Hip-Hop - A Cultura Marginal

Texto do livro de Jéssica Balbino é inserido em livro didático do Estado Rio Grande do Sul

TRAFICANDO CONHECIMENTO

Entrevista com a jornalista e escritora mineira Jéssica Balbino, militante do movimento hiP-hop, representante da nova literatura marginal brasileira

FEMININA EM FOCO

"Em meio a tantas armas que eles podem escolher no jogo real do “matar ou morrer”, o hip-hop escolhe a maior de todas as armas: a cultura. Uma cultura marginal, mas que não é propriedade dos grandes, não é da elite nem da burguesia. É a cultura de quem foi capaz de criá-la e levá-la adiante. É a cultura das ruas, do povo” (Jéssica Balbino)

PERIFERIA EM MOVIMENTO

Mineira multifacetada. Assim definimos Jessica Balbino, que é autora do livro “Traficando conhecimento”, jornalista e assessora de imprensa. Abaixo, uma entrevista que fizemos com ela.

Jéssica Balbino participa de livro coletivo de “Poetas do Sarau Suburbano”

Jéssica Balbino é jornalista e escritora, nasceu e vive em Poços de Caldas, mas permanece antenada com o que acontece pelas periferias do Brasil. O primeiro livro foi escrito com sua parceira Anita Motta,“Hip-Hop – A Cultura Marginal”. Ela também participou da coletânea “Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil”, organizado por Alessandro Buzo em 2007

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Meu encontro com Ferréz

"Felizes são os puros de coração. Os que tem sede de justiça, os que praticam perdão, os que buscam alívio, paz, libertação. Os humildes, os corajosos, aí, os que tem fé (...)" (Dina Di)

E assim, de uma forma que eu sequer imaginei que encontrei, pessoalmente, um ídolo. Não daqueles de arrancar os cabelos e gritar histericamente na frente de seguranças, mas alguém que sempre me ensinou, mesmo à distância e de uma maneira não-professoral, como eu deveria ser e que caminhos deveria seguir.
Por meio da arte, da literatura, do hip hop e da expressão, Ferréz, que entrou no meu cotidiano com textos na Caros Amigos foi o responsável por eu estar, na terça-feira, dividindo o palco com ele.
Poderia ficar horas escrevendo sobre o encontro, a emoção e os ensinamentos. Mas, talvez seja algo que eu queria guardar por enquanto, ou ir fazendo aos poucos.
Agradeço, de coração, aos amigos que foram e que tiveram coragem de me prestigiar, afinal, para mim, a vida é dos guerreiros de fé.












E você, o que acha do Hip Hop?

por Jéssica Balbino
especial para o blog Japão Viela 17 - 20 anos de história

“Eu odeio hip hop. É música de preto, pobre e marginal”. Ouve-se, diariamente, tanto de quem está fora como de quem está dentro.A diferença entre cultura e tipo de música se limita pela ignorância e os elementos como DJ, MC, break, graffiti e conhecimento ficam renegados e taxados apenas de estilo de música, que alguns preferem não ouvir e achar ruim do que conhecer e adentrar num mundo fantástico.Deixo claro: se você reconhece o hip hop apenas como um estilo de música, pare de ler este texto. Aqui eu falo sobre cultura, sobre movimento, idealismo, vontade de mudança, elementos artísticos e mais um monte de coisas chatas, que só existem na periferia, como por exemplo os muros coloridos e graffitados, os sons ligados no último volume com um rap nacional entoando a realidade do local, e pessoas dançando pela rua, com passos esquisitos, calças largos e cabelos estranhos.Você não vai gostar. Continuar na frente da televisão é mais seguro do que adentrar no universo dos escritores marginais. Você pode saber que é infeliz. Pode perceber que o governo não lhe dá sequer o mínimo e que você tem que trabalhar quase meio ano, ganhando salário, para pagar impostos.Não dá para encarar a prosa ágil dos MCs e escritores dos guetos. Feche a porta pelo lado de fora.



Não se esqueça de apagar a luz ao sair. O povo do lado de cá da porta do barraco tem iluminação própria, acima da cabeça, com as ideias que não param de fluir, alimentadas pela barriga vazia.Tudo isso é muito para você. Os pretos, pobres e marginais estão criando as próprias regras e vai ser duro demais agüentar.Estamos em guerra: podemos te atingir pelas palavras proferidas ao microfone, embaladas pelas batidas de um DJ, nossos giros e passos sincopados podem te fazer quebrar o pescoço ou fundir a cabeça ao tentar acompanhar. As cores dos nossos graffitis podem lhe causar vertigem e tontura.As palavras dos nossos livros são duras demais e o nosso português incorreto pode te deixar com náuseas. Se você vomitar e passar mal, não temos posto de saúde e nem hospital. Plano de saúde é lenda. E a consciência de que nós, os pobres, pretos e marginalizados, estamos escrevendo enquanto você nos impedia de ler, pode lhe causar problemas de saúde irreversíveis.Dá medo ver crianças armadas com poemas, letras de rap e discos. É apavorante ver os novos quilombos cheios de gente disposta a mudar a realidade a sua volta.Fuja enquanto ainda é tempo. Os enlatados já vem prontos. Não exigem esforço para pensar.Mas, não tente nos enfiar goela abaixo. Gostamos de autenticidade. Queremos o futebol de várzea, o break natural do gueto, as letras feitas pelos próprios parceiros e a litera-rua que promove a (r ) evolução.Nós também fazemos ameaças: não tente nos calar. Somos o grito de um povo oprimido que se faz audível em todas as direções. Somos o hip hop, a união de movimento, arte, expressão, paz, amor, soluções, lutas e igualdade de direitos.Temos pena de você, que nos acredita apenas como música... Estamos muito além, mudando e crescendo a cada dia. É tudo nosso.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Bullying: a violência disfarçada de brincadeira



por Jéssica Balbino e Wagner Alves





Poços de Caldas, MG, 18/04/10 – "Quem quer brincar põe o dedo aqui/que já vai fechar/e nunca mais abrir". As crianças se agitam e tentam encostar um dedo na mão aberta de quem começou a brincadeira. A menina gorda corre e tenta alcançar a mão. Consegue, mas é empurrada por quem está em volta. Ela não entende e empurra também. A garota continua na roda. Alguém grita: "Ela não vai brincar de pega-pega. É gorda. Não vai brincar".
Um ri. Outro também. Começa uma sucessão de gargalhadas. Ela quase ri também. Leva algum tempo até perceber que todos estão rindo dela.
"Você não vai brincar. Vai ficar olhando". É a satisfação que dão. "Por que?". "Porque não queremos. Você é gorda".
Muitos a apontam, cochicham e continuam rindo. A garota gorda sou eu.
Tenho quatro anos e estou no Jardim I, o equivalente à iniciação escolar de hoje. Afasto-me e tento conter o choro. Não entendo exatamente o que está acontecendo. É a primeira vez que me impedem de fazer algo porque sou gorda. Até então, só tinham me proibido de fazer arte e as regras valiam para todas as crianças. Por que eu não podia brincar? Será que se eu fosse magra eu poderia me divertir com eles? Até aquele dia, meus quilos a mais nunca representaram um problema. Pelo contrário. Os adultos me achavam fofa e gostavam de me segurar no colo.
O sorriso deles durante a brincadeira me incomoda, mas, o que mais me machuca é que uma das garotas vem até mim e grita, na minha cara: gor-da ! Assim mesmo, bem sonoro. Não aguento. Começo a chorar. Talvez se eles perceberem que eu estou triste ficarão com pena e me deixarão brincar. Acontece o inverso. "A gorda agora está chorando. Chorona! Chorona!". Quanto mais gritam, mais eu choro.




O presente e as marcas



Tenho 24 anos e na época não imaginava que ser ridicularizada por colegas de classe era algo que deixaria muitas marcas.
Hoje, este tipo de agressão tem nome. O bullying, adjetivo que vem do inglês e significa "bancar o valentão" é tema de pesquisas acadêmicas, bastante debatido entre educadores.
Comigo não foi assim e levei muitos anos e horas debruçada sobre livros até superar os traumas causados pelos colegas de escola. Acuada, assisti mais partidas de vôlei, futebol e rodadas de pega-pega e esconde-esconde do que participei dos jogos. Sempre tinha alguém para me "proibir" de participar e rapidamente ganhar a simpatia de todo restante da turma. A tirania, muitas vezes incentivada pelos professores, me ameaçou, oprimiu e amedrontou. Por muitos anos, tive medo de, na escola, levantar a mão e participar da aula. Sempre que eu tinha alguma dúvida era vaiada e insultada. Sempre usavam o fato de eu estar acima do peso como defeito imperdoável.
Na adolescência, por meio da literatura e da cultura de rua com as quais me envolvi, percebi que a autoestima era mais importante e que, mesmo que eu pudesse estar inserida no grupo dos agressores, já não parecia ser tão divertido.
Não queria mais pessoas do tipo dos agressores próximas a mim. Desta vez fui eu que passei a ignorá-las e tratá-las com a mesma agressividade com que se dirigiram a mim durante toda a minha infância. Nunca tiveram medo de que isso pudesse me magoar. Mas sempre doeu.
Acho que as marcas de me sentir menosprezada ainda se fazem presentes, embora agora eu não me esforce mais para eliminar os quilos excedentes e não sofra com isso. Consigo me defender de qualquer forma de exclusão por este motivo.
Escrever minha própria experiência expulsa os demônios da infância e propõe a reflexão sobre os dados atuais.






A vítima visada



Eduardo é o mais novo garoto da turma. É também o mais baixo e o que ainda não entrou na puberdade. Por este motivo é retirado à força da fila da merenda. Vai para o último lugar. Quando se recusa a sair, toma murros no pescoço. Isso acontece todos os dias durante o recreio.
Na sala de aula, as humilhações não são diferentes. É vaiado sempre que levanta a mão e questiona alguma coisa com os professores.
Aos poucos, tem o rendimento escolar prejudicado e mente para os pais. Diz que não sente mais interesse em frequentar a escola. Não revela que sofre violências físicas e psicológicas todos os dias. Tem medo de parecer fraco diante da família.
Os pais pensam que ele é preguiçoso e a vergonha de admitir que está sofrendo faz com que não revele a atual situação.
Essa cena aconteceu há 14 anos. Apesar de ainda carregar as marcas das agressões sofridas na época da escola, Eduardo Herrera hoje faz faculdade de assistência social, tem 24 anos e trabalha na empresa do próprio pai. Fica bastante tempo pensativo ao relembrar a época.
O problema ainda não era tratado com a mesma propriedade de hoje. O próprio jovem tem passagens sobre isso e conta que o irmão de apenas nove anos o corrigiu diante de uma brincadeira. "Eu brinquei e ele me disse que é bullying. Eles falam abertamente sobre isso na escola e até fizeram trabalho sobre o tema. Ele está completamente certo em me corrigir e dizer que a brincadeira não é legal", pontua.
Para ele, situações como as que teve que enfrentar poderiam ter sido evitadas se na ocasião o assunto fosse mais discutido, como acontece hoje.
"Sempre achei que seria uma decepção meu pai descobrir que o filho dele não era como os outros que sabiam se defender e principalmente atacar muito bem. Eu não tinha essa agressividade", conta.
Herrera acredita ter sido alvo do bullying por ser o mais novo e diferente da turma. "Eu apresentava certas tendências homossexuais apesar de, na época, não me reconhecer como tal. Isso era um prato cheio para os outros alunos. Cheguei a ser atacado até por meninas de outras turmas, que me chamavam de bonequinha e me chutavam no corredor", detalha.
A situação dele vai ao encontro da pesquisa inédita realizada no país. Os dados mostram o perfil do estudante que convive com o bullying no ambiente escolar.




"Freio-de-burro"



Eu tinha dez anos de idade e devido a uma queda, em que bati os dois dentes de leite da frente na quina de uma cama, os permanentes nasceram enormes e para fora da boca. Usei aparelhos fixos e móveis durante seis anos durante a pré-puberdade.
Diante esse quadro, meus "coleguinhas" da escola passaram a chamar maldosamente de robocop, já que eu era obrigado a ir às aulas munido do aparelho taxado de "freio de burro" e já nessa idade usava óculos para corrigir uma generosa miopia.
Por um bom tempo, tive receio de fazer perguntas aos professores e sair da sala quando batia o sinal do recreio. Os amigos que se aproximavam eram logo excluídos do resto da turma também, o que me isolava cada vez mais.
Apesar dos diversos problemas que essa exclusão me trouxe, aprendi a ser autodidata para compensar a vergonha da pergunta aos professores.
Vergonha que contribuiu para que eu aprendesse a lidar rindo dos meus próprios defeitos. Confesso que cresci muito com as críticas que recebi durante minha infância, uma vez que aprendi a aceitar meus defeitos precocemente.
Entretanto, compreendo também que nem todas as crianças têm essa capacidade e, na maioria das vezes, carregam péssimas consequências para o resto da vida em função de bullyng.
A minha situação vai ao encontro da pesquisa inédita realizada no país. Os dados mostram o perfil do estudante que convive com o bullying no ambiente escolar.
Pesquisa
Os meninos foram identificados como sendo as maiores vítimas, e, também, os maiores agressores.
O levantamento realizado no segundo semestre de 2009 pela Ong Plan Brasil indica que 34,5% dos meninos já sofreram maus-tratos na escola, sendo 12% vítimas de bullying, contra 7% das meninas. Já no papel de agressor, os meninos aparecem com 12,5% de autoria e as meninas com 8%.
Dos alunos ouvidos, 70% dizem que já presenciaram cenas de agressões entre estudantes, enquanto 30% vivenciaram situações violentas. Desse montante, o bullying foi praticado ou sofrido por 10% dos alunos.
Foram colhidos dados de 5.168 estudantes das cinco regiões do país. Em cada região, foi verificado o comportamento de alunos de cinco escolas, sendo quatro públicas e uma particular. Ao todo, em todo o Brasil, a pesquisa foi realizada em 20 escolas públicas e cinco particulares localizadas nas capitais e interior dos Estados.
Geralmente, as vítimas se diferenciam dos demais colegas de escola por apresentarem alguma diferença determinante, seja de raça, cor da pele, obesidade, uso de roupas ou objetos diferentes, ou ainda pelo status socioeconômico.
A pesquisa mostra que tanto as vítimas como os agressores perdem o interesse em frequentar a escola e sofrem prejuízos em relação ao aprendizado.
Isso pode ser constatado pelo depoimento da fotógrafa Juliana Brandão, que aos 10 anos era ridicularizada por estar na puberdade e ter os seios maiores que os das meninas da sua classe.
"O problema começou quando uma professora me envergonhou na frente de toda a classe. Eu levantei para entregar um trabalho e ela disse que eu já deveria usar sutiã, pois tinha os seios grandes. Foi muito constrangedor", relata.
Na pré-adolescência, Juliana carregou o peso do comentário durante muito tempo, por ser apontada como a "peituda" da escola. "Comecei a ficar complexada e dar mais motivos para as brincadeiras, como usar blusa de manga e larga. Na sala todos mexiam comigo e isso se estendeu por muito tempo".
Na própria mente, Juliana só seria aceita se fizesse uma cirurgia e reduzisse o tamanho dos seios. As brigas com os colegas de classe eram frequentes diante das gozações, mas ela se sentiu "vingada" quando pode recusar várias ofertas de revistas masculinas para posar nua, após participar de uma edição do Big Brother Brasil (BBB). "Na época que não pensei muito nisso, mas depois entendi que coisas ótimas estavam acontecendo na minha vida. Confesso que me senti vingada de tudo que sempre falavam de mim", considera.






Avaliações e sugestões



Questionada sobre os problemas do bullying, a psicóloga especializada em psicopedagogia Luiza Helena Ribeiro do Valle considera que os fatores que culminam com o fenômeno sempre frequente nas escolas são os culturais e podem influenciar também as atitudes dos pais em relação ao comportamento das crianças. "Os pais e educadores devem estar sempre atentos e observar mudanças comportamentais nas crianças e adolescentes, porque isso pode ser muito grave. Eles se sentem tão retraídos e envergonhados que não conseguem pedir ajuda e quanto mais tempo a situação se prolongar mais difícil será".
Para ela, muitas vezes, a vítima é quem dá espaço ao agressor. "Os agressores escolhem vítimas dentro de características que eles possam intimidar, por isso se aproximam de quem demonstra mais fraqueza e vulnerabilidade. Acredito que se eles forem reprimidos, a situação tem um fim, por isso a vítima precisa ser atendida e encontrar segurança para reagir", pontua.
Situações como a enfrentada por Eduardo, que não tinha em casa o apoio familiar que necessitava, são as mais perigosas, segundo a psicopedagoga. "A criança que sofre estas agressões precisa se sentir segura e só vai encontrar isso em casa, com os pais, que são os responsáveis por ela e que podem tirá-la desta situação".
Se tal situação não for descoberta, como a criança ou adolescente ainda passam por fases de formação, isso pode desencadear problemas psíquicos e até mesmo biológicos, como a dualidade de ter uma vida ruim no colégio e amigos fiéis no bairro, no caso de Eduardo. Isso fez com que ele tivesse problemas. "Parecia que eu tinha que encarnar o personagem bobo de segunda a sexta-feira".
Para ele, o problema não foi completamente superado. "Muitas vezes me reconheço com complexo de inferioridade ou então extremamente agressivo, principalmente ao receber ordens. Acho que tudo isso vem do que passei na infância. Fiz anos de terapia e aprendi a aliviar algumas dores e arrumar um pouco as coisas dentro de mim, mas tem marcas que não somem".
De acordo com Luiza Helena, tais traumas afetam a forma de atuação da pessoa. "Muitos educadores percebem isso, mas por incapacidade fortalecem a ação dos agressores e valorizam esse tipo de comportamento. Às vezes até mesmo os professores ficam intimidados e se submetem às gozações, o que prejudica, talvez de forma permanente, as vítimas", diz.
Uma professora da rede particular de ensino afirma que conhece casos de alunos que sofrem o bullying e muitas vezes alguns professores são acusados injustamente. "O problema de um professor ser acusado de bulling é, às vezes, apenas o professor pegando no pé para que eles se esforcem mais ou utilizem todo o potencial", conta a professora.
Ela ainda acredita que o aumento verificado pela pesquisa seja resultado do reconhecimento do bulliyng somado a um aumento real da prática principalmente na escola. "Existe a facilidade maior do diagnóstico a partir do momento em que o fenômeno ficou mais conhecido. Também, essas atitudes tendem a ser banalizadas pela escola, isso faz com que o número aumente. Como na verdade a violência em si tem uma tendência a ser banalizada quando reiterada", explica.
Já a psicóloga pensa que para lidar com a situação, o país, ao ter suas próprias pesquisas sobre o tema, já tem avançado. Durante uma capacitação que está participando, o tema, voltado ao estresse causado pelo bullying já foi debatido. "É fundamental falar sobre isso, desenvolver o tema nas escolas e em ações de resgate de cidadania. Se a escola formar indivíduos melhores teremos pessoas melhores num geral", finaliza.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Literatura Marginal ou Periférica?



Acontece amanhã (27) no Flipoços a palestra master com o escritor Ferréz com o tema "Literatura Marginal ou Periférica?".


O escritor vem pela turnê Selo do Povo, que faz um passeo poético pelas quebradas do mundo !


Fui convidada pela organização - GSC Eventos - para participar com ele do debate !


Ó o tamanho da honra e responsa !


Então fica assim, a gente se encontra, poeticamente, amanhã às 19h30 na Urca.


Vale lembrar que o ingresso é um livro usado e em bom estado.


Mais informações podem ser obtidas no site http://www.feiradolivropocosdecaldas.com.br/







E no sábado, ás 17h30, tem palestra com o Sérgio Vaz ! Também estarei lá ...
feliz por ver a literatura marginal invadindo Poços !


quinta-feira, 15 de abril de 2010

GRAFFITI

Polêmica sobre arte urbana marca competição


Jéssica Balbino


Poços de Caldas, MG, 11/04/10 – Arte urbana atrelada ao esporte. Esta é a proposta do 1º Red Hot Skateboard Festival, evento que oferece aos poços-caldenses um campeonato de skate nos próximos dias 17 e 18.
A proposta dos organizadores é mesclar esporte, DJs em pick-ups tocando e graffiteiros preenchendo a parede do half (pista) de skate.
Entretanto, por conta de um impasse junto à Secretaria Municipal de Esporte, pode ser que a intervenção urbana através do graffiti não aconteça.
De acordo com um dos organizadores, Felipe Lima dos Santos, a prefeitura, através da Secretaria de Esportes, autorizou o evento, mas não deu a autorização para que o graffiti fosse realizado. "Nossa intenção é dar cor à pista, é colocar um graffiteiro no local para trabalhar numa arte enquanto a competição acontece. Estamos tratando de arte e não de pichação. Conseguimos inclusive um patrocínio de uma loja de tintas para realizar a ação", coloca. De acordo com ele, a alegação da prefeitura é que recentemente a pista foi reformada e pintada, onde um graffiti já desbotado foi substituído por uma cor uniforme.
"Realmente o que existia no local já estava degradado. Era referente ao último evento que fizemos e trazia uma poluição visual. Por isso queremos fazer um novo, para colorir um pouco mais. A Secretaria alega que é poluição visual, eles acreditam que vão ter dor de cabeça, mas só queremos dar mais brilho à pista", explica.




Polêmica
Procurado pela reportagem, o secretário de Esportes Carlos Alberto dos Santos, conhecido como Lelo, esclarece que a execução do graffiti ainda não foi liberada porque os organizadores do evento não apresentaram um esboço do que será executado. "Não tenho como autorizar algo que não sei como será. Preciso ver, num projeto que eles ainda não me entregaram, o que será feito na parede. Não posso autorizar qualquer coisa, mas adianto que a Secretaria está apoiando o evento, o campeonato. Agora esta questão do graffiti é que está pendente e depende deles", rebate.
A competição busca valorizar a cultura de rua, que é o skate, e propiciar diversão aos adeptos do esporte na cidade.
"Vamos ter duas categorias: amador e iniciantes e também uma premiação bastante chamativa", informa Felipe.
Os prêmios vão de troféus a produtos como tênis de skate, peças e camisetas e os interessados em competir devem fazer uma inscrição, que pede também 1kg de alimento não perecível, que deve ser doado a uma instituição que cuida de dependentes químicos da cidade.




Opiniões
Para os adeptos da cultura de rua e da arte, a não autorização do feitio do graffiti traz protestos.
O rapper Renan Lelis, 25 anos, MC do grupo Inquérito, encara a atitude da Secretaria como preconceituosa numa época em que graffiteiros ganham espaços de grandes galerias. Como os irmãos Pandolfi, conhecidos como osgemeos, e que hoje são destaques na exposição Vertingem, que está percorrendo o país e atualmente é exibida em Brasília, além de terem graffitado, a convite, um castelo em Glasgow, na Escócia.
"É um pensamento um tanto preconceituoso, porque as galerias de arte dos graffiteiros são justamente as ruas. Nossos ‘Van Gogh’ são os moleques de spray na mão", diz.
Já o jornalista Guilherme Bryan, autor do livro "Quem tem um sonho não dança", que trata sobre a juventude nos anos 80 e traz passagens sobre a arte do graffiti, acredita que, pela própria natureza, é uma ação não permitida. "Uma vez que alguém ceda um muro da casa ou um espaço num ateliê, o que o artista realizará é um mural e não um graffiti. Por isso, considero irrelevante ter ou não autorização. Os artistas devem ir lá e graffitar tudo à vontade. Apenas haverá um problema de fato se resolverem mandar a polícia para lá, como aconteceu tantas vezes quando muitos espaços eram graffitados nos anos 80, como em São Paulo, no caso do túnel da avenida Paulista, que se tornou um marco da arte na cidade", dispara.
O graffiteiro Leonardo Pereira dos Santos, 22 anos, conhecido como Leopac, lamenta a não autorização por parte da Secretaria. "É como separar criança de doce. O graffiti é da cultura urbana, assim como o skate. Ambos são como irmãos. Não podemos decapitar as partes. A falta de autorização não é justa, afinal, ninguém tem direito de separar o que está dentro de uma cultura".
O DJ e historiador Marcelo Kurts Santos, 34 anos, é direto: "graffiti é arte e os graffiteiros não precisam provar mais nada."
Já o técnico em informática e adepto da cultura hip hop, Jefferson Leandro Nunes dos Santos, 21 anos, vai mais além. "Eu acho ridículo que ainda existam pessoas que são contra o graffiti, que, como todo mundo sabe, é arte. É uma das coisas mais bacanas da nossa cultura de rua. O ideal é que toda rua tivesse um muro graffitado, pois dá um visual muito bacana. Diferente do cinza que preenche os muros. É deselegante ver que as pessoas querem parar esta evolução cultural", pontua.
O editor do portal Central Hip Hop/BF na internet, Diego Pereira, 35 anos, conhecido como Noise D, acredita que diante deste fato tudo depende das circunstâncias. "Nesse caso me parece uma atitude pouco compreensiva por parte da Secretaria. Afinal, o skate tem forte ligação com a cultura de rua e um graffiti num espaço como esse só agregaria valor ao local dedicado ao esporte", considera.
Entretanto, apesar da polêmica, o campeonato de skate acontecerá normalmente.





Serviço – Os interessados em se inscrever no campeonato podem conseguir mais informações através dos telefones 8834-9146, 8804-9393, 9133-6071e 8851-7295.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Interiô

Grife do sul de Minas lança novo catálogo

Valorização de expressões regionais são destacadas através da grife urbana Interiô




Criada com o objetivo de valorizar o regionalismo, a grife de roupas Interiô, que confeciona a moda das ruas no sul de Minas Gerais lança um novo catálogo.
Com preços populares, as roupas idealizadas pelo MC MB2, também conhecido como Bebeto, do grupo UClanos trazem um estilo diferenciado para as quebradas de Poços de Caldas e também da região.
Modelos masculinos e femininos, em variadas cores e estampas definem a vestimenta de muitos jovens e ainda articula a região, estampada nas camisetas, baby looks e moletons.
Vestir a moda das quebradas, aderida por grupos de rap, de dança, de ska e até mesmo cantores de MPB é muito fácil.
As encomendas podem ser feitas através da internet e as camisetas são enviadas pelo correio mediante depósito + comprovante + frete.

Interiô - Compre já a sua:


Preços: Camisetas R$ 25,00 / Baby Look Feminina R$ 22,00

Cores: Preto / Branco / Verde Musgo / Vermelho / Cinza Chumbo / Marrom

Tamanhos: PPP / PP / P / M / G / GG / EG /















Serviço:

Site: www.flickr.com/interiostreetwear
Contato: 035 - 9155-5177 / 035 3722-5919
Msn: cemporcentonegro_2@hotmail.com
Email p/ vendas: bebetomoraes@yahoo.com.br




"A vida é mesmo coisa muito frágil, uma bobagem, uma irrelevância..." (Nando Reis)








E foi assim que me senti quando recebi a notícia de que meu cabeleireiro, o Luiz Souzart tinha falecido.


Vítima de um infarto fulminante, ele deixou este mundo na manhã de segunda-feira (12) quando foi encontrado pelo irmão.


Caído no banheiro da própria casa, ele já estava morto há aproximadamente três horas, segundo constataram os médicos e enfermeiros do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).


A tristeza da notícia me fez refletir e questionar comigo mesma a leveza e grande besteira que são a vida e a morte.


Ele morreu sem realizar o maior sonho que tinha: abrir uma fábrica de comésticos capilares. Faltou apenas uma autorização da Vigilância Sanitária, que por conta da burocracia, tem levado anos para fazer uma vistoria. Isso impediu que ele sorrisse, satisfeito, por ver o sonho realizado antes de partir.


A morte dele o impede de criar as duas filhas, a quem ele tinha tanto amor e falava com os olhos brilhando sobre as descobertas das duas.


Impediu ainda que ele arrumasse o cabelo da noiva do filho, que vai se casar no próximo ano. Impediu que ele passasse a mais pessoas o dom de cortar cabelos magicamente e semelhantemente ao Edward, mãos de tesoura.


Por outro lado, vejo pessoas mesquinhas, egocêntricas e egoístas que ameaçam se matar diante de qualquer bobagem como uma briga conjugal, ou que brigam por coisas mesquinhas e se esquecem de aproveitar a vida.


Ele não pode se perpetuar. Os cabelos que ele cortou crescem. A tintura que ele fez desbota e todo legado vira apenas lembrança.


Sei que nunca mais terei um cabeleireiro tão bom e competente, que cortava meu cabelo com a navalha e o deixava perfeito e uniforme. Que gastava horas e mais horas encontrando o tom ideal para o meu cabelo, fazendo mechas californianas, descolorindo, encontrando o roxo ideal, o rosa vibrante e até mesmo o laranja berrante.


Desde os cinco anos que eu corto cabelo com ele e todas as vezes que me arrisquei à tesouras em outras mãos, fiz bobagem e apareci pra ele, chorando e pedindo pra ele consertar.


Pacientemente, ele sempre conseguiu dar um jeito. Até mesmo recuperou uma franja cortada torta e muito curta.


Com o tempo aprendi que só ele sabia o que fazia no meu cabelo e deixei, na última vez que estive no salão, ele se realizar e encurtar minhas madeixas, do meio das costas para acima do ombro.


Ele tinha uma vontade incrível de cortar o meu cabelo e eu permiti que ele o fizesse. Sem saber que partiria.


Dois dias antes de morrer ele ainda orientou a mim e a minha mãe sobre qual secador de cabelo era bom e qual deveríamos comprar. Compramos um igualzinho ao dele.


Ficam as lembranas, os sonhos e a vontade de encontrar alguém que dê sequencia a empresa que ele estava abrindo. Que venda os mesmos comésticos, a preços acessíveis e qualidade impecável.

Ele partiu sem que soubéssemos qual era a encomenda que ele gostaria que entregássemos, na próxima sexta-feira, a um grande amigo que hoje vive em Porto Seguro.


A irrelevância da vida permitiu com que ele partisse antes de todo mundo e antes de si mesmo. Com muita vontade de viver, dignidade e honestidade.


Com esta morte, neste ano, somam-se três pessoas queridas que se foram: Tia Nézia, Dina Di e Luiz.


Penso em como serão os dias seguintes às famílias, a quem fica, a quem era acostumado, ao que vai se seguir e em como a mesquinharia toma conta.


Me entristeço por saber que os atrasa lado estão presentes a todo tempo e que ninguém faz nada por ninguém, mesmo sabendo que a vida é muito rara.


Quero que ele descanse em paz, e que, em algum lugar, inspire as pessoas próximas com tanta sabedoria para cortar cabelos, tingir, escovar e fazer maravilhas. Sem nunca perder a humildade e o talento.





Luiz, querido, vai em paz ! Quem sabe um dia a gente se encontra aí em cima e aí eu deixo você cortar meu cabelo curtinho e fazer mechas praianas, cor-de-rosa !


Humildade sempre, guerreiro !






E o último corte de cabelo que ele fez em mim foi este, após tantas escovas diferentes, tantos penteados, tantas formaturas e casamentos.

PAZ.
Jéssica Balbino

domingo, 11 de abril de 2010

Concurso Literário

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA 6º CONCURSO LITERÁRIO DE SUZANO
A boa notícia é a que o escritor Sacolinha está divulgando.
Vai rolar o 6º Concurso Literário de Suzano e o regulamento já está disponível. Neste ano, a homenageada será a primeira autora periférica do Brasil, Carolina Maria de Jesus, que escreveu Quarto de Despejo, obra que completa 50 anos agora, em 2010.



Concurso Literário
Segue anexo o regulamento do 6º Concurso Literário de Suzano, que homenageia a escritora Carolina Maria de Jesus, autora do livro Quarto de Despejo - Diário de uma favelada que este ano completa 50 anos de sua publicação.
São R$ 3.600,00 em prêmios mais a publicação dos 20 primeiros trabalhos na revista Trajetória Literária nº6, que é distribuída também em outros países de Língua Portuguesa.
Mais informações sobre o concurso e a ficha de inscrição, acesse: www.suzano.sp.gov.br/agendacultural ou www.literaturanobrasil.blogspot.com


Escritora Homenageada

Vídeo-Literatura/Projeto Experimental


Não deixe de assistir a experiência áudio-visual que os escritores da Associação Cultural Literatura no Brasil - Suzano, desenvolveram através do Vídeo-Literatura. São 8 escritores que interpretam seus próprios textos entre cordel, poesia e crônica, diante da câmera.

Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=pLlmDv7vNik

Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=kKj6jJL_lGE&feature=related

MAIS NOVIDADES

Vem aí os livros:

PERIPÉCIAS DE MINHA INFÂNCIA¹

(Infanto-Juvenil)

E

ESTAÇÃO TERMINAL²

(Romance)

do autor

SACOLINHA


Agosto de 2010
Ademiro Alves (Sacolinha) tem 26 anos, nasceu na cidade de São Paulo e é formado em Letras. É escritor, autor do romance “Graduado em Marginalidade” (2005) e do livro de contos “85 Letras e um Disparo” (2007) em sua 2ª edição pela Global editora. Atualmente trabalha como Coordenador Literário da Prefeitura de Suzano.
¹ Livro selecionado pela Bolsa Funarte de Criação Literária 2009- Ministério da Cultura

² Livro selecionado pelo Programa de Ação Cultural nº 15 – Secretaria de Estado da Cultura/SP.


Mais informações Sacolinha

E bora produzir !


PAZ
Jéssica Balbino

sábado, 10 de abril de 2010

DESABAFO

"Eu sei que tem aí, na vida é o que mais tem...uma pá de atrasa lado que não quer ver meu bem... pra quem quer me fazer o mal vou dizer: Não há derrota que derrote alguém que nasceu pra vencer


Por isso, digo a todos aqueles ATRASA LADO que tão por aí, querendo barrar meu caminho, que nada disso me afeta, até porque como dizia Dina Di " eu só quero saúde disposição pra lutar pra chegar até o fim "
E isso eu tô conseguindo, graças a Deus.
Bastante inspirada, no último mês, pelos sons da Rainha do Rap, tenho enfrentado muitas guerras e batalhas, quando mais perto fico do meu destino e da minha vitória, mais difícil, mas tudo é música, poesia e tudo é nada sem Deus no coração ! Não há nada pior do que a falta de fé !



Procuro na fonte do conhecimento das águas que curam e regeneram por dentro !

Envolvida nisso, no meu mundo, na minha verdade, na minha profissão, vou fazendo acontecer e quem é não precisa dizer, todos sabem !
Nóisquetá !




Sou guerreira do Rap (e do hip hop), linha de frente... Porta bandeira, peito equivalente !
Vim do gueto, anonimato, não tenho preço, MULHER DE FATO !

COLETIVO CORRENTE CULTURAL

Agora é pra valer. Estou dentro do Coletivo Corrente Cultural, projeto idealizado por vários parceiros de Poços de Caldas.
Congregar a cultura mas mais variadas formas é o objetivo do projeto. Oficialmente, entrei nos staff do site hoje. Confiram: Corrente Cultural

quinta-feira, 8 de abril de 2010

LANÇAMENTO

Inquérito lança clipe da música Mister M

Para comemorar o lançamento do vídeo clipe Mister M, o grupo Inquérito reúne nesta sexta - 9 de abril, amigos e fãs no Laura's Club, em Campinas. Com a participação de Total Drama e Mutação Sonora, a festa ainda terá a presença de Dj's e um telão especial onde o clipe será exibido.


O vídeo clipe da música Mister M, gravado e editado por Vras77, foi lançado no dia 24 de fevereiro ja alcançou mais de 20 mil exibições no Youtube. A música é um single do terceiro disco do grupo, entitulado Mudança que está previsto para ser lançado no segundo semestre deste ano.

Serviço: Lauras Club
Rua Paula Bueno, 235 Taquaral
Campinas -SP
09/04 - sexta-feira, a partir das 23h
Homem R$10,00
Mulheres Free até as 00:00hs


As novidades não param por aí. O clipe estreia na próxima terça-feira (13) no LAB MTV.


O disco MUDANÇA, contará com participações de peso do rap nacional,
tais como EMICIDA, CAGEBÊ, DBS, e FACÇÃO CENTRAL e REALIDADE CRUEL na mesma música.

Acesse também:

AGENDA DO INQUÉRITO EM ABRIL:

9/4 CAMPINAS-SP (Lançamento MISTER M)

17/4 SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP (RAP FESTIVAL)

18/4 SALTO-SP (Evento aberto)

24/4 PRESIDENTE EPITÁCIO-SP ( 1º RAP DO BEM)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

NOVIDADE


Literatura Marginal é destaque no Festival Literário de Poços


Escritores como Ferréz, Sérgio Vaz e Jéssica Balbino participam de palestras durante a programação da Flipoços

Poços de Caldas, MG, 07/04/10- O retrato fiel da realidade periférica. Assim são as obras de Ferréz e da nova geração de escritores brasileiros. Ele foi um dos primeiros a esmurrar a porta do barraco da literatura do país e gritar para o mundo o que acontece do outro lado da ponte do Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Com mais de 50 mil exemplares vendidos, o homem que começou a escrever aos sete anos e até hoje não consegue se sustentar com a própria literatura, vem a Poços contar um pouco da carreira, que passou por balcões, arquivos e trabalhos como o de auxiliar-geral.
Ele sobe ao palco do Espaço Cultural da Urca pela programação da V Feira Nacional do Livro e IV Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços) organizada pela GSC Eventos com a questão: Literatura Periférica ou Marginal?, no próximo dia 27 de abril.
Como o próprio currículo diz, Ferréz tem prosa ágil e seca, composta com doses igualmente fortes de revolta, perplexidade e esperança. Ele reivindica voz própria e dignidade para os habitantes das periferias das grandes cidades brasileiras.
Ligado ao movimento hip hop e fundador da 1DASUL – loja de roupas totalmente idealizada no bairro do Capão Redondo – o escritor já avançou na carreira e hoje escreve roteiros para cinema e televisão, como o filme "Brother" e o seriado "Cidade dos Homens", além de atuar como cronista da revista Caros Amigos desde 2000 e ter lançado, em paralelo, edições especiais da revista com o lançamento de vários outros autores das periferias.



Sem querer, ou pretender, ele abria as cortinas para que os demais escritores marginais contemporâneos entrassem em cena.
Não parou mais e pela editora Selo do Povo, que fundou recentemente e pretende incentivar a literatura através de preços mais acessíveis aos livros feitos por ele mesmo, lança agora a Turnê 2010 – um passeio poético pelas quebradas do mundaréu e nesta viagem se encontra com a jornalista e escritora poços-caldense Jéssica Balbino. Ela deve participar da palestra durante a Flipoços e debater, como convidada, as questões voltadas à periferia e à literatura.


Autora e integrante de livros ligados ao tema, "Hip Hop – A Cultura Marginal" e "Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil", a jornalista lança, ainda nesta Feira, o livro Traficando Conhecimento, pela Aeroplano Editora, onde conta sobre a ligação com a cultura hip hop e com a literatura marginal.



Os debates acerca do tipo de literatura contemporânea produzida nos guetos não para por aí. "A poesia que vem das ruas". Através desta filosofia de vida, o poeta Sérgio Vaz, que se autointitula o "vira-lata da literatura" está ganhando espaço nacionalmente por manter, há oito anos, a Cooperifa – cooperativa cultural da periferia – em São Paulo e reunir, semanalmente, cerca de 300 pessoas para ouvir e declamar os próprios textos num boteco da quebrada onde vive.
Em 2009 foi eleito, pela revista Época, uma das cem pessoas mais influentes do país e por conta de títulos e ações como estas estará presente, no dia 1º de maio, na Flipoços, com a palestra "Os novos rumos da literatura marginal".




Com seis livros escritos, o poeta é considerado, por autores já conhecidos, um marco. De acordo com Marcelino Freire, quem for estudar a história da literatura brasileira precisa definir entre antes e depois do Sérgio Vaz.
Desta maneira, o evento abre as portas para esta nova escrita, feita do povo para o povo e que invade as academias, os becos e as bienais, levando a voz do gueto para a elite, na forma de poesias, contos e muita literatura.

Serviço – As palestra do escritor Ferréz acontece no dia 27 de abril às 19h no Espaço Hora da Prosa. O ingresso é um livro novo ou usado em bom estado, que deve ser trocado antecipadamente na secretaria do evento.
Já a palestra de Sérgio Vaz acontece no dia 1º de maio às 17h30 no Teatro Espaço A Recreativa. A entrada é franca.
Mais informações podem ser obtidas no site www. feiradolivropocosdecaldas. com.br

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Perifa

por Jéssica Balbino

Periferia é amor
É dor
É a cor
O que vem da rua
Que vem da tua
Que cola na minha
Na rima,
Na vida
Na alma
Que me acalma
É o rap
O samba
A poesia
De quem é bamba
Só na periferia que tem
Amor para quem vêm !

sexta-feira, 2 de abril de 2010

RESENHA

Casadas com o crime
de Josmar Jozino

por Jéssica Balbino*


A leitura da grande reportagem de Josmar Jozino nos leva para um mundo muitas vezes desconhecido e até mesmo ignorado.
Nos sentimos como as mulheres, personagens reais, cruzando os portões das penitenciárias para ficar lá dentro o tempo em dura a leitura e ao sair, temos a impressão de que nossa vida mudou e que compartilhamos todos os sofrimentos e histórias com todas elas.
Mães, filhas, esposas e amigas. Muitas com uma vida regrada e certinha, marcada pelo crime, que de uma forma ou de outra, mudou para sempre as trajetórias.
Entre jumbos, noites na ‘praia’ e ao lado do ‘boi’, o leitor passa a entender o linguajar usado dentro das celas de penitenciárias de todo país.
O livro proporciona ao leitor o conhecimento de um cenário rico em amor e dor, num contraste incrível entre a lei e o outro lado dela. Ao mesmo tempo, uma fusão dos universos paralelos entre a pobreza e a riqueza, a lei e o crime, nos fazem questionar as instituições do poder.
Um “salve geral” dado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) deixa de ser apenas uma matéria jornalística e se transforma num romance sangrento pelas ruas das principais capitais brasileiros e até que ponto o bandido é mau e o Estado é bom?
Peguei-me, em diversos momentos, torcendo pela vitória do bandido e derrota dos “mocinhos” e justamente por isso a leitura deste livro-reportagem é fundamental para quem quer entender e contextualizar, pelo menos em parte, o que é nosso país, o sistema prisional, o abuso de poder e os caminhos que levam uma pessoa normal, que faz faculdade, trabalha, tem sonhos, ao obscuro caminho do crime.
O jornalista policial Josmar Jozino consegue ser imparcial e ao mesmo tempo passar a imagem real do que existe por trás das grades e nos coletivos que levam as namoradas, amantes, noivas e mulheres do crime às penitenciárias de todo país.
Mostra ainda a corrupção policial, a corrupção dos advogados, a corrupção dos presos e um caminho quase sem volta, mas escrito de uma forma até feliz, quando um casamento é celebrado e separado pelas grades e vidros.
Há ainda relatos do casamento de muitas solteiras com o crime. Elas afirmam que o divórcio só vem com a morte e muitas se vão, perdidas neste caminho. Numa vida intensa, elas trilham o próprio caminho, na tênue linha entre os muros da penitenciária e a falsa sensação de liberdade encontrada do lado de fora.
Após finalizar esta leitura eu me sinto mais enclausurada do que nunca, trancada na minha própria cela da ignorância.
O livro é atitude e merece todos os prêmios que recebeu !



* jornalista, escritora e leitura voraz !

quinta-feira, 1 de abril de 2010

RESENHA


Profissão MC

O autêntico filme da periferia que mostra as consequências de cada caminho escolhido

por Jéssica Balbino*

Animação, ginga, malícia, empolgação, improviso, energia, rimas e poesia. Estes são alguns elementos encontrados no primeiro filme de Alessandro Buzo.
Filmado pela DGT filmes, com a parceria de Toni Nogueira, o filme de 52 minutos foi feito sem captar um único real e traz cenas do cotidiano do bairro Itaim Paulista, bairro periférico de São Paulo.
Quem assiste tem a sensação de estar “em casa”. Como acredito que o universo é uma grande periferia, me sinto esparramada no sofá de casa quando observo o futebol de várzea jogado no campinho, a biqueira em formação, o trem cortando a linha freneticamente e o pessoal que lava carro no semáforo.
A cerveja vendida no bar do filme tem o mesmo gosto da que eu tomo na esquina de casa, num buteco semelhante.
A história protagonizada por Criolo Doido, que na ficção leva este mesmo nome, é uma viagem a um relato humilde e verdadeiro dos problemas diários, de vários manos, por todo país.
Com a mulher grávida, ele sai de casa a procura de um emprego e numa esquina, depara-se com dois caminhos distintos: pode ser mais um a entrar para o tráfico e fazer uma fortuna rápida e passageira ou pode investir na carreira de rapper, valorizando as rimas que faz com propriedade.




Num lugar onde as pessoas morrem até por R$ 1, as câmeras levam o espectador para dentro da realidade do Brasil: jovens que sequer sabem ler, mas que fazem as contas das vendas da biqueira como ninguém, crianças que vêem no traficante o verdadeiro padrinho da quebrada, mulheres que se aliam ao crime para sobreviver e ter um filho em paz !
Entretanto, nem sempre a paz é aliada dos que vivem nos guetos. Entre os becos e vielas, as oportunidades parecem desiguais e o caminho mais fácil nem sempre é aquele que o rap apresenta.
O filme é uma inovação no cinema nacional e na criação cultural da periferia. Apesar da falta de recursos, as pessoas que atuam- mesmo os que o fazem pela primeira vez – dão um show diante das telas e uma crônica do cotidiano se desvela aos olhos de quem aprecia a produção.
Para os que desconhecem – ou ignoram – o gueto, esta é uma excelente oportunidade de enxergar o que temos de bom e de ruim e como nossas pessoas são humanas.
Há ainda uma função sócio-educativa, mostrando as consequências para cada caminho escolhido e aos jovens das quebradas brasileiras que assistem fica a mensagem que o hip hop pode ser um caminho e que independente dele, vale a pena acreditar nos sonhos!


Jornalista, escritora e apreciadora do hip hop !