler mais livros, mas isso também faz parte do processo

Não vou prometer visitas

E tampouco que vou organizar minha bagunça

Não acho que a mudança do calendário seja grande o suficiente para me fazer mudar radicalmente

Mas, uma coisa é fato: não vou prometer o que não posso cumprir ! E sim, espero enganar menos o coração !

O texto acima eu escrevi depois de ler um feito pelo Crônica Mendes no qual ele fala sobre as promessas para o Ano Novo

Na verdade, as tais listas (sim, eu sempre fiz) só são úteis quando no final do ano eu consigo lembrar onde guardei, ou se ainda mantenho guardada e posso fazer uma comparação e eliminar o que, de fato, eu fiz e mudei, como promessa de um ano melhor.

Não acredito mais no poder da renovação dos votos quando um novo ano se inicia.

O fato é que, continuo, como na música do Pato Fu “distraindo a verdade e enganando o coração”

E hoje, pode ser a TPM, pode ser o cansaço, pode ser tanta coisa, mas o fato é que me sinto triste.

Trocaria as férias, o 13º e o PIS para NÃO TER NATAL E ANO NOVO durante o ano. Sim, abriria mão dos benefícios trabalhistas e trabalharia, o mês todo, inclusive aos domingos, para não ver a neurose da data tomar conta do mundo.

Não acho que seja um momento e não consigo ficar feliz diante de tanta injustiça no mundo.

“Na verdade continuo, sob a mesma condição, distraindo a verdade e enganando co coração”

E espero que em 2011 eu possa, nessa data, escrever uma canção diferente. Não é uma promessa, mas um desejo. E este não engana o coração !


MUITO AMOR
Jéssica Balbino

CONCEPÇÃO URBANA

O que faz valer a pena ter trabalhado MUITO durante 2010 e ralado durante dias e noites, muitas vezes sem dormir, sem comer e sacrificando váááárias coisas pelo hip-hop, mas enfim, o reconhecimento vale a pena. Na verdade, os meninos do CUB é que mereciam uma homenagem minha pelo que fazem por Poços e pela cultura.



Grupo de dança encerra atividades com evento beneficente

Além de apresentações de dança e música, o grupo oferece homenagens a pessoas que fortalecem a cultura hip-hop em Poços

Poços de Caldas, MG – Para encerrar as atividades deste ano e praticar a solidariedade junto ao projeto Mesa Brasil, que arrecada alimentos, o grupo de dança Concepção Urbana (Cub) realiza hoje (21) uma apresentação do projeto Hip-Hop em Foco hoje no Sesc /MG.

A partir das 20h, os alunos que recebem aulas de dança de rua vão se apresentar seguidos pelas apresentações do grupo que dança no Complexo Santa Cruz semanalmente. Todos são orientados pela equipe do Cub, que também se apresenta com a coreografia Gaia, que rendeu ao grupo dois importantes títulos no mundo da dança neste ano.

Dirigido por Mário Damião, o grupo venceu a batalha de dança do Mercosul em Porto Iguazu, na Argentina e garantiu a vaga para, no próximo ano, se apresentar no México.

O Cub alcançou também o primeiro lugar na Battle of The Year (Boty) Brazil em Campinas e o terceiro lugar no Meeting Indaiatuba, além de ter participado de festivais como o de Joinville e o Internacional de Curitiba, dividindo palco com grupos de todo mundo.

Desta maneira, o evento serve também como comemoração pelo que foi conquistado e presta também uma homenagem a alguns poços-caldenses que contribuem para o fortalecimento da cultura hip-hop na cidade.

Entre os homenageados estão o grupo de rap Uclanos, que tem mais de 15 anos de estrada na música e são uma referência no sul de Minas Gerais quando o assunto é hip-hop. O articulador cultural Carlão da Capoeira também será um dos homenageados. A jornalista e escritora Jéssica Balbino, autora de três livros sobre cultura hip-hop e periférica e articuladora de eventos vultados para a cultura.

No setor legislativo do município, o vereador Álvaro Cagnani recebe homenagem do grupo também. Já no administrativo, o prefeito Paulo César Silva e o secretário de Esportes, Carlos Alberto dos Santos, o Lelo, são homenageados.

Serviço – O evento acontece hoje no Sesc, localizado a rua Paraná, 229, centro. A partir das 20h. É aberto a toda comunidade e a entrada é 1kg de alimento não perecível que será doado ao evento Mesa Brasil.



Maguila (coreógrafo do Cub) , Jéssica Balbino e Mário Damião (diretor do Cub)


vereador Álvaro Cagnani durante o lançamento do livro Traficando Conhecimento

Grupo Concepção Urbana durante ensaio

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A vida ensina e o tempo traz o tom

"Renascer pode ser bom.

Algumas vezes, perder significa mudar e mudar pode ser sempre para melhor".

(Jéssica Balbino)

Solidariedade: UClanos realiza evento beneficente de Natal


Último evento de hip-hop do ano acontece domingo

Grupo Uclanos organiza apresentação beneficente com mais de 10 grupos da cidade e os alimentos arrecadados vão para o projeto Mesa Brasil

por Jéssica Balbino

Em prol da consciência, da soliedariedade e de um Natal com mais alimentos, o grupo de rap poços-caldense UClanos realiza, no próximo domingo, um evento solidário de arrecadação de alimentos para o projeto Mesa Brasil, coordenado pelo Sesc MG.

Atrações musicais como o destaque do rap sul-mineiro, Leopac, acompanhado pela performance do Dj Mancha, se apresentam no evento, ao lado de M.A.F.I.A, Lil´zoio, Manos do Morro, Trindad, Talitah MC, Conexão Leste, Mente Letal, Rapper Job, Conexão Leste, Settmus e Elementos.



Leopac: a revelação do hip-hop sul-mineiro é uma das atrações do evento


A parte da dança fica por conta do grupo Concepção Urbana (CUB), que neste ano já foi premiado em eventos como a Battle of the Year Brazil (Boty Brazil) e na batalha internacional realizada em Porto Iguazú, na Argentina.



Trindad se apresenta durante do Hip-Hop In Prol e traz o rap gospel aos palcos de Poços

No emaranhado e expressões da cultura hip-hop vem ainda o conhecimento, que neste evento traz palestra da jornalista e escritora Jéssica Balbino, que neste ano lançou o livro "Traficando Conhecimento", onde apresenta um estudo sobre a comunicação nas periferias e também recebeu, nesta semana, o prêmio HIP-HOP Preto Ghóez em primeiro lugar no país na categoria conhecimento com o livro-reportagem "Hip-Hop - A Cultura Marginal", escrito em parceria com a jornalista já falecida Anita Motta.


Grupo UClanos e Dj Mancha comandam o evento com shows e performances

Para um dos organizadores, Bebeto Moraes, conhecido como MB2, do grupo UClanos, esta é a oportunidade de reunir os adeptos do movimento hip-hop da cidade da região e celebrar, na última festa do ano dedicada ao hip-hop, a solidariedade. "È um momento para ter consciência, de trabalhar em prol das pessoas mais necesstadas e de reunir as manifestações artísticas da cultura num único evento. É aberto a toda população e o ingresso é apenas 1kg de alimento que vai beneficiar muitas outras pessoas", destaca.





Serviço – O evento acontece no próximo domingo, dia 19/12, a partir das 15h, na Praça do Museu, centro. A entrada é 1kg de alimento não perecível. Outras informações podem ser obtidas através do telefone (35) 8807-5741.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

SOLIDARIEDADE

Rapper italiano se apresenta amanhã em Poços de Caldas


A convite do boxeador Fumaça, Jhonsombra faz o primeiro show do Brasil em Poços

de Caldas







Poços de Caldas, MG – Letras que falam de amor, rolês e diversão. Assim é o rap

feito pelo italiano Jhony Pereira Baltazar, conhecido como Jhonsombra, que está

distante da carência monetária brasileira que rege os raps feitos no país, mas que

conseguiu espaço no evento Boxe Solidário, organizado pelo lutador Fernando

Fumaça e que acontece na noite de amanhã em Poços de Caldas.

Este é o primeiro show em terras brasileiras, do MC que vive na região de Garden, em

Milano na Itália.

Numa viagem de Florianópolis para Poços de Caldas, ele conta que tem o pai italiano

e a mãe brasileira, sendo que esta é a terceira vez que ele vem ao Brasil e a primeira

que sobe no palco e canta um pouco das rimas italianas, que são um dos estilos mais

comuns de música no país da pizza e costuma lotar o Coliseu ou em estádios de futebol.

Por simpatizar com o Fumaça que já duelou no ringue com um amigo de Jhony, o

rapper decidiu por apoiar a ação de Natal, que arrecada brinquedos e alimentos com

objetivo beneficente. “Estou muito contente por conhecer uma parte do Brasil, um

local montanhoso e estou sendo bem recebido em Poços de Caldas, que é uma bela

cidade”, pontua o rapper.

Em entrevista, ele destaca as diferenças entre as músicas feitas na Itália e no Brasil e

acredita que pelo país europeu ter maior poder econômico e aquisitivo, com poucas

favelas, o que não acontece no Brasil, onde o rap predomina em guetos e periferias e

faz versos que representam a indignação dos seus protagonistas.

“Existe essa diferença, mas o rap do Brasil é belo e bom de se escutar e na Itália ele é

bem diverso, mas fala também da política e da vida, como ela é dura, além de mãe, de

pai, enfim, de tudo”, frisa.

Questionado sobre a cultura geral do hip-hop na Itália, Jhonsombra explica que apesar

de existir representatividade nos elementos como graffiti, Dj e breaking, o mais forte

continua sendo o rap. “Tem um pouco de tudo, mas a música é muito forte por lá e faz

a diferença. A música é uma coisa muito bela. Quando se fala em evento, lembra-se

de música”, conta.

Aos 24 anos ele vive exclusivamente da música, apesar de ainda não ter conseguido

gravar nenhum CD, uma vez que de acordo com ele, o custo para fazer isso na Itália é

bastante elevado, porém, o fato de não ter um material físico não atrapalha no

fechamento de shows.

“Apesar das dificuldades, temos que fazer o que gostamos. Eu sempre digo isso na

vida. Quanto minha passagem em Poços, posso dizer que é uma honra participar de

um evento belíssimo que o Fumaça está fazendo aqui”, finaliza.

O evento conta ainda com o rapper poços-caldense Job, que há anos se dedica a

cultura hip-hop na cidade, tem um CD gravado e também faz questão de enriquecer o

evento beneficente, apresentando um pouco das próprias rimas.

Serviço – O Boxe Solidário acontece hoje às 20h no Ginásio Moleque César, no

bairro Cascatinha. A entrada para a arquibancada é 1kg de alimento. Para cadeira, 1kg

de alimento e 1 brinquedo. A troca deve ser feita no horário do evento, no próprio

local.