Hip-Hop - A Cultura Marginal

Texto do livro de Jéssica Balbino é inserido em livro didático do Estado Rio Grande do Sul

TRAFICANDO CONHECIMENTO

Entrevista com a jornalista e escritora mineira Jéssica Balbino, militante do movimento hiP-hop, representante da nova literatura marginal brasileira

FEMININA EM FOCO

"Em meio a tantas armas que eles podem escolher no jogo real do “matar ou morrer”, o hip-hop escolhe a maior de todas as armas: a cultura. Uma cultura marginal, mas que não é propriedade dos grandes, não é da elite nem da burguesia. É a cultura de quem foi capaz de criá-la e levá-la adiante. É a cultura das ruas, do povo” (Jéssica Balbino)

PERIFERIA EM MOVIMENTO

Mineira multifacetada. Assim definimos Jessica Balbino, que é autora do livro “Traficando conhecimento”, jornalista e assessora de imprensa. Abaixo, uma entrevista que fizemos com ela.

Jéssica Balbino participa de livro coletivo de “Poetas do Sarau Suburbano”

Jéssica Balbino é jornalista e escritora, nasceu e vive em Poços de Caldas, mas permanece antenada com o que acontece pelas periferias do Brasil. O primeiro livro foi escrito com sua parceira Anita Motta,“Hip-Hop – A Cultura Marginal”. Ela também participou da coletânea “Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil”, organizado por Alessandro Buzo em 2007

domingo, 30 de maio de 2010

JORNALISMO

Poços registra três casos de violência infantil por semana
Objetivo de seminário é capacitar professores para que eles sejam capazes de identificar comportamentos ligados à submissão de violências

por Jéssica Balbino
para o Jornal Mantiqueira

Poços de Caldas, MG, 30/05/10 – O tempo que esta reportagem leva para ser redigida, cerca de uma hora, é o mesmo período em que quatro crianças brasileiras são vítimas de abuso e exploração sexual, segundo dados da Secretaria Especial dos Direitos Humanos.
Muito além do que os dados revelam, há ainda o silêncio, que contribuiu para que inúmeros outros casos não se transformassem, sequer, em estatística.
Em Poços, a cada semana, três novos casos de violência contra a criança e adolescente chegam a algum órgão que compõe a rede de enfrentamento
, como Conselho Tutelar, Delegacia de Segurança Pública, Centro de Referência Especial em Assistência Social (Creas), entre outros.
Entretanto, estima-se que para cada caso registrado existem outros dois que não chegam ao conhecimento dos órgãos e entidades responsáveis por evitar que isso aconteça. Eles são omitidos por um mecanismo que os especialistas conhecem como rede do silêncio, comum quando a criança se autovitimiza e se sente corresponsável pela agressão cometida contra ela.
Pensando em quebrar esta rede, na próxima terça-feira (1º), o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) realiza o III Seminário de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes que neste ano tem como objetivo trabalhar com educadores, professores e cuidadores de crianças no que diz respeito a identificar comportamentos ligados à submissão de violências.
O conselheiro do CMDCA, Eugênio Benedictus Cassaro Filho, explica que o evento vem para trabalhar o artigo 245 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “Vamos trabalhar este artigo, que responsabiliza os professores e educadores sobre a questão dos alunos que sofrem mais tratos. Eles têm obrigação de acompanhar e denunciar”, diz.
Caso descumpram com esta obrigação são penalizados com multas de três a vinte salários de referência, aplicados em dobro em caso de reincidência.
Somente desta maneira, crianças que são vítimas de violências podem receber um tratamento adequado.
Através de um trabalho de sensibilização, tanto da vítima como da família, é que o Creas atua, com atendimentos multidisciplinares.
Psicólogos, pedagogos, assistentes sociais e médicos avaliam qual abuso foi cometido e quais foram as situações que motivaram isso.
Dados do Conselho Tutelar revelam que 80% dos casos de violência sexual envolvem algum familiar da criança ou adolescente, daí a importância de acolher não só a vítima como toda a família.
A pedagoga Amanda Nunes de Souza acredita que essa ação serve para evidenciar a importância das denúncias e reduzir o número de agressões praticadas. O último balanço divulgado pelo Conselho Tutelar mostra que entre os meses de setembro de 2009 a março de 2010, 250 crianças sofreram maus tratos na cidade e atualmente o Creas tem 300 casos em atendimento.
“Através do seminário queremos que as pessoas olhem com mais cuidado para as crianças e adolescentes e sejam capazes de evidenciar os comportamentos que demonstram algum tipo de abuso, não só uma violência sexual, mas também a psicológica e a física”, pontua Amanda.
Questionada sobre o processo de atendimento, a pedagoga destaca que da forma como é feito garante que as famílias recebam o acolhimento necessário para enfrentar o problema com a criança. A rede é composta por visitas domiciliares da assistência social, acompanhamento pedagógico e psicológico. “Muita gente não aceita que uma agressão ou abuso aconteceu com o próprio filho e não podemos obrigar que frequente o Creas. Quando isso acontece, o caso é devolvido para o Conselho Tutelar, que tem este poder”, explica.


Na escola
Para os professores, lidar com casos de violência sexual ainda é um desafio e o seminário vem para agregar informações válidas neste processo.
A professora Cristiana de Oliveira, que neste momento não está dando aulas, mas já lecionou em escolas do Estado de São Paulo, estuda formas comportamentais das crianças vítimas de violências.
“É algo muito recorrente e há pouco tempo que a sociedade começou a discutir o problema e buscar soluções. Nosso papel como educadores é aprender como identificar vítimas e saber como trabalhar com elas”, acredita.
Os reflexos comportamentais são salientados como formas de expressão das crianças e adolescentes. A pedagoga Amanda comenta: “Normalmente o comportamento é modificado e isso afeta também o desempenho escolar. A criança pode ficar mais quieta, mais agitada e ficar com a aprendizagem comprometida. Outra coisa observada é que ela pode ficar faltosa ou ainda aparecer machucada. Alguns se manifestam de formas lúdicas, em brincadeiras ou mesmo no linguajar. Quando uma criança é abusada, começa a reproduzir o abuso na escola, pois não consegue verbalizar o que aconteceu com ela”.
Em casos que já acompanhou como educadora, Cristiana ressalta que o mais difícil é romper o silêncio da criança. “O abuso sexual, quando cometido por alguém próximo, pode durar cerca de dois anos, até que a vítima consiga romper isso e revele a alguém os abusos sofridos, mas aí entra outra fase, que é ser ouvida e socorrida. Muitos adultos pensam que as crianças estão inventando”, lembra.


Programação

A programação do seminário, que acontece das 8h às 17h de terça-feira (1º), envolve mesa redonda sobre o dia 18 de maio, comemorado como o de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, instituído pela lei 9.970/00, em alusão ao assassinato de Aracelli Cabrera Crespo, 8 anos, que foi sequestrada, drogada, estuprada e morta, com o rosto desfigurado com ácido, entre outras barbáries, neste mesmo dia em 1973, em Vitória-ES.
Temas como “Qual a medida da nossa responsabilidade” serão discutidos por educadores e cientistas sociais serão propostos em debate.
Já a parte da tarde é dedicada ao II Seminário de Saúde Mental Infanto-juvenil, que busca fortalecer a Luta Antimanicomial por meio de seminários, palestras, discussões e ideias, que visam à reforma psiquiátrica.
Uma mesa redonda também sobre a Saúde Mental da Criança e do Adolescente. Assim, ficam destacados a ação e o envolvimento de todos os setores, como saúde, segurança pública, educação e órgãos de defesa, na rede que compõe a proteção e garantia aos direitos das crianças e adolescentes.
“O que é importante é que a população saiba que toda forma de atendimento relacionado ao abuso sexual é sigilosa. Este pacto de confiança é necessário. O difícil é romper o silêncio, mas, uma vez rompido, é preciso confiar nos órgãos e entender eles existem aqui para acolher”, frisa o CMDCA.
A entrada para o seminário é franca. Após os debates acontece uma passeata nas ruas central da cidade.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Sérgio Vaz ganha prêmio Transformadores

BOAS NOVAS

Acabei de receber a notícia de que o poeta Sérgio Vaz ganhou o prêmio "Transformadores" da revista Trip ! Ele foi considerado uma das 12 pessoas que dedicam sua energia a transformar o mundo num lugar melhor.
"Não mereço, mas agradeço", é o que diz este poeta que se auto-intitula o vira-lata da literatura e que transforma o mundo num lugar diferente justamente porque age, ao invés de apenas planejar e lamentar.
"Na verdade, sou uma, das 300 pessoas da Cooperifa que dedicam sua vida para transformar em energia positiva no ar que respiramos na quebrada. O Prêmio, é tudo nosso! Uh, Cooperifa!", comemora.
O fato é que este soma o segundo prêmio de reconhecimento em menos de seis meses. Em janeiro ele foi considerado pela revista Época uma das 100 pessoas mais influentes do país. E é claro que é merecido !

Sinceramente,
vida longa e paz !

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Projeto Leia - Literatura Amplificada

"Felizes são os puros de coração. Os que tem sede de justiça, os que praticam perdão, os que buscam alívio, paz, libertação. Os humildes, os corajosos, aí, os que tem fé. As coisas mudam (...)" (Dina Di)

Prezados,

Como estão?
Como sabem, sou apaixonada por cultura e literatura e há algum tempo estou envolvida com projetos de incentivo nestas áreas.
No último dia 22 de maio, distribui cerca de 500 livros novos e usados no bairro Jardim Kennedy II, periferia de Poços de Caldas, onde vivo.
A partir de hoje, a ação recebe um novo nome Projeto Leia - Literatura Amplificada, mas mantém em sua essência a proposta de arrecadação de livros novos e usados para distribuição em locais públicos e comunidades carentes, promovendo o acesso de mais pessoas a literatura e assim estimulando a leitura.
O objetivo é fazer com que as histórias sejam lidas e ganhem vida, ao invés de ficarem aprisionadas na estante, acumulando ácaros. Após a distribuição, vale passar a cada contemplado a responsabilidade de fazer as histórias circularem de forma permanente. Vale destacar que não é uma ação aleatória. É importante provocar a contribuição dos que recebem os exemplares para que eles continuem a idéia de forma independente.
Livros em bom estado são arrecadados e distribuídos para quem mais se interessa em ganhar um exemplar e se compromete a passar a história adiante.
O projeto já foi aplicado em praças, parques, terminais de ônibus e bairros carentes.
A partir de agora, a intenção é realizar uma ação nacional e simultânea, com uma campanha de arrecadação de livros e uma atividade de distribuição em vários locais no mesmo dia e hora.
Já temos a iniciativa implantada em Poços de Caldas e parceiros em Andradas (MG), Belo Horizonte (MG), Caldas (MG), São João da Boa Vista (SP), Campo Limpo Paulista (SP) São Paulo (SP), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Olinda (PE) e Recife (PE).
O convite é para que você se junte a nós e ajude a fomentar a cultura no Brasil. Segundo dados da pesquisa Retratos da Literatura no Brasil, que mostra entre 95 milhões de pessoas entrevistas, 45% não são leitores. Nosso papel é mudar este cenário.
Há ainda intenção de continuar executando o projeto, incluindo nas caminhadas saraus para que a comunidade aprecie a leitura.

Para participar
Caso queira participar do projeto Leia, basta ter boa vontade. O processo é bastante simples. Basta comunicar o desejo de ajudar e implementar a proposta na sua cidade para o e-mail projetoleia@hotmail.com
Creio que deve ser criada uma campanha de divulgação para estimular a arrecadação de livros e escolher postos nas cidades dos estados parceiros onde, depois, será feita a coleta, depois seleção para poder se dá a distribuição.

1) Arrecadar livros com amigos, conhecidos, vizinhos, desconhecidos, livrarias, sebos, bibliotecas, escolas e editoras. Qualquer doação é bem-vinda e contribui.

2) Cole a mensagem padrão do projeto nos livros arrecadados. É interessante botar na contra-capa:

Projeto Leia – Literatura Amplificada
Olá, você acaba de ser seduzido pela literatura. Cuide bem do livro e após apreciar esta leitura, amplifique o conhecimento. Ofereça esta história a alguém, aqui mesmo onde recebeu. Não permita que o saber fique novamente aprisionado em estantes e caixas. Deixe que outras pessoas tenham a mesma oportunidade. Obrigado por nos ajudar a disseminar cultura.

3) A ação está pronta. É só combinar a distribuição.


* É importante lembrar que ao participar do projeto, a pessoa tem a chance de atrelar o nome a uma causa social e ajuda a fomentar a cultura no país. Todos são livres para buscar novos parceiros que somem a iniciativa.

** Algumas ações já realizadas podem ser acompanhadas através dos links:






Vale lembrar que quando foram feitas, o projeto ainda atendia pelo nome de Passa Livros. A mudança estética foi necessária por razões acadêmicas.




PAZ !!!

sábado, 22 de maio de 2010

PASSA LIVROS

Periferia de Poços é contemplada com doação de livros

Nova edição do projeto Passa Livros é realizada e cerca de 500 exemplares são doados no bairro Jardim Kennedy II





Numa tarde em que a temperatura não passa dos 12º C e que para aquecer o corpo não há nada mais convidativo que o sol, o ineditismo da ação e dos acontecimentos trouxe reações diferentes em todas as pessoas que, sentadas na porta de suas casas ou em bancos da única praça existente como opção de lazer, receberam um livro, de presente.
O projeto, Passa Livros, que tem o nome inspirado na brincadeira infantil passa-anel ganhou mais uma edição em Poços de Caldas. Desta vez, moradores do bairro Jardim Kennedy II, na zona sul da cidade, foram os protagonistas da ação e poderão, quando o sol se esconder e deixar de aquecer o dia frio de outono, aquecer a mente com os livros recebidos.
Crianças que brincavam na praça, nos seus velotrols ou triciclos, correm para pegar os livros de histórias infantis e pedem, envergonhadamente, exemplares para os irmãos que estão em casa.
Com os livros nas mãos, se sentam para ver e vão trocando entre si, voltando a idéia original, que é fazer o saber circular. Exemplares de romances, clássicos, históricos, livros-reportagens e técnicos também são distribuídos gratuitamente a quem quer receber uma história ou informação nova.


Na cidade, o projeto teve início a partir da pedagoga Ângela Caruso, que atraída pela ideia de um jornalista paulistano, trouxe o projeto para a cidade mineira.
Na sequência, o projeto foi apoiado e passou a ser também realizado pela jornalista e escritora Jéssica Balbino acompanhada por sua mãe, Elza Balbino.
Passar os volumes literários apenas aos moradores da cidade vai ao encontro da real proposta, que é dar continuidade ao processo de ler e transmitir o conhecimento contido naquele livro a outras pessoas e promover também o acesso à leitura, que ainda hoje é deficiente no país, segundo dados da pesquisa Retratos da Literatura no Brasil, que mostra entre 95 milhões de pessoas entrevistas, 45% não são leitores.
O projeto que já aconteceu em praças públicas e também no Terminal de Linhas Urbanas serve para despertar, em quem está desatento com as atribulações do dia-a-dia, o gosto pela leitura e também para fortalecer o hábito.


Entre as cenas mais interessantes do momento da distribuição está o caso de um grupo de jovens que, sem perspectiva de lazer ou diversão num sábado a tarde, caminham pelo bairro sem nada o que fazer, e ao perceberem a ação, pedem para ganhar livros, mesmo que infantis. "Vi que eles se interessaram de verdade e até pediram para ganhar um livro. Isso é inédito. O comportamento deles, até então, era de descaso, mas ao perceberem que os livros eram doados e que eles também poderiam ingressar neste universo, quiseram fazer parte. Ganharam os livros também", conta a auxiliar administrativo Juliana Cristina Martins, uma das voluntárias do projeto.
Assim como eles, adultos que cultivam o ócio na porta das casas recebem também exemplares e, diante de um novo mundo que se abre através dos livros, embarcam através das páginas para uma viagem em histórias, poesias e sentimentos.
Os questionamentos sobre o que fazer com o livro depois de livro, onde devolver ou qual o custo são marcados por expressões satisfeitas dos voluntários, em poder doá-los, de presente, a uma comunidade que não recebe nada, exceto a pobreza, o descaso e a carência financeira e de estrutura.


As agitadoras lembram que a intenção é mobilizar quem tem livros, para que eles limpem as estantes. “Queremos que as pessoas façam os livros circularem, tirem a poeira e os ácaros e os coloquem nas praças e comunidades”, finalizam. Assim, sem qualquer apoio financeiro, apenas com a boa vontade e a intenção de ajudar, o projeto acontece e cerca de 500 livros foram entregues durante esta tarde de 22 de maio. As voluntárias já tem novas propostas em mente para serem executadas.
Voluntários de Salvador - BA já estão em processo de captação de livros e em pouco tempo ele deve ser executado simultaneamente, tanto em Poços de Caldas como na capital baiana.
O Jornal Mantiqueira colaborou com o projeto por meio da doação de 150 exemplares de palavras cruzadas, através de uma parceria com a editora Coquetel.
As editoras Leitura, Cortez, Bertrand Brasil e Objetiva apoaim o projeto com a doação de livros novos.



Serviço - As pessoas interessadas em somar ao projeto podem deixar comentários com e-mail neste blog, ou escrever para passalivros@hotmail.com
Toda ajuda é bem vinda e todo saber, válido ! PAZ !





"Viva, em vez disso ou daquilo" (Alessandro Buzo)

E fazer algo pelo meu bairro, pela minha quebrada, pela minha periferia é mágico !

Saber que estou a frente de um projeto tão grandioso e importante, que vai além de qualquer discurso, me faz ser muito feliz e isso, ninguém pode me tirar !

Aos que ajudam e apoiam, minha gratidão eterna. Aos que doaram livros, que o saber volte em dobro a vocês. Aos que ajudam a divulgar, que a sementinha seja plantada também em suas vidas.

Obrigada por tudo, por nada obrigado !

PAZ !!!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Beat sampleado

E o rap em Minas Gerais cresce, ganha destaque e produz um som com uma característica própria. Do interior do Estado, os rappers de Poços de Caldas se unem em noites e madrugadas frias para produzirem.


O amor à música é destacado nos novos beatsampleados que podemos curtir. As inovações ficam por conta de DJ Mancha (Dj e Beatmaker) e Leopac (Beatmaker e MC).


As inspirações para a produção são DJ Babu, DJ Premier , Pete Rock, Blu,
J Dilla, Kl Jay, Nave, Alchemist, entre outros.


Buscam nas músicas da velha escola
Funk, Soul, Samba, Jazz, trazer uma essência dentro do Rap, resgata esse ideal
de uma forma inovadora.
No mesmo dia presenciou a açãoo rapper China, também de Poços de Caldas.


E eles avisam: esse é só o começo de muitos mais beats com
sampler.




CONFIRAM:




E você, o que está lendo?


Os dados não mentem:
Em 2008, a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", recomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Ibope, informou que o brasileiro lê em média, 4,7 livros por ano.
Na Europa, este número vai de 8 a 10 livros per capita/ano.
Em 2005, li cerca de 100 livros em seis meses (tudo bem, eu trabalhava numa livraria), em 2006, li algo em torno de 50 livros (tá certo, estava fazendo TCC e escrevendo um livro-reportagem), em 2007, a média de leitura foi de 40 livros, em 2008, caiu para cerca de 35 livros, já no último ano, não consegui bater minha própria meta, que era ler pelo menos 50 livros. Fechei o ano em 46 livros lidos !
Não quero quebrar nenhum recorde, nenhuma marca, ser mais do que ninguém. Minhas metas são só minhas e pronto. Acredito que 50 livros por ano é uma boa média. Dá 4,1 livros por mês, ou seja, um livro por semana.
É o ideal para me manter atualizada, envolvida com vários assuntos diferentes e poder discutir sobre mais coisas, além de formar uma opinião mais sólida e crítica acerca de coisas bem distintas.
Também não quero me gabar ou me achar melhor do que ninguém por conta disso. Só lembro que moro num país de terceiro mundo, desigual e desinformado, onde vivem cerca de 14 milhões de analfabetos e mais não sei quantos milhões de pessoas que só sabem assinar o nome. Há ainda muitos (inclusive grande parte dos que convivo) que lêem, mas não ter interpretação de texto e portanto, não gostam da leitura.
Lembro também que sou mulher e isso por si só, nos dias de hoje, acarretam mais afazeres do que nunca. Também sou pobre, moro na periferia e minha vida não é fácil ou regada de conforto. Meu salário é mínimo, apesar de ser formada em curso superior e ter estudo quatro anos para ter um diploma que hoje não vale nada, eu sou obrigada a ler se quiser continuar escrevendo e/ou fazendo qualquer atividade ligada ao jornalismo. Leia-se fazendo isso bem. É, porque muitos coleguinhas saem da faculdade sem nunca ter lido um livro. É triste mas é a realidade.
Lembro também que um livro no Brasil custa entre R$ 30 e R% 50, quando segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o produto deveria ser comercializado por R$ 18. É claro que temos outras opções, mas como diz o Sérgio Vaz, o livro pode custar R$ 5 que ele só é caro para quem gosta de ler: o meu caso.
Apesar de comprar ótimas obras como a que vou comentar daqui a pouco, para mim, o livro ainda continua sendo um produto caro.
Entre todas as contas que tenho para pagar, sobra quase nada para comprar livros e alguns não encontramos em bibliotecas.
Vendo isso, atingir a marca de 21 livros em cinco meses e meio do ano é algo bem bacana e que me deixa orgulhosa de mim mesma.
O interessante é que as pessoas perguntam: "Então você tem bastante tempo?". Não, eu não tenho bastante tempo. Aliás, tenho tempo nenhum. O que acontece é que aproveito meu tempo para ler, no ônibus, nas filas de espera de qualquer coisa, enquanto me alimento, enquanto seco o cabelo, quando vou ao banheiro, enfim ...faço meu tempo da leitura, e claro, antes de dormir, brigo comigo mesma e com o sono para devorar mais algumas páginas.
Como podem acompanhar pela minha lista, leio de tudo e sobre tudo. Isso sem falar nas revistas e jornais. Blogs também estão por aí. Ganho algumas revistas de uma colega de trabalho depois que ela já leu. Sempre já passou a semana, mas aproveito algumas coisas. Antigamente assinava algumas, mas o orçamento pesou e tive que cortar os gastos com elas. Minhas patroas também me dão algumas revistas e assim eu sigo. Adoraria assinar várias e ter tempo para lê-las na íntegra...Mas, posso também recorrer à biblioteca municipal, quando dá uma brecha no tempo para isso, é claro !
Acredito que lendo, e só lendo, porque informação é poder, vamos conseguir mudar alguma coisa, seja a nossa volta, no nosso bairro, no nosso mundo. A literatura é a (r) evolução da quebrada e por meio dela muita coisa boa vêm acontecendo. Eu tento fazer a minha parte. Em breve, mais uma edição do projeto Passa Livros deve invadir a zona sul de Poços de Caldas.


Livros lidos em 2010

1) Garoto encontra garota (Meg Cabot)
2) Manual Prático do Ódio (Ferréz)
3) Mulheres Alteradas (Maitena)
4) Tem Alguém Aí? (Marian Keyes)
5) Quarto de Despejo (Carolina Maria de Jesus)
6) Capão pecado (Ferréz)
7) A vida na porta da geladeira (Alice Kuipers)
8) Angu de Sangue (Marcelino Freire)
9) O Livreiro de Cabul (Asne Seierstad)
10) O Carrinho de Rolimã (Fantimanumilde)
11) As pessoas dos livros (Fernanda Young)
12) A arte de entrevistar bem (Thaís Oyama)
13) Cidade de Deus (Luiz Roberto Nascimento Silva)
14) A revolução dos bichos (George Orwell)
15) Histórias tecidas em seda (Lúcia Hiratsuka)
16) Casadas com o crime (Josmar Jozino)
17) Black Music (Arthur Dapieve)
18) A falência das elites (Adelaide Carraro)
19) Contos de Bordel – a prostituição feminina na Boca do Lixo de São Paulo (Renata Bortoleto, Ana Laura Diniz e Michele Izawa)
20) Lembrancinha do Adeus – Historia (s) de um bandido (Julio Ludemir)
21) Cronista de um tempo ruim (Ferréz)




Cronista de um tempo ruim
Ferréz



por Jéssica Balbino


Deveria ser de leitura obrigatória. No Ensino Fundamental, Médio, Vestibular e sequência.
Deveria ser promocional "Compre meia dúzia de pães e ganhe o livro "Cronista de um tempo ruim". Arroz, feijão, farinha, macarrão e o livro "Cronista de um tempo ruim", estes são os principais produtos da cesta básica.
Compre uma Mercedes ou uma Ferrari e ganhe o livro "Cronista de um tempo ruim". Calce um tênis nike e ganhe o livro "Cronista de um tempo ruim". Abrace a causa do câncer de mama e o Ferréz: compre a camiseta e leve o livro.
Todos brasileiros, sejam da periferia ou não, deveriam ler este livro de bolso, de 123 páginas com histórias e contos incríveis.
Um tempo ruim - o nosso tempo - é retratado por um homem que enxerga à frente desta realidade e também deste tempo. Por um homem que nasceu e sempre viveu na quebrada mas consegue enxergar os problemas e soluções desta vida tão miserável.
O livro, em formato de bolso, pode ser adquirido pelo preço de uma refeição ou de duas cervejas e meia. Pode ser lido para sempre, passado de mão em mão, de escola em escola, pode ser trabalhado, interpretado, porque é vivido diariamente por milhões de brasileiros desse mundaréu de quebradas, vielas, periferias e córregos sujos.
A visão de Ferréz para o cotidiano periférico é bem peculiar, e para os causadores dos problemas enfrentados pelo povo que é massacrado também. Ele diz sim à guerra contra os que merecem, e paz aos que precisam. Ele passar por restaurantes populares, chacinas diáiras na zona sul de São Paulo, falta de comida em casa, falta de comida na casa dos amigos, muitos destes que morrem e o abandonam no meio do caminho, vai pelo crime, pela rima, por uma biblioteca comunitária montada numa antiga boca de tráfico e por fim, passa pelos nossos corações, ora mesquinhos e materialistas, desejando um nike, uma roupa da moda, um computador, um DVD, um home theater, ora caridosos, cobrindo o mendigo que dorme na esquina, rezando por quem já se foi e agradecendo até mesmo a desgraça.
Ele se arma com a caneta e dispara palavras. Não se importa quem vai machucar, mas temo que seja muito mais quem vive do lado de lá da ponte.
No mais, o pequeno livro (que não vai mais sair do meu bolso e bolsa) é um lindo presente para a favela e para nosso intelecto.
Ferréz, você é um cara fera !


Para confirmar tudo que disse, segue abaixo uma entrevista que meu amigo e jornalista Éder Rezende fez com o Ferréz quando ele esteve em Poços na Feira do Livro.






Ferréz, fale um pouquinho sobre como tudo começou. Como você se tornou escritor de literatura marginal?

Ferréz: Eu comecei praticamente no primeiro livro independente, o Fortaleza da Desilusão e fui trabalhando com ele na rua, muitos lugares, tentando vender. Fiquei desempregado e trabalhei com ele na rua mesmo. Na época não tinha sarau, não tinha eventos, nem nada. Eu ia vendendo de bar em bar.



Você trabalhava numa empresa e colocava textos no mural, não é? Como foi isso?Ferréz: Isso. Eu colocava textos no mural e um dia a dona da empresa, que era muito rígida, a Dona Ana virou e falou “isso aí não pode, esse monte de papel pregado” e eu falei “é que faço poesia” e ela “eu gosto de poesia, deixa eu ver” e pediu o livro para ver e a partir disso ela apoiou o livro. Então, meu patrão nem acreditava e falava “porra, peão, você é um cara esquisito, não sabe nem escrever direito”. Ela apoiou o livro e depois disso ela me mandou embora e me fez sair na quebrada vendendo o livro. Foi aí que eu comecei mesmo na literatura. Comecei militando e divulgando a literatura de bar em bar.



E nessa militância, passou por muito preconceito, nesse tempo que tem na literatura, fazendo uma abordagem de forma rápida?
Ferréz: Mano, tinha tanto preconceito que teve cara que falou: “meu, não vou comprar seu livro porque eu vou cheirar”, “não vou comprar seu livro porque eu vou beber cerveja”. Eu fui para show de samba fazer venda de livro e me roubaram vários livros e ainda ninguém comprou nenhum. Já aconteceram várias coisas, de eu ir numa distribuidora, levar o livro e ninguém querer. Do cara falar que o livro era uma bosta, que o livro não presta. Passei por tudo isso, sabe? Mas eu não me arrependo de nada porque é o que me alimentou hoje, para eu fazer uma boa literatura.

Durante o Flipoços teve a presença da Jéssica Balbino, jornalista e ela leva esta cultura marginal para a região. Como você vê isso, sabendo que tudo começou a partir dos seus textos que ela lia?

Ferréz: A Jéssica é o tipo de pessoa que a gente fala que é célula, o muro que conseguimos construir, e essas pessoas que militam nos lugares e agregam a gente, sabe? Então, ela é uma pessoa importante para a literatura marginal, assim como todas as pessoas que estão em outros estados. A literatura marginal não tem essa coisa de bairrismo, de separatismo e para mim é legal dividir a palestra com ela. Porque é uma pessoa nossa, igual a mim, do povo. Para mim eu tenho muito mais orgulho disso do que se for um catedrático.



Alguns textos seus que foram censurados em materiais didáticos, tanto em Poços como na Bahia. Conte um pouco sobre isso.
Ferréz: Eu fico sabendo pela boca dos outros. Eu não acompanho muito isso, mas, mano, censurou ali nós publica outro aqui. A internet ninguém pode censurar e a gente publica direto, não tem como deter. A literatura vem invadindo. A gente nunca pediu licença, nunca falou: “abre a porta para mim”. A gente já arrombou a porta, entrou e já tomou de assalto. Os moleques querem a escola quer.


Você já participou de publicações em grandes editorias e hoje em dia você tem a Selo do Povo, uma editora própria. Como funciona?

Ferréz: A ideia é fazer livro barato, que eu possa vender em todos os lugares. Poder distribuir o livro a um preço bom, que não seja no mercado formal. Eu tenho o formal e nós que traficamos por fora. Viramos traficantes, mas de informação. Vamos traficando por fora os livros.


E a sua grife? Fale um pouco como ela funciona?

Ferréz: Então, nós montamos um site na internet (http://www.1dasul.com.br/) e ela é uma marca que montamos na quebrada para gerar mão de obra. Uma roupa própria da quebrada. Conseguimos fazer com que a favela tenha sua própria moda, sem a gente ter que contar com a moda dos outros, porque é uma grande consumidora de moda dos outros, enriquecendo os outros. Então, está na hora da gente construir nossa própria estrutura.


E você tem um sonho bem diferente. Que um dia as pessoas roubem e trafiquem livros. Como é isso?

Ferréz: Ah mano. O meu sonho é esse mesmo. É o cara chegar e falar: “tio, me dá aí, me dá aí os livros, os bagulho, tô a milhão, quero estudar, quero usar esse livro agora, me dá aí que eu tô necessitado de uma dose logo desse livro”. A ideia é essa. Tráfico informal de informação e porte ilegal de inteligência.


Qual a importância de você participar do Flipoços e trazer para o sul de Minas um pouco deste novo olhar da sociedade?

Ferréz: Ah cara, eu aprendo muito. Uma feira de importância, que está no mapa cultural do Brasil, estou honrado de estar aqui fazendo parte com um monte de gente legal. Muito bom.



E para o pessoal que gosta de hip hop, poderia deixar um salve?

Ferréz: Posso. “Prus canalha é loco. Aqui nós é protesto. Ferréz e Negredo rimando pelo certo / sem farda na revolução/ arquivo pronto pra missão”.




terça-feira, 18 de maio de 2010

Revolução e poesia na quebrada

por Jéssica Balbino

Projeto Literatura Suburbana lança novos autores periféricos e dá oportunidade a rappers de todo Brasil

A tentativa de abrir mais uma porta e mais uma visão para o enclave de mais de 250 mil habitantes da Brasilândia, zona norte de São Paulo, surgiu com a criação do Coletivo Literatura Suburbana, em maio de 2007. Após assistir a um ciclo de palestras em escolas do bairro e das adjacências, Israel Neto, conhecido como Réu, na época com 19 anos, resolveu formalizar um grupo para articular atividades culturais no bairro e nas escolas. Nasceu então um núcleo de literatura no bairro - até então visto como feio, sujo e violento -, cujo objetivo é proporcionar acesso, consumo e produção cultural aos habitantes da vila, através do Hip-Hop e do ensino étnico-racial.
Para Réu, o nome escolhido para o projeto remonta a questão do subúrbio e foge da discussão sobre o que é marginal ou periférico, além de proporcionar aos novos autores, com bastante frequência, a oportunidade de fazer parte de livretos lançados exclusivamente na periferia. O primeiro contato do agitador cultural com a literatura se deu por meio do Rap, através das músicas do Gog. “As letras dele mais parecem artigos ou crônicas sociais. Daí vem minha referência. Já na literatura negra eu comecei com Luís Gama”, conta. Para ele, valorizar iniciativas como a do coletivo é algo que coloca a literatura mais perto da realidade de quem vive nas periferias, retratando a vida e as relações de formas simples e diretas. “Isso facilita a compreensão do leitor ou do expectador dos saraus.”
Por falar em sarau, ele planeja, em breve, montar um exclusivo do Literatura Suburbana, e já arrisca algumas declamações como a feita no último dia 1º - Dia do Trabalho –, quando foi lançado o livreto “Poesias para o Trabalho”, no Centro de Cultura Alternativa e Social (Cicas). Na ocasião, alguns dos 11 poetas presentes puderam declamar seus textos exaltando os trabalhadores. Com o livreto, o coletivo já soma 40 escritores publicados entre nove trabalhos, como quatro coletâneas do “Poemas Suburbanos”; o livro “Fecho no Gueto”, de Israel Neto e Carolina Teixeira; “Páginas de Espelho”, de Rodrigo Domenico; “Coração Denunciador”, de Bruno Pastore; “Reflexões de um Homem Preto”, de Anderson Lima”; e “Hoje é o Dia da Revolução”, de Renato Rabelo. “O objetivo das publicações é distribuir estes materiais a preços acessíveis, como R$ 1, R$ 2 e R$ 3, e proporcionar a experiência e oportunidade destes escritores terem algo publicado”, coloca.
O projeto conta também com a produção suburbana, que se baseia em novas atividades, como oficinas de produção literária em escolas e Organizações Não-Governamentais (ONGs), além de exposições das obras de vários escritores da periferia e participações em saraus que o coletivo realiza ou mesmo participa. Para manter o coletivo atualizado, Réu acompanha blogs que trabalham com a mesma temática, pois acredita que o mundo digital pode proporcionar um maior acesso aos textos e escritores da periferia. “Imagine, um livro que custa R$ 10 pode ser lido pela internet, ou seja, o blog proporciona esse acesso à cultura”, pontua. Desta maneira, os blogs revelam-se, mais uma vez, uma importante ferramenta de comunicação entre as quebradas. “Queremos mostrar nossas produções e como elas interferem no nosso meio. Conseguimos isso por meio dos blogs. Acreditamos na formação de rede. Um exemplo é que várias pessoas falaram que conheceram outros blogs através do nosso, e isso é super rico”, acrescenta Réu.
Com tantos pontos a favor, o coletivo já prepara, para julho, a 5ª edição da coletânea “Poetas Suburbanos”, e vai também investir os recursos do programa Valorização de Iniciativas Culturais (VAI) com o projeto Reviva Rap, e pleiteia parcerias para as publicações e o curso Escola da África, realizado também na Brasilândia.



Reviva Rap
O Literatura Suburbana abre também espaço para o ritmo e a poesia do Hip-Hop, através do projeto Reviva Rap. Anualmente, 40 grupos são selecionados para participar de quatro etapas classificatórias, sendo que os vencedores de cada uma participam de um CD lançado ao final de cada ano. Segundo Réu, o Festival tem como objetivo fomentar o estilo de música nas quebradas, por meio dos eventos, além de promover a oportunidade de divulgação e articulação para os inscritos e selecionados. “Neste ano, as inscrições vão até o dia 4 de junho, e os campeões ganham quatro horas de gravação no estúdio do Centro Cultural da Juventude, para preparar a música que integrará a coletânea”, orienta. Para ele, é importante comungar com a proximidade existente entre o Rap e a literatura periférica. “Eu sou MC e também escritor, acho uma relação normal. Só não podemos confundir uma coisa com a outra, mas andar juntos, sim”, finaliza.

Literatura Suburbana

Zona Norte na Linha

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Abolição ou Senzala Moderna?

por Jéssica Balbino


As discussões acerca do tema são inúmeras e as conclusões são um sem-número de tentativas de encontrar uma solução ou um paliativo para falsa abolição que acompanha os brasileiros por mais de um século.
Numa data em que deveríamos festejar os 112 anos da abolição da escravatura, vemos que não apenas os negros, mas brancos, índios e amarelos são colocados nos troncos todas os dias, quando acordam com ainda de madrugada e vão para o trabalho curtindo o frio e a barriga vazia.
Amassados em ônibus, se dirigem aos sub-empregos, onde o salário nunca dá sequer para o básico e o esculacho é terrível.
Na marmita, o almoço que serve também de janta é a única refeição do dia daquele escravo moderno que trocou o "elo-da-corrente" pela carteira assinada, o INSS pago e as horas intermináveis longe de casa e sem lazer em nome de uma "vida honesta".
A senzala mudou de nome e hoje é chamada de periferia, gueto ou favela. Abriga não mais os negros escravos, mas toda uma população miscigenada de cores e raças que compõe o cenário mais triste dos noticiários, estampados em fotos sangrentas nas capas dos jornais.
Mortos de fome, de vergonha, de desonra e de luta por uma sociedade melhor. Menos marginal, menos injusta e mais humana.
Os sonhos de Zumbi dos Palmares ficam escondidos e brilham, discretamente, nos olhos daquela criança que acompanha a festa de Congada em louvor a São Benedito, o santo negro, ou naquela outra que pede esmolas no farol e sequer imagina porque é negra e não branca e por que tem de ficar ali, numa vida miserável, enquanto os carros importados fecham seus vidros blindados.
Corremos dos nossos "senhores" e nos escondemos atrás de falsas esperanças e promessas, de ilusões vendidas a preços exorbitantes no mercado da mídia, que nos consome e corrói, sem a liberdade de escolha nem pela nossa própria cultura.

Lamento, mas a senzala moderna pulsa e amanhã é mais um dia de tronco e chibatadas !


terça-feira, 11 de maio de 2010

O que você está lendo?

Que para mim, ler é fundamental, todos já sabem.
Divido então um maravilhoso livro que li recentemente: Contos de Bordel foi escrito por três estudantes de jornalismo de São Paulo sobre a prostituição feminina na Boca do Lixo de São Paulo.
O tema? A mais antiga pauta do mundo. A reportagem? A mais inovadora possível.
Dentro da ética e dos parâmetros que todos que saem por aí se arriscando a dizer jornalistas, as jovens estudantes fizeram uma grande obra.
Histórias simples, instigantes, verdadeiras, nuas, cruas e maqueadas. Assim é recheado o livro. Com o perigo, a bizarrice e as peculiaridades de uma vida atrás de cinemas eróticos e boates. Cafetões, senhores, "donos", namorados e maridos se mostram nas mais diferentes faces, em vidas que superam o cotidiano comum de quem jamais se interessou pelo tema e foge do quadrilátero mais famoso do centro velho da maior cidade brasileira: a Boca do Lixo de São Paulo.
Entre o luxo de algumas plumas e paetês, muitas garotas imigrantes ou nativas se prostituem por dinheiro, prazer, drogas e liberdade. Nenhuma história é igual a outra, mas todas personagens se fundem em seus nomes fictícios.
No making of do livro-reportagem é que as estudantes contam como foi desafiante ficar mais de um ano entre as pesquisas, as visitas e os perigos da região paulistana.
Ora sobre salto e ora obre tênis, elas se esconderam através dos uniformes (jeans e camiseta) de universitárias e dos óculos de grau para evitar cantadas durante as pesquisas e entrevistas.
O resultado é uma deliciosa narrativa, que vai além da falta de experiência adquirida em redações e brinda o leitor com preciosos relatos de personagens reais num mundo que beira o irreal !
Recomendo muito o livro, escrito por quem vai além das redações, telefones e e-mail. Por verdadeiras repórteres que não temem enfrentar a rua, os perigos e desafios em nome das boas histórias. Isto é jornalismo. (literário).


Livros lidos em 2010

1) Garoto encontra garota (Meg Cabot)
2) Manual Prático do Ódio (Ferréz)
3) Mulheres Alteradas (Maitena)
4) Tem Alguém Aí? (Marian Keyes)
5) Quarto de Despejo (Carolina Maria de Jesus)
6) Capão pecado (Ferréz)
7) A vida na porta da geladeira (Alice Kuipers)
8) Angu de Sangue (Marcelino Freire)
9) O Livreiro de Cabul (Asne Seierstad)
10) O Carrinho de Rolimã (Fantimanumilde)
11) As pessoas dos livros (Fernanda Young)
12) A arte de entrevistar bem (Thaís Oyama)
13) Cidade de Deus (Luiz Roberto Nascimento Silva)
14) A revolução dos bichos (George Orwell)
15) Histórias tecidas em seda (Lúcia Hiratsuka)
16) Casadas com o crime (Josmar Jozino)
17) Black Music (Arthur Dapieve)
18) A falência das elites (Adelaide Carraro)
19) Contos de Bordel – a prostituição feminina na Boca do Lixo de São Paulo (Renata Bortoleto, Ana Laura Diniz e Michele Izawa)






segunda-feira, 10 de maio de 2010

E o fim...


...é bem e incerto, depende de como você vê (...) (O Teatro Mágico)

E foi nesta frase que pensei quando sou, hoje, que o Tubarão DuLixo está deixando o projeto de reciclagem para se dedicar mais a própria vida.
Segundo ele, é uma questão de sobrevivência e trabalho bem feito. "Fazer 9,5 não é comigo. Tem que ser 10". E justamente por não estar conseguindo se dedicar 100% as duas coisas, deixou, temporariamente o projeto DuLixo na baixada Santista para se dedicar a um trabalho convencional até conseguir se estabilizar.
Espero que esta transição seja rápida e que o projeto volte ainda mais forte e bonito, como o criador, sujeito admirável !
Para quem está por São Paulo, no dia 22, DuLixo está também na 22ª edição do Favela Toma Conta !

Abaixo, matéria que fiz especialmente para o Central Hip-Hop sobre o trabalho do Jeferson:

Tubarão Du Lixo, o garimpeiro das periferias




Da baixada santista, artista recicla conceitos com inspiração no Hip-Hop e na literatura marginal


por Jéssica Balbino

Um homem normal e vestido de forma adequada causa olhares espantados aos desavisados enquanto revira lixeiras, caçambas e sacos deixados pela rua. Ele não é um catador comum.

O armário que ele tem no quarto, dividido em duas partes, guarda as roupas de um lado e do outro o que ele consegue “garimpar” como objetivo de trabalho em meio ao lixo. Daí vem o apelido Tubarão Du Lixo. Isso por estar onde a maioria das pessoas prefere ignorar: em meio àquilo que causa repulsa e nojo. Entre o que é descartado, ele consegue enxergar o que pode ser transformado e lapidado até virar arte. Não rotula como um trabalho de reciclagem, apenas de mudança de coisas descartas. Mas, afirma que pretende reciclar o próprio ser humano. Trazendo mudanças de postura.

Aos 35 anos, Jeferson dos Santos usa o rap e a literatura como formas de desabafo e inspiração e acredita que as culturas de rua são as ferramentas para uma mudança social. No caso dele, o resultado é positivo. O início foi marcado por uma fase difícil, quando ele se tornou mais um desempregado no Brasil. Após ter trabalhado por 11 anos como eletricista na construção civil, foi despedido e se mudou para o litoral norte do Espírito Santo.

Uma nova perspectiva se descortinou diante do acúmulo de lixo. Como a cidade não possuía coleta de lixo, ele mesmo tomou a iniciativa de eliminar a quantidade de resíduos acumulados. “Comecei a desenvolver arte com eles. Usavam garrafas, caixas de leite e embalagens em geral”, lembra. A sequência do trabalho foi aprimorada por meio de um curso técnico que Tubarão fez quando retornou à baixada santista. Especializado em meio ambiente ele optou por trabalhar com o problema do lixo, algo que sempre o incomodou. “Comecei a desenvolver oficinas que abordavam este problema, como o consumo exagerado de produtos e o destino adequado ao lixo. Tudo isso feito de forma sutil e com muita arte”.

O Hip-Hop e a literatura marginal se fundem com o trabalho proposto por Tubarão. Quando iniciou a vida na construção civil, conheceu o rap, que passou a ser inspiração. “Me ensinou a viver em São Paulo, me indicou o caminho. Passei a escrever com as idéias borbulhando na mente”. Desta maneira, também no início dos anos 90 lançou um fanzine, onde expunha as próprias ideais e mazelas, sempre passando para o papel o que o incomodava. Feito à maquina de escrever, o “Acorde e Desacorde” trazia colagens de frases e fotos com protestos contra as multi-nacionais, os políticos e a obrigatoriedade do serviço militar. “Eu o fazia catando milho. Isso foi na época da construção civil. Depois, me afastei e desencanei”, conta. Entretanto, a inspiração continua a mesma e no último ano ele teve o prazer de ver o nome no rol de escritores do livro Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil, idealizado por Alessandro Buzo e que já está na terceira edição, a cada ano com novos autores.

Questionado sobre este trabalho, atrelado à arte feita a partir do livro, Tubarão se considera um suburbano convicto e agradece a oportunidade. “A sociedade me deu todo seu lixo e fiz dele a minha arte”, dispara. O livro lhe abre portas. “As que não se abrirem, ele arromba. A vida pode nos tomar tudo, menos nosso conhecimento”, completa. Além do livro, Tubarão mantém uma coluna no site Literatura Periférica, que reúne textos de autores da literatura marginal de várias quebradas, espalhadas por todo país.

Para Tubarão, o acesso à cultura e informação são os objetivos, e por isso ele considera fundamental mais incentivo a leitura. “Existem vários projetos pelas quebradas com esse propósito. Uma mente articulada faz mais estrago que qualquer oitão. Hoje muitos já estão escrevendo seus próprios livros e contado sua própria história”. Um exemplo é o trabalho que ele desenvolve e que não se limita a apenas recolher o lixo e lapidá-lo, mas a repassar o conhecimento através de oficinas.





Mesmo sem ter onde expor os objetos feitos, Du Lixo se engaja no trabalho, que segundo ele mesmo, no início tinha algumas formas pré-estabelecidas. “Minha arte era limitada. Com o passar do tempo fui deixando isso e dando mais liberdade a ela. Hoje não tem regra, nem forma. É livre, totalmente. Mistura-se tudo e tanto na minha produção como nas oficinas, fazemos o que a peça vai pedindo”. O trabalho inclui ainda outros elementos do Hip-Hop como o Graffiti, sempre ligado à pintura. Sempre buscando desenvolver e incentivar a criatividade e habilidade de crianças e jovens, fortalecendo a auto-estima e perspectiva de vida. “não temos a pretensão de transformar ninguém em artista mais sim, que todos possam ter o contato com a arte e através dela possam fazer a diferença lá na frente”.

Sem definir o trabalho como social ou ambiental, ele prefere chamar apenas de arte, onde várias manifestações como músicas, vídeos, literatura, artes plásticas e cênicas são trabalhadas na periferia. O objetivo é descobrir, divulgar e formar parceria com outros artistas que buscam, por meio de seus trabalhos, alguma responsabilidade social. “Nas oficinas temos uma metodologia e eu procuro levar informações que considero válidas. Busco usar a transformação dos objetos que antes era lixo e ninguém queria imagina que se transformariam em coisas bonitas, coloridas, com outras formas. Tento justamente passar para as pessoas esta outra visão. Quero que elas enxerguem as coisas de outra forma e se possível positiva”, diz. Para ele, o fundamental é que apliquem isso no dia-a-dia, utilizando todo tipo de resíduos. Entretanto, ele faz uma ressalva e não sabe explicar por que: “costumo evitar um pouco o vidro, mas não sei explicar o motivo”.

Assim, ele continua trabalhando, em meio a arte e a bicos feitos como eletricista, encontra a sobrevivência naquilo que reforma. “Onde me chamam e posso, levo a minha arte. Priorizo lugares que tenham a ver com a proposta”, considera, se esquivando de aproveitadores, que querem se beneficiar da arte feita a partir “Du Lixo”. Por outro lado, esta mesma arte ainda não lhe garantiu sustento, apesar de algumas vezes aparecerem algumas oficinas remuneradas. “Ainda não tenho apoio financeiro e todo gasto de materiais que não encontro no lixo é bancado por nós mesmos”.

Apesar destas dificuldades, Tubarão reconhece que faz um trabalho único junto as periferias, incluindo a ideologia do Hip-Hop e da literatura periférica. “A maneira que desenvolvemos nosso trabalho, que encaramos, é única. Sempre ressalto isso junto aos meus parceiros, destacando que são o amor e a ideologia que vem junto, que aplicamos que faz a diferença. Tenho muito respeito pelo que faço. Se hoje eu sou o que sou, devo isso ao meu trabalho. Ele me fez conhecer pessoas, lugares, culturas e com ou sem grana, ele acontece”, finaliza.



.:: Cozinhando com a Elza ::.

No Dia das Mães, aluguei alguns filmes e fiquei com a Véia assistindo. O que peguei especialmente para ela foi o Julie & Julia, baseado em duas histórias reais que mais são um banquete gastronômico.
Como boas gordas que somos, adoramos cozinha, cozinhar e falar sobre.
O filme foi um start na vida e ficamos super interessadas em reproduzir a experiência vivida por Julie, uma garota dos EUA que se inspira na cozinheira inglesa Julia Child e resolve testar, durante um ano, mais de 400 receitas.
O resultado é inspirador. Por isso, resolvemos criar o blog .:: Cozinhando com a Elza ::. para postar as receitas diárias que minha mãe cria, recria, inventa e experimenta na nossa cozinha !
Espero que o resultado seja tão divertido quanto e que os pratos sejam experimentados por todos. Portanto, visitem o blog .:: Cozinhando com a Elza ::. e deixem suas opiniões !

Beijão e Bom Apetite !


domingo, 9 de maio de 2010

Mães do Hip-Hop: o cotidiano das guerreiras

Entre o trabalho, a casa para arrumar, os filhos para cuidar e o companheiro, elas encontram tempo para criar, rimar, fazer shows e propagar o Rap brasileiro





por Jéssica Balbino
Especial para o Central Hip-Hop/BF, dedicado a minha mãe, a todas mães do Hip-Hop e, em especial, para Dina Di (em memória)







Além de calças largas, camisetas e agasalhos folgados e bonés, o Hip-Hop também veste saia - e muito mais que isso. Rima sobre saltos altos e dança embaixo de maquiagem. Graffita entre os acessórios e, muitas vezes, escreve e compõe com a dor e a alegria de ser mãe e mulher. “É muito difícil ser mãe, mulher e fazer Rap”, já afirmava a MC Dina Di, que morreu ao dar à luz pela segunda vez, frase que se aplica a muitas garotas que fazem Rap brasileiro e dividem o tempo entre a carreira, o filho e a feminilidade.





Uma delas é Nicole, 26 anos, mãe de Maria Júlia (4) e Ana Clara (recém-nascida). Para se dedicar mais à família, ela abriu mão de cantar com o grupo Inquérito, do qual fazia parte até o ano passado. Outra mãe, mulher e rapper é Lu Afri, 26 anos, a parte feminina do grupo UClanos, no sul de Minas. Ela se alterna entre a maternidade do filho Jeam (7), os ensaios com o grupo, o emprego num pet shop e a igreja que frequenta e em que também canta louvores.



Há mais tempo na estrada, a rapper da velha escola Rubia, que representa os grupos RPW, JogadoreZ, NK+NB, La Chicka V.T., QPG e Coletivo PRH, é mãe de dois filhos, de 23 e 9 anos, e carrega a bandeira com a frase de Dina Di. Em comum, as três carregam o amor pelo Hip-Hop e histórias de vida fascinantes dentro desta cultura. Na memória, trazem respeito e saudades de Dina Di, considerada a Rainha do Rap, que esmurrou a porta dos barracos brasileiros e exigiu respeito às garotas que faziam rimas mesmo antes dela, como é o caso de Rubia, que milita desde 1989 e atualmente está inserida no projeto Hip-Hop Mulher, em prol da visibilidade e oportunidade para a mulher, trabalhando com seminários, debates, palestras e oficinas. Tanto para ela como para Lu Afri e Nicole, conciliar o sonho com a rotina é algo complicado e, entre as principais dificuldades, estão: com quem deixar os filhos, qual a reação dos filhos quanto à mãe ser artista de um segmento masculinizado, manter a feminilidade e superar o machismo. Nicole acredita muito na afirmação feita por Dina Di e acrescenta: “Isso se aplica à maioria das mulheres que cantam Rap. Maternidade, preconceito, às vezes até do parceiro, e sonho”.



Para Lu Afri, as dificuldades financeiras muitas vezes são um embate entre a maternidade e o Rap. Moradora de periferia, ela tenta administrar o próprio tempo e o salário para não deixar faltar nada em casa. Trabalha de segunda-feira a sábado, durante todo o o dia, e aos domingos se divide entre os ensaios do grupo, no qual canta com o marido, Flávio, a limpeza da casa, a roupa para lavar, a comida para fazer e o filho para brincar e passear. “É uma dificuldade ser mãe nos dias de hoje. Em tudo o que eu faço, penso primeiro no Jeam e no que pode faltar para ele. Não gasto dinheiro à toa, pois sei que pode ser o dinheiro de uma fruta ou pão para ele”, afirma. Atualmente, tenta juntar dinheiro para comprar uma casa própria num bairro próximo de onde ela e o marido trabalham, o que evitaria as horas dentro dos ônibus enquanto Jeam fica com a avó, mãe dela. “Ela cuida do Jeam enquanto eu trabalho. Metade do período do dia ele fica na escola, mas preciso dela para ficar na outra parte. Eles se dão bem e é muito bom, mas preciso ter a minha própria moradia”, coloca.





Já Nicole passou a última semana na casa da mãe, enquanto a casa em que vive com o marido, que por 15 anos foi DJ do grupo Realidade Cruel, está sendo reformada. Durante a semana ela tem uma rotina parecida com a de Lu Afri, e troca apenas do trabalho do pet shop por um de funcionária pública. Quando volta, cuida da casa, do marido e das filhas. Aos fins de semana, tem mais tempo para criar, apesar de estar “dando um tempo” do Rap. Ao engravidar da segunda filha, tomou a decisão de deixar o Inquérito, os shows e gravações do disco “Mudança”. “Quero cuidar especificamente da minha família. O grupo tem sua agenda de shows, entrevistas e atividades. E, nesse momento, o que necessita mais da minha atenção é minha família.” Questionada sobre pensar em desistir, Nicole é taxativa: “Eu nunca desisto, dou um tempo e mudo as prioridades”.




Entre os muitos trabalhos, participações e atribuições, Rubia ainda cuida de um salão de cabeleireiros na Galeria do Rap, na rua 24 de maio, em São Paulo. Conciliando a rotina com os trabalhos em vários grupos, ela acredita que os próprios trabalhos musicais, tanto solo ou em grupos, falam sobre a trajetória de vida e também no Hip-Hop. “Exteriorizo minhas dores e amores, alegrias e provações que andam lado a lado com minhas músicas.” Assim como ela, durante os quase 20 anos no Hip-Hop, Dina Di compôs letras claras e reais sobre a própria vida e as provações pelas quais passou, inclusive a tentativa de recuperar a guarda do filho Lucas, hoje com 13 anos. “Eu quero ver meu filho crescer, aí você que só quer me fazer o mal, vou dizer que não há alem de Deus o que me faça parar, não há derrota que derrote alguém que nasceu pra vencer!” Este é um trecho das músicas da rapper, que não pôde ver a segunda filha Aline (atualmente com dois meses) crescer e nem cuidar da bebê que planejou durante os últimos dois anos. Em outras canções, ela lembra também da dor de ser rapper, mãe e sem mãe, após ter perdido a progenitora de forma violenta.




Uma inspiração para Lu Afri, Dina Di foi sua grande motivadora nos últimos 12 anos que ela dedicou ao Rap e, posteriormente, ao casamento com Suburbano - também MC - e ao filho. Com muitos sonhos na bagagem, ela tem a tristeza de não ter podido conhecer ou mesmo cantar com Dina Di, mas traz consigo a mesma força e garra. Guerreira nata, luta contra as adversidades e gosta de buscar seus sonhos. “Um deles é gravar um CD, ser reconhecida pelo meu trabalho, pelo que faço, pelas músicas que canto”, diz. Para isso, ela tem de se sacrificar. “Às vezes, fico sem dormir para cuidar do Jeam, passar mais tempo com ele e vê-lo crescer, mas quero dar ao meu filho as condições que eu não tive e penso conseguir isso através da música. Quero vê-lo crescer e sonhar junto comigo.”



Com muitas histórias de vida e musicais, Nicole faz questão de lembrar que, na primeira gravidez, viajou por todo o país fazendo shows. “Neste tempo aconteceu o evento´Hip Hop na Veia´ e o grupo Realidade Cruel, do qual meu marido fazia parte e eu fazia participação na época, ia se apresentar. O pessoal ficou preocupado com aquela situação toda, me deixou em casa contra a minha vontade e foi fazer o show”, lembra. Naquela noite, Maria Júlia nasceu. Isso prova o envolvimento das filhas com o Hip-Hop desde o ventre, de onde tinham contato com o som. Hoje, elas acompanham a mãe no estúdio e nas gravações, sendo que Ana Clara é amamentada enquanto Nicole grava e participa de outros trabalhos. Quanto aos shows, ela sempre pensa duas vezes antes de levar as pequenas, por conta da repressão policial. Mas, das vezes em que levou-as aos shows durante o dia, se sentiu muito orgulhosa. “É muito bom ver minha filha cantando as minhas músicas. Ela se mostra muito empolgada durante os ensaios e shows. Ainda não levei a mais nova, mas, em breve, quando retornar aos palcos e às atividades, não faltarão oportunidades.”




Para Lu Afri, levar Jeam aos ensaios ou shows é um desafio. “Ele é muito ciumento e levado, então tenho que estar o tempo todo correndo atrás dele ou contendo os microfones, que ele quer pegar para cantar”, diz. Por outro lado, ela também se orgulha de ver o filho embalado pelos beats do grupo e cantando as letras que ela mesma ajudou a criar. “Ele gosta bastante de Rap e de música. Não tinha como ser diferente, com pai e mãe apaixonados por Hip-Hop.” Para o futuro, estas mães têm inúmeros trabalhos musicais e diferentes desafios cotidianos. Entre a roupa para lavar, comida para fazer, casa para limpar, cabelo para trançar, pele para maquiar, mamadeira para esquentar, fralda para trocar e criança para brincar, elas querem fazer sucesso e propagar o Hip-Hop da melhor maneira.




Sem medo das dificuldades e "com Deus no coração", como elas mesmas dizem, não há nada como uma boa música e um pouco de esperança para seguir adiante e ver as coisas melhorando. Até o fim do ano, Lu Afri deve colocar nas ruas o CD “Pelos Cantos”, gravado com o UClanos, e iniciar uma série de shows Brasil afora. Já Nicole está trabalhando uma música para homenagear Dina Di. “A Rainha do Rap infelizmente faleceu, mas deixou sua marca registrada em todas nós, mães e rappers.” Para o próximo ano, ela espera também lançar um disco solo. Já Rubia segue trabalhando com os grupos e também em carreira solo, além de trançar muitos cabelos no salão e se dedicar aos filhos. Guerreiras, elas afirmam que, para todas as mães do Hip-Hop, não existe diferença entre o que elas vivem, pois a ideia é unânime: “para tudo o que fazemos, colocamos o coração e nos arriscamos”.




Confira entrevista na íntegra com Rubia:



1) Nome? Idade? Apelido? Rubia, 41 anos.

2) Grupo (s) que faz parte? RPW, JogadoreZ, Coletivo PRH e Hip Hop Mulher

3) Você é mãe de quantos filhos? Qual nome e idade deles? Um casal: Camila (23) e Jahmal (9)

4) Numa frase, a Dina Di afirmou: É muito difícil ser mãe, mulher e fazer rap. Isso se aplica a você também? Sem duvida... a mulher por si só já tem jornada dupla, trabalhando fora e em casa, cuidando da família. E a rapper alem de tudo ainda tem toda a responsabilidade de compor, fazer show, ser militante. E encaixar tudo isso em tão pouco tempo, tem q fazer malabarismo. O bom é que a mulher consegue!


5) Qual a maior dificuldade?
O sentimento de culpa... pensar que está tomando o tempo com outras atividades e se dedicando pouco aos filhos.

6) Além do rap, você trabalha com alguma outra coisa? No que? Sim, sou sócia em um salão de cabelereiro afro, na Galeria do Rock (SP).

7) Como é a sua rotina? Minha filha já é mulher, mas mesmo assim fico atrás cuidando e chamando a atenção. O Jahmal fica comigo nos finais de semana por enquanto, e quando tenho algum evento de hip hop, eu levo ele comigo. Trabalho sem horário deficido como toda autônoma, e ainda retomei os estudos. Não, não é fácil mas tem q se virar!

8) Qual o peso do rap na sua vida? Toda possível, sem o rap me sinto incompleta.

9) Como as mulheres, como você, com filhos e uma vida além do Hip-Hop, são vistas nesse meio? Como verdadeiras guerreiras, tenho certeza.

10) Há preconceito por parte dos homens, que ainda não maioria no universo do rap? Que tipo de preconceito? Eu ainda não vejo homens em nosso meio fazendo a devida inclusão em seus eventos e fóruns de mulheres hiphoppers. Se houvesse não haveria a necessidade de coletivos femininos buscando a inserção das mulheres no Hip-Hop, seja em qual atividade for.


11) E qual a relação dos seus filhos com o seu envolvimento com o rap? Eles curtem e valorizam! A Camila tinha 4 anos e ela já ia comigo nos meus shows! Agora o Jahmal é a mesma coisa.


12) E como é a sua relação com a sua mãe por conta disso? Minha mãe no inicio não entendeu nada, mas hoje ela conta pras amigas que tem uma filha que canta rap, e fica muito brava quando estamos juntas e alguém me olha atravessado (ela mora em Taubaté e algumas pessoas ainda se assustam ao ver uma mulher com tanta tatuagem).


13) Há quanto tempo que você enfrenta a situação do trabalho/rap/filhos/ ser mulher? Desde 1989.

14) Em algum momento você teve que deixar de fazer rap por conta dos filhos? Quando? Por que? Como foi? Não, nunca... sempre conciliei.

15) Quando é necessário abrir de mão de alguma coisa, qual vem primeiro numa categoria de prioridades? Abro mão da minha vida pessoal, entenda-se por balada e namoro.

16) Você já pensou em desistir? Por que? Já desisti uma vez, quando o RPW se reuniu e resolveu dar um ponto final na nossa história, por conta da cena na época. Mas não deu pra agüentar e em menos de um ano, voltamos.

17) Existe algum fato inusitado nessa relação de ser mãe/mulher/rapper que você acha interessante destacar? Inusitado não diria, mas na minha opinião a mulher que consegue ser essas três coisas ao mesmo tempo é uma lutadora eterna!


18) Existe alguma diferença entra a mãe, a mulher e a rapper? Quais são?
Sim e ao mesmo tempo não. Sou mãe zelosa e sempre digo que não é porque tenho esse visual “moderno” que as coisas são bagunçadas! Pego no pé, dou bronca quando necessário e cuido como uma gata cuida da sua cria. A mulher, sou como qualquer outra, com seus desejos, sonhos e vontades, que eu procuro não misturar com as minhas outras relações. A rapper é essa que todos conhecem, sem muita idéia, e com muita vontade de ter sua voz ao alcance do todos! Feminista e militante eu sou em TODAS minhas relações!

19) Você tem marido/companheiro/ namorado? Qual a relação? Já fui casada com rapper também e sempre foi uma relação de apoio mútuo, fora as brigas por samples, rs. Hoje estou solteira e o homem pra se relacionar comigo tem que respeitar meu envolvimento com o Hip-Hop, senão não tem jeito.

20) Você já teve/levou filhos aos shows? Como é/foi? Sempre, sempre... É uma vibração muito gostosa vê-los ali, perto de mim, curtindo e apoiando.

21) Algum dos seus filhos já manifestou algum desejo ou identificação com a música? O que você pensa sobre a hipótese deles seguirem o caminho do Hip-Hop?<em> A Camila já foi b-girl na adolescência mas hoje fica so de espectadora. Mas o Jahmal... eu to vendo que ele vai seguir o exemplo, ate porque pai e mãe são do hip hop. Não vejo problema algum em seguir, desde que não abandone os estudos e se profissionalize. Sou realista e sei que o Hip-Hop no Brasil não é fonte de renda pra grande maioria.

22) Considerações?
Em primeiro lugar todo meu amor e carinho à minha mãe Leonie e minha vó Martina (em memória), as duas mulheres na minha vida que me ensinaram a ser lutadora e não depender de absolutamente ninguem para ser o que sou hoje!
Aos meus filhos, Camila e Jahmal, que são meu motivo pra viver
Todo meu respeito e amor à Dina Di, ou como eu sempre a chamava, Viviane, q deixou a vida pra trazer ao mundo sua pequena Aline, meu coração tem uma ferida q não cicatrizará e não deixarei que sua memória seja esquecida.
A todas as guerreiras do Hip-Hop, seja em qual atividade exercida, meu amor a todas, que eu sei bem o que é ter que lutar contra tudo e todos por um sonho, um ideal.
A todos os homens, hiphoppers ou não, que nos humilham, maltratam e menosprezam. Obrigada por nos mostrarem que somos capazes de supera-los!






sexta-feira, 7 de maio de 2010

Trindad lança a primeira mixtape

Com um ritmo e uma pegada diferentes, o MC de Poços de Caldas inova no cenário musical gospel

por Jéssica Balbino, especial para o Central Hip-Hop

Desde a infância ouvindo sons como Thaide, DJ Hum, Racionais MCs e Império Z/O, o jovem Bruno Silva Luiz, 20 anos, evangélico e funcionário de um posto de gasolina, não teve dúvidas quando resolveu se tornar MC de um grupo de rap gospel, em Poços de Caldas, Minas Gerais. Ele lança agora a sua primeira mixtape com sete músicas, as quais ele acredita que devem impulsionar a carreira.




O gosto pelas composições e pelo canto o acompanham desde muito criança, quando ele escrevia as primeiras letras e cantava em cantatas, festas e até mesmo solo no coral. “Eu sempre me imaginei compondo e cantando minhas próprias músicas. Comecei a fazer isso porque sempre gostou e hoje tenho amor à profissão”, conta. Artisticamente, o nome se torna Trindad e apesar de lembrar a trindade divina, China vem só ao empunhar o microfone e cantar. A explicação está na trajetória do MC, que inicialmente cantava com dois parceiros e a soma dos três, no palco, se tornou Trindad após terem sido, por um breve tempo os “Eybycys”.

Apesar de ser solo, a mixtape traz várias participações de rappers e grupos de várias quebradas da cidade. A inspiração para compor os raps gospel vêm da frequência numa igreja cristã. “Vejo várias pessoas orando e cantando em línguas. Isso é uma forma de adoração e eu carrego o rap comigo. Quando me apresento, é uma forma de adorar a Deus e agitar o público. Busco um trabalho feito com a alma e o coração”, coloca.





Após o lançamento das faixas, China espera que elas cheguem aos ouvidos do maior número de pessoas. Entre os objetivos que o jovem tem, um deles é popularizar o rap entre as pessoas. “Apesar de ser um estilo da periferia que já se espalhou pelo mundo, quero que as pessoas conheçam o Trindad”, diz. De fato, o primeiro trabalho traz uma pegada diferente e consegue ser gospel sem ser repetitivo ou até mesmo cansativo. As letras são conscientes e fáceis de serem acompanhas na voz clara e nítida do MC.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Sonhadora

O texto abaixo é parte do livro "O homem que conhecia as mulheres", de Marcelo Rubens Paiva.
Eu li, pela primeira vez, em 2006 e me identifiquei muito com vários perfis, mas, nos dias em que estou vivendo, coisas peculiares e particulares me chamaram novamente atenção ao texto. Tanto pelos elementos como pelo próprio escritor.
Na minha vida, a literatura do Marcelo sempre foi um marco. Muito do que sou hoje devo às horas debruçada sobre os textos dele, deliciando cada palavra como se fosse sonho fresquinho de padaria em tarde de clima ameno na praia.
Neste livro, especialmente, ele traz o perfil de várias mulheres, mostrando que realmente as conhece e dentro dos muito estereótipos, com algumas que, inclusive são jornalistas, escritoras e leitoras vorazes, me identifico especialmente com a Sonhadora.
Quem me conhece sabe que só o título já define boa parte do que sou.



Faz o segundo grau a noite. Mora em Cidade Itapeva, zona sul, pega o ônibus até o metrô Capão e o trem da CTPM em Santo Amaro para ir ao trabalho. É depiladora de um salão a que vão meninas legais, como uma carioca que vive reclamando do trânsito e uma doidinha que sempre chega de manhã com cheiro de pinga.
Lê Ferréz, Clarice e a revista Caros Amigos. Frequentava os saraus da Cooperifa e começou a fazer teatro no CEU Butantã, mas o namorado proibiu. Gosta de Plínio Marcos, 50 Cent, Cazuza e, lógico, Racionais ! Adora cinema brasileiro. Se tivesse tempo e grana, veria todos os filmes. É fã do D2, apesar das amigas acharem que ele virou palyba. Teve um sonho erótico com o BNegão, que toca com ele. Vota no PC do B. Até pensou em ir à Parada Gay, dançar com as amigas, mas era dia de visita, tinha de ir ao Cadeião de Pinheiros. Seu namorado, Wellington, está lá. Furto. Puxou um ano. Sai por bom comportamento. Ela estava no trem da CTPM num domingo, indo pegar o namorado, quando caiu a força e a composição parou. Dava para ver a manifestação no prédio grande ali na marginal. Ao lado daquele esqueleto abandonado. Parecia a inauguração de uma loja de bacana.
Ela pensou que seria bacana se trabalhasse ali como vendedora, e Wellington, como manobrista.
Depois, lembrou, ele não sabe dirigir. Ela quer se casar e ir embora com ele, morar numa praia, sumir daquela cidade desumana, tirá-lo daquele círculo que consome a si mesmo ! Ela sempre se lembra do fim de semana que passaram juntos em Cananéia, torrando um dinheiro que ele faturou não se sabe como; ela não perguntou. Foi o fim de semana mais feliz de sua vida. O trem voltou a andar. Ela vai encher Wellington de beijos e carinho. “Voltamos de ônibus. Ele pode ver esses bacanas e pensar besteira, pra me levar para a praia”, pensou preocupada. E depois sorriu. Ligou o walkman e ouviu Nova Visão, do BNegão.



Marcelo Rubens Paiva



segunda-feira, 3 de maio de 2010

Poesias para o trabalho

Trabalhar nem sempre é fácil. Para maioria dos brasileiros, a escravidão ainda é bastante presente e a senzala só mudou de nome: empresa !
Por isso, o pessoal do projeto
Literatura Suburbana lançou o livreto Poesias para o Trabalho no último sábado (1º), com sarau e um evento muito importante !
O bacana é que o livreto conta apenas com participações de autores periféricos, de vários estados brasileiros.
Cerca de 30 textos foram recebidos e destes, 11 escritores foram selecionados, entre eles:


Gabriel Borghi
Jean Marcus
Regicida
André Ebner Silva
Juninho 13
Jéssica Balbino
Anderson Lima
Renata Cirilo
Bruno Pastore
Akins kinte
Matheus José


Não vejo a hora de receber o meu também ! Vêm ânimo para trabalhar !


A poesia não para

(...) não para não, não para (...)

E é assim que eu me sinto depois de um fim de semana acompanhada do grande poeta Sérgio Vaz, super inspirador na minha vida.
Larapiei o texto que ele colocou no blog dele, porque está tã bem escrito que não vou me aventurar em escrever muito mais.
É exatamente isso.

Aos que foram, meus sinceros agradecimentos ! Tá junto, tá junto !



Povo lindo, povo inteligente,
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neste final de semana fui participar de um bate-papo na feira de livros de Poços de Caldas, que aliás, é uma das cidades mais lindas que já visitei , linda mesmo. Parece um cartão postal.
O debate foi intermediado pela amiga e jornalista Jéssica Balbina, então já sabe, o bate-papo ficou ainda mais interessante. Ah, também conheci a mãe dela, Dona Elza, uma pessoa muito bacana.
O Otávio júnior, do projeto "Ler é Dez" de manguinhos-RJ, o Tiago e o Lucas também colaram para prestigiar o bagulho, depois fomos todo mundo tomar um chopp com picanha à mineira. E o debate continuou na mesa do bar. Delícia.
Queria agradecer a acolhida que tive por essa gente maravilhosa de Minas Gerais, me senti em casa. Foi da hora mesmo. Eles, meus novos amigos, ficaram de vir ao sarau desta quarta-feira, oxalá dê certo, serão bem-vindos.
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É isso. A Poesia não pára.
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Sergio Vaz


Eu te elogio mesmo !


Dona Elza (arre ! égua)


Queria ter vivido melhor, porém


Cadê a Marilda, Sônia?



Os miseráveis

Não é o Zé Batidão, maaaas

Leopac no Noticiário Periférico

Aê, nóisquetá !
O progresso tá chegando e meu irmão, Leopac tá Noticiário Periférico, com uma entrevista bem abrangente !
Confiram o som deste rapper que manda muito bem em Minas Gerais !