Hip-Hop - A Cultura Marginal

Texto do livro de Jéssica Balbino é inserido em livro didático do Estado Rio Grande do Sul

TRAFICANDO CONHECIMENTO

Entrevista com a jornalista e escritora mineira Jéssica Balbino, militante do movimento hiP-hop, representante da nova literatura marginal brasileira

FEMININA EM FOCO

"Em meio a tantas armas que eles podem escolher no jogo real do “matar ou morrer”, o hip-hop escolhe a maior de todas as armas: a cultura. Uma cultura marginal, mas que não é propriedade dos grandes, não é da elite nem da burguesia. É a cultura de quem foi capaz de criá-la e levá-la adiante. É a cultura das ruas, do povo” (Jéssica Balbino)

PERIFERIA EM MOVIMENTO

Mineira multifacetada. Assim definimos Jessica Balbino, que é autora do livro “Traficando conhecimento”, jornalista e assessora de imprensa. Abaixo, uma entrevista que fizemos com ela.

Jéssica Balbino participa de livro coletivo de “Poetas do Sarau Suburbano”

Jéssica Balbino é jornalista e escritora, nasceu e vive em Poços de Caldas, mas permanece antenada com o que acontece pelas periferias do Brasil. O primeiro livro foi escrito com sua parceira Anita Motta,“Hip-Hop – A Cultura Marginal”. Ela também participou da coletânea “Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil”, organizado por Alessandro Buzo em 2007

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Reconhecimento

"O hip hop me leva onde vou...o hip hop me faz ser quem eu sou". A primeira vez que eu li esta frase ela mexeu tanto comigo que nunca mais deixou de fazer parte da minha vida.
É fato, de fato. O hip hop me faz ser quem eu sou. Não, eu não sei cantar, dançar, tampouco graffitar ou riscar discos.
Eu sei escrever e praticar o 5° elemento e há anos venho fazendo isso de uma única maneira: com todo coração e de toda alma.
O reconhecimento vem dia-a-dia, através de pequenos atos, palavras, abraços...
No último fim de semana fui para o Rio de Janeiro acompanhar o grupo da minha cidade U>Clanos, que tocou no palco principal do evento Hutúz abrindo o show de MV Bill e Racionais MC´s.
Como assessora de imprensa (amiga) não rolou dinheiro, apenas reconhecimento amigo, que é melhor que qualquer valor líquido que gasta-se em seguida.
Numa conversa com meu amigo Leopac, via msn, olhem só:
(superorgulhosa).

leopacthedon@yahoo.com.br (Endereço de email não confirmado) diz: vc é mais hip hop aqui do q os rappers

leopacthedon@yahoo.com.br (Endereço de email não confirmado) diz: mais sabe toda a ideologia

leopacthedon@yahoo.com.br (Endereço de email não confirmado) diz:
parabens memu

leopacthedon@yahoo.com.br (Endereço de email não confirmado) diz: vc é especial pra qm é
só pra qm é

leopacthedon@yahoo.com.br (Endereço de email não confirmado) diz: vo faze uma musica e cita vc como exemplo principal

leopacthedon@yahoo.com.br (Endereço de email não confirmado) diz: mais vc é a HIP hOP Mulher em Cena

Só para citar, Leopac é um dos personagens do meu livro Hip Hop - A Cultura Marginal, escrito em 2006 com a Anita Motta (em memória).


Suburbano e Leopac

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Grupo de rap grava texto de escritora de Poços


Elemento.S de Belo Horizonte grava texto em forma de música e declama em sarau no Palácio das Artes


Poços de Caldas, MG – “Chega ao asfalto carregado de protesto, indignação, carência, vontade, luta e marginalidade”. Assim é um trecho da introdução do primeiro CD do grupo de rap Elemento.S, inspirado no texto “Olhar para o hip hop que...” das jornalistas Jéssica Balbino e Anita Motta, já falecida.
Da cidade de Belo Horizonte, MG, o grupo teve acesso ao livro Hip Hop – A Cultura Marginal e conforme descreve Bruno Eustáquio de Souza, 25 anos, conhecido como Budog MC, assim que se deparou com o texto falando sobre a cultura marginal, interpretou como um desabafo e resolveu gravar como música para a introdução do CD, que leva o nome de Demonstrativo – Mensageiros das ruas poetas da realidade. “Quando comecei a ler, vi que o texto era um protesto, um desabafo dos sofredores, uma forma de expressar bastante sentimento. A colocação das palavras e a forma como foi escrito me fez sentir que isso não poderia ficar apenas numa folha e senti a necessidade de passar isso adiante para que as pessoas possam ouvir e refletir”, conta.
A novidade é que o grupo distribuirá cópias do CD durante o maior evento de hip hop na América Latina, o festival Hutúz, que acontece no próximo fim de semana no Circo Voador no Rio de Janeiro.
Ainda pra divulgar o trabalho e fortalecer o texto escrito pelas jornalistas, o grupo leu o texto “Olhar para o hip hop que...” num sarau Terças Poéticas, realizado no mês de agosto no Palácio das Artes em Belo Horizonte.
Além da leitura o grupo apresentou ainda uma encenação com os integrantes Pquena e Rapper Julim. “Caracterizados, fizemos uma performance singular, impossível de deixar o público calado ou alheio”, coloca Budog. Outro ponto destacado pelo MC é que a apresentação no Palácio das Artes foi também um tributo feito aos artistas da cultura hip hop que já morreram. “Cada poeta, ao finalizar a leitura, poesia, prestava sua homenagem aos mesmos, vítimas do descaso, do sistema, do crime, etc. Acho que o motivo da morte não importa, todos são guerreiros e nós citamos a Anita Motta”, salienta. A capa do CD traz também um agradecimento às escritoras do livro pela cessão do texto para a gravação da música.
“É um trabalho que gravamos pela Xeque Mate Produções e fizemos a reprodução e a capa do CD de forma humilde, em casa mesmo, pois conseguir patrocínio é muito difícil”, coloca o MC.
Entretanto, no último ano o grupo concorreu ao prêmio Hutúz nas categorias Melhor demo masculino e a categoria Palco Alternativo, onde tocaram na festa de encerramento do evento.
Para o jornalista, pesquisador da cultura hip hop e criador do vídeo-documentário Conexão Cultural - A Criação Artística da Periferia de SP, Diego Menegaci, o texto gravado é um manifesto muito rico. “É um grito de liberdade de um povo que foi ignorado por muito tempo, e hoje, esta realidade é outra. A valorização da cultura hip hop parte das próprias pessoas que mantém o movimento ativo 24 horas por dia, sete dias por semana. É um caminho sem volta, o movimento está mais forte do que nunca”, avalia. Já para Jéssica Balbino, uma das autoras do texto, ver as próprias palavras gravadas em forma de música é como receber um presente. “Quando fizemos o texto, que é também a introdução no livro, quisemos resumir tudo que a cultura marginal e o hip hop representam para os adeptos e é bom saber que conseguimos isso e que esse conhecimento será passado adiante em duas manifestações diferentes, que é a escrita e a música. Só tenho a agradecer o grupo Elemento. S e sei que a Anita ficaria muito feliz em poder acompanhar esta ascensão do trabalho”, considera. Completando a declaração da escritora, o MC do grupo declara: “o que nós queremos e fizemos com o texto foi colocar uma melodia de fundo e rasgar o verbo com bastante sentimento, para que as pessoas possam sentir à flor da pele e explorar todo potencial que esse texto tem, afinal, esta é a cultura de quem foi capaz de criá-la”, finaliza Budog.
Serviço – A música gravada pelo grupo Elemento.S pode ser conferida através da internet, pelo link: http://www.4shared.com/file/159493650/e328f89a/Elemento_S_Intro_HipHop_Cultur.html


Texto de livro da jornalista é gravado como música na introdução do CD do grupo Elemento.S

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

GENTILEZA GERA GENTILEZA

Na última sexta-feira (13), era para ser comemorado o Dia Mundial da Gentileza !
Prepaprei uma matéria especial para o jornal onde trabalho e, mais do que isso, saí por aí distribuindo sorrisos e gentilezas :)
Como gosteid as atitudes, coloco aqui.

Beijo grande
PAZ
Jéssica Balbino






Engarrafamento, estresse, violência e a cultura de pressa.
A cena é típica em qualquer cidade de grande e médio porte do mundo e o motorista de um ônibus preso no trânsito da capital do Rio de Janeiro achou absurdo receber uma flor de presente das mãos de um jovem numa manhã de um dia de semana qualquer.
A expressão sisuda se transformou num sorriso e o dia dele mudou.
Assim como este motorista, anônimo numa metrópole, outras 300 pessoas foram contagiadas pela gentileza do grupo de jovens de não mais de 25 anos, que se reuniu para despertar nas pessoas bons sentimentos apenas por acreditar que as coisas simples fazem a diferença num dia atribulado.
Mesmo sem conhecer a data, instituída mundialmente em 1996 como Dia da Gentileza, o assistente social Eduardo Herrera, 24 anos, por ver o tema estampado em pelo menos 56 viadutos e muros e ter se transformado até mesmo em letra de música, passou a estudar as ações de José Dantrino, conhecido como profeta Gentileza, que em 1980 passou a pintar as paredes da cidade carioca com os dizeres "gentileza gera gentileza", espalhando o sentido de atitudes simples como dizer "bom dia", "por favor" e "obrigado".
Para agradecer, gentilmente, o profeta pela ação deixada, os jovens realizaram um sarau em sua homenagem e após entregarem flores no centro do Rio, partiram para os bairros periféricos. "Percebemos que não queremos esperar uma tragédia para praticar a gentileza. Tem gente matando por um bom dia, a gentileza está num pequeno gesto que acaba com os escudos da cidade", conta.
Para ele, as pessoas que foram abordadas com as flores, poesias e palavras gentis absorveram a idéia, "viram que não éramos apenas um grupo de malucos divertindo as pessoas".
Entre as flores distribuídas para os moradores, os girassóis eram os que provocavam os sorrisos mais sinceros e intensos. "Quando acabaram estas flores, conseguimos outras numa floricultura do subúrbio. Quem nos atendeu nem sabia quem era o profeta, mas gostaram da ideia e nos deram as flores, atingimos muitas pessoas indiretamente, porque muitos paravam para observar ou mesmo ouvir uma poesia", lembra.
Em especial, Herrera conta que se emociona ao lembrar de uma senhora que recebeu uma flor das mãos de uma menina que acompanhava o grupo. "Ela ficou muito emocionada e emocionou todos nós". Para ele, todos se sentiram com a missão cumprida naquele momento. "A gentileza desperta outros bons sentimentos".



A data - Tornar a vida no planeta menos complicada e mais agradável é o objetivo da data, criada numa conferência em Tóquio (Japão).
Comemorada hoje - 13 de novembro - no Brasil, o movimento "World Kindness Movement" é representado pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), que neste ano comemora a eleição da cidade de São Paulo como a quarta mais cordial do mundo, segundo uma pesquisa realizada pela Reader´s Digest, que avaliou 35 cidades de vários países. A capital paulista fica atrás apenas de Nova Iorque (EUA), Zurique (Suíça) e Toronto (Canadá). O presidente da ABQV, Alberto Ogata, acredita que o resultado mostra que São Paulo, apesar de ser uma grande metrópole, tem uma população que, a despeito das dificuldades, como a desigualdade social, a violência e os graves problemas sociais, busca, através dos laços sociais, da gentileza e da cordialidade, encontrar caminhos para uma vida mais integrada e saudável. Ele considera que, naturalmente, essa não é uma regra na relação entre as pessoas, mas é possível estimular cada vez mais este tipo de atitude entre os paulistanos.

Brasil - Como considera a representante do "World Kindness Movement" no Brasil, Sâmia Simurro, o bem-estar não é atingido somente com a mudança do estilo de vida, como ser mais ativos, não fumar e comer adequadamente.
"As pessoas precisam de relações sadias, reduzindo o estresse, a raiva e as atitudes violentas".
Sâmia acredita que isso começa com pequenos gestos espontâneos e dirigidos para pessoas que trabalham juntas, se encontram nas ruas, nos ônibus e supermercados.
"Esse tipo de atitude deve ser ensinada na escola, desde a infância, para que se incorpore ao comportamento do dia-a-dia", destaca.
Em Poços de Caldas, para o dia de hoje não há nada programado como comemoração, entretanto, esporadicamente, ações gentis são desenvolvidas por grupos de pessoas, como o projeto "Passa Livros", que tem como objetivo fazer as histórias circularem entre as pessoas ao invés de ficarem aprisionadas nas estantes. Livros usados e em bom estado são doados, para que se sejam lidos e repassados a outras pessoas.



Atitudes - Cumprimentar desconhecidos com olá e bom dia, prestar atenção em mendigos e pedintes, tratar bem empregados de menor remuneração e não fazer distinção entre doutores e porteiros de condomínios.
Atitudes como estas parecem estar "fora de moda" na sociedade cada vez mais individualista e consumista.
Embora sem uma comemoração específica na data, algumas pequenas atitudes praticadas individualmente podem transformar dias e isso acontece também em Poços, como é o caso do professor Mário Ernesto Rodrigues, 51 anos.
Formado em sociologia e mestre em antropologia, ele conta que se esforça para praticar gentilezas no dia-a-dia e que tenta transmitir isso aos alunos, familiares e conhecidos. "Tento me dirigir aos ‘invisíveis’ para tentar lhes restaurar parte de sua dignidade, tão afetada pelo desprezo dos demais".
Para ele, a cultura da pressa e do individualismo isola as pessoas e os menos favorecidos se tornam cada vez mais distantes da integração do mundo, o que pode ser mudado através de pequenas atitudes. "No ambiente de trabalho, se vou buscar água, posso oferecer aos colegas".
Entretanto, ele pensa que é um trabalho árduo convencer as pessoas a abrirem mão do "conforto" para servir ao próximo.
"Diariamente vejo jovens sentados nos assentos reservados aos idosos, gestantes e obesos nos ônibus da cidade. Eles acreditam que como estão pagando pela passagem têm este direito e esquecem que um dia vão envelhecer também. Aí falta um pequeno gesto de gentileza que muda o dia de um idoso, de uma pessoa com dificuldades de locomoção. Gentileza é cidadania", considera.
Fato comprovado. O aposentado Lúcio Santos, 73 anos, relata situação semelhante quando tem que viajar de ônibus entre o bairro onde mora – Estância São José – e o centro da cidade. "Várias vezes tenho que fazer o trajeto em pé no ônibus, mesmo usando uma bengala para me dar apoio, vários jovens ocupam os assentos destinados aos idosos".





Garçons, porteiros e empregadas domésticas também se queixam da falta de gentileza. O porteiro Paulo José Machado relata que frequentemente é maltratado no condomínio onde atua. "Por ser um local onde residem pessoas de alto nível social elas me encaram como um subalterno e por isso imaginam que não mereço respeito e gentileza. Ao contrário do que vivo aqui, tento ser gentil com as pessoas nas ruas e ônibus".
Outro problema apontado pelo sociólogo é a falta de respeito no trânsito, tanto que um projeto como este já foi feito na cidade pela psicóloga do trânsito Adélia Suzana Del Sarto. Chamado de "Gentilezas no Trânsito", o projeto leva ensinamentos sobre o respeito nas faixas de pedestres e nas sinalizações.
Contudo, para fazer a diferença, a psicóloga Andréia Tavares de Lima Leal procura se inspirar em filmes, músicas e atitudes como as do profeta gentileza para aplicar no dia-a-dia, mesmo que sutilmente.
"Nunca pensei em realizar uma ação isolada, mas, diariamente, tento dar atenção a quem encontro, seja numa loja, restaurante, no trabalho, no ambiente de estudo, enfim, procuro não entrar na pressa cotidiana que nos afasta dos pequenos gestos e em casa tento passar isso aos meus filhos. Sei que é pouco, mas de repente, contagio outras pessoas", enfatiza.
Mesmo com um gesto pequeno, a jornalista Lucienne Cunha, 41 anos, tenta praticar a gentileza e enquanto se dirigia para a redação do jornal auxiliou uma senhora idosa a cruzar uma avenida na faixa para pedestres.
"Ela me pediu que a ajudasse a atravessar a rua, mas muitas vezes os idosos não pedem ajuda e precisam, por isso, acho que não custa nada oferecer", destaca.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

INICIATIVA


Projeto distribui livros gratuitamente no Terminal


Para incentivar a leitura e comemorar antecipadamente o Dia da Gentileza, exemplares de romances, livros-reportagens, poesias e livros técnicos foram distribuídos


Poços de Caldas, MG - “Também quero doar livros e fazer o saber circular. Como eu faço?” , perguntou, surpreso o operador de hidroelétrica Paulo César Alexandre, ao ser abordado com a pergunta “você aceita um livro?”.
A cena pouco comum foi protagonizada por muitos rostos anônimos que circulavam pelo Terminal de Linhas Urbanas na manhã nublada e chuvosa de quarta-feira (11).
O projeto “Passa livros” ganha mais uma edição e novos colaboradores e ao invés de oferecer esmolas, oferece livros.
Exemplares de romances, clássicos, históricos, livros-reportagens e técnicos foram distribuídos gratuitamente a quem quis receber uma história ou informação nova.
Em Poços de Caldas, a idéia foi colocada em prática pela pedagoga Angela Caruso, que numa das manhãs mais frias do mês de julho deste ano, quando o termômetro localizado em frente ao prédio da Thermas Antônio Carlos marcava 10 graus e ela se dispôs a carregar uma pilha de livros sobre temas diversos pela praça Pedro Sanches e foi, lentamente, abordando várias pessoas e entregando a elas, gratuitamente, os exemplares que incluíam romances, policiais, artes plásticas, livros infanto-juvenil, etc.
Aos 47 anos, após ler uma reportagem do jornalista Rodrigo Ratier, da cidade de São Paulo, sobre um projeto parecido, Angela sentiu a necessidade de retirar os livros empoeirados da estante e fazer com que eles pudessem ser aproveitados por várias pessoas e passados adiante.



"Eu não queria criar uma biblioteca circulante, mas que as pessoas recebessem o livro e tivessem o prazer e a responsabilidade de passá-los adiante", diz.
Diante da iniciativa, a jornalista e escritora Jéssica Balbino resolveu integrar o projeto e passou a arrecadar livros, contando com a ajuda de amigos próximos e empenhados, como a revisora de textos Delma Maiochi, que participou da arrecadação de exemplares, limpando as estantes.
O local foi escolhido de última hora, uma vez que a chuva atrapalhou os planos de distribuir os volumes na praça.
Com uma sacola cheia de livros, Jéssica chegou no Terminal por volta de 9h30 da manhã e junto com uma amiga, começaram a espelhar os livros por várias partes do local, como em orelhões, bancos e muretas.
As reações observadas foram diversas. O primeiro senhor que avistou o exemplar sobre o apoio do orelhão, escolhido propositalmente por ser o do meio, entre outros dois, se dirigiu ao da direita, olhando desconfiadamente para o livro, como se, de repente, ele deixado ali, fosse uma brincadeira ou ameaça.
Na sequencia, uma mulher também olhou para o livro e se dirigiu para o orelhão da esquerda.
Então, uma terceira pessoa olhou para o livro e se aproximou. Era um outro senhor que finalmente viu a mensagem colada na primeira página, dizendo: "Olá, cuide bem deste livro e após desfrutar desta leitura ofereça-o a alguém, aqui mesmo onde o recebeu. Não deixe que esta história fique aprisionada novamente na estante. Permita que outros possam ter a mesma oportunidade que você. Faça as histórias circularem pela praça".



Diante disso, ele segurou o exemplar alguns poucos segundos e o entregou a uma senhora, que rapidamente entrou num dos ônibus.
Já o artesão Eduardo de Lima Pereira ficou intrigado quando viu o livro num dos bancos, folheou, olhou para os lados e então começou a ler um pouco.
“No início eu pensei que se tratava de uma brincadeira, uma pegadinha e depois gostei da idéia de ganhar um livro. Vou ler e passar adiante”, comenta.
Ao lado dele, a vendedora Ana Paula Rodrigues já tinha notado o livro, mas por vergonha não pegou. Quando viu a distribuição, foi até as jovens que estavam distribuindo e pediu um exemplar. “Vou embora feliz porque ganhei uma edição. Gostei do projeto, incentiva quem não tem acesso aos livros”, declara.
Já o operador de hidroelétrica Paulo César Alexandre, ao receber das mãos da jornalista um livro, perguntou se poderia escolher um exemplar e prometeu: “tenho vários livros empoeirados na estante de casa. Vou doá-los ao projeto e como ela tem o dom de conversar com as pessoas e entregar os livros, vou ficar feliz com a ação”.
Enquanto ele escolhia um volume, outras pessoas, entre professoras, mães e apenas passantes se aglomeram e em pouco menos de três minutos os livros foram distribuídos.
Teve gente que quis mais de um exemplar. Outro saíram felizes, já lendo as primeiras páginas.
Passar os volumes literários apenas aos moradores da cidade vai ao encontro da real proposta, que é dar continuidade ao processo de ler e transmitir o conhecimento contido naquele livro a outras pessoas e promover também o acesso à leitura, que ainda hoje é deficiente no país, segundo dados da pesquisa Retratos da Literatura no Brasil, que mostra entre 95 milhões de pessoas entrevistas, 45% não são leitores.
Agora, a intenção das organizadoras é levar o projeto para os bairros e comunidades mais carentes, conforme explica Jéssica: “a leitura não é um hábito comum entre os brasileiros, por isso, queremos mudar este cenário e levar os livros até quem não tem acesso, não conhece ou frequenta bibliotecas e tampouco pode comprar”.



A ação serviu ainda, antecipadamente, a uma das poucas desenvolvidas em Poços para comemorar o Dia Mundial da Gentileza - comemorado hoje - que propõe ações gentis e de incentivo entre as pessoas.
Entretanto, para que o projeto continue, há o desafio de conseguir mais livros e passá-los à comunidade.
As agitadoras lembram que a intenção é mobilizar quem tem livros, para que eles limpem as estantes. “Queremos que as pessoas façam os livros circularem, tirem a poeira e os ácaros e os coloquem nas praças e comunidades”, finalizam.


Serviço – As pessoas interessadas em compor o projeto podem acessar os blogs www.sala-do-professor. blogspot.com ou jessicabalbino.blogspot.com, ou ainda escrever para o projeto através do e-mail passalivros@hotmail.com.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Leitura

Embora eu ache que não vou conseguir chegar na minha meta de ler 50 livros neste ano, fiz uma listinha para ter um controle sobre o conhecimento que estou absorvendo.
Alguns muito bons, outros nem tanto, mas, vamos lendo !



1) - Os sete minutos (Irwin Wallace)
2) - Um Bestseller para chamar de meu (Marian Keyes)
3) - A segunda vez que te conheci (Marcelo Rubens Paiva)
4) - Cem escovadas antes de ir para cama
5) - Comer, rezar, amar (Liz Gilbert)
6) - Feliz sem marido
7) - Sete de paus (Mário Prata)
8) - Bar Bodega, um crime de imprensa
9) - O Guardião de Memórias
10) - Muito longe de casa, memórias de um menino soldado
11) - Capitães da Areia (Jorge Amado)
12) - Gomorra (Roberto Saviano)
13) - As boas mulheres da china (Xinran)
14) - Entrevista com Deus – O dossiê Iscariotes (Marcos Losekann)
15) - Por que os homens se casam com as mulheres manipuladoras
16) - Millenium 1 – os homens que não amavam as mulheres (Stieg Larson)
17) - Millenium 2 – a menina que brincava com fogo (Stieg Larson)
18) - Filha, mãe, avó e puta
19) - O ponto de partida (Fernando Molica)
20) - Onde está Tereza? (Zíbia Gasparetto)
21) - Pixote – A infância dos mortos
22) - Esperando os cabeças amarelas
23) - Dewey – um gato entre livros
24) - Rosário Tijeras (Jorge Franco)
25) - Notícias da Favela (Cristiane Ramalho)
26) - De passagem mas não a passeio (Dinha)
27) - O Cortiço (Aluísio Azevedo)
28) - Um segredo no céu da boca – Pra nossa mulecada (Edições Toró)
29) - Podridão (Adelaide Carraro)
30) - Soldados do papel – Um romance verdade sobre o mundo das drogas no Rio de Janeiro
31) - Guia de caça e pesca para mulheres (Melissa Bank)
32) - Pelos acostamentos da vida e os andarilhos do Brasil (Tânia Mara)
33) – Hell – Lolita Pille
34) – Contos para ler ouvindo música
35) - Michelangelo, o tatuador
36) – Cooperifa (Sérgio Vaz)
37) – O olho da rua (Eliane Brum)
38) – Crepúsculo (Stephanie Meyer)
39) – Millenium 3 – a rainha do castelo de ar (Stieg Larson)

Na meta deste ano ainda tenho para ler:

- O menino do pijama listrado
- Ao som do mar e a luz do céu profundo
- Noite Adentro (obrigada, Robson Canto)
e Vozes Marginais (obrigada Érica Peçanha e Robson Canto) :)

PAZ.
Jéssica Balbino

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Encontro com o Escritor, simplesmente maravilhoso !

É bom demais fazer aquilo que gostamos. No meu caso, comunicar é quase uma bênção e foi o que fiz no último sábado, ao participar do evento Sesc em dia com a leitura, através do programa Encontro com o Escritor.
Falar da minha obra, como escrevi meu livro, como pesquisei as fontes, tirei as fotos, escolhi o que deveria entrar ou não, enfim, foi muito bom, mesmo com poucos exemplares, falar com as pessoas e crianças, explicando porque eu escolhi o hip hop como estilo de vida !




Crianças no estande



Teatro de fantoches no evento