Hip-Hop - A Cultura Marginal

Texto do livro de Jéssica Balbino é inserido em livro didático do Estado Rio Grande do Sul

TRAFICANDO CONHECIMENTO

Entrevista com a jornalista e escritora mineira Jéssica Balbino, militante do movimento hiP-hop, representante da nova literatura marginal brasileira

FEMININA EM FOCO

"Em meio a tantas armas que eles podem escolher no jogo real do “matar ou morrer”, o hip-hop escolhe a maior de todas as armas: a cultura. Uma cultura marginal, mas que não é propriedade dos grandes, não é da elite nem da burguesia. É a cultura de quem foi capaz de criá-la e levá-la adiante. É a cultura das ruas, do povo” (Jéssica Balbino)

PERIFERIA EM MOVIMENTO

Mineira multifacetada. Assim definimos Jessica Balbino, que é autora do livro “Traficando conhecimento”, jornalista e assessora de imprensa. Abaixo, uma entrevista que fizemos com ela.

Jéssica Balbino participa de livro coletivo de “Poetas do Sarau Suburbano”

Jéssica Balbino é jornalista e escritora, nasceu e vive em Poços de Caldas, mas permanece antenada com o que acontece pelas periferias do Brasil. O primeiro livro foi escrito com sua parceira Anita Motta,“Hip-Hop – A Cultura Marginal”. Ela também participou da coletânea “Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil”, organizado por Alessandro Buzo em 2007

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Em nome do Senhor Jesus

Interessante observar que o mundo gira e que algumas coisas sempre serão positivas, como é o caso do meu parceiro de hip hop, da cultura marginal, Rogério, antigamente conhecido como G do Gueto .
Esses dias o encontrei no ônibus e ele me contou que agora só faz rap evangélico, que se casou, construiu uma casa e ainda está trabalhando bastante.
É bom rever amigos que nos passam emoções positivas. A maior novidade é que ele está pastoreando uma igreja envangélica.
Para quem leu meu livro Hip Hop - A Cultura Marginal (em parceria com a Anita Motta), sabe como é a história deste rapaz que lutou muito com a vida.
Encontrá-lo só me fez dizer: Em nome do Senhor Jesus, você está no caminho do bem !




Arquivo do TCC

domingo, 30 de agosto de 2009

Lá do alto



e lá do alto alguém consegue nos ver
dessa vida escura
consegue nos proteger
sem que a gente ao menos, sequer
consiga perceber !

sábado, 29 de agosto de 2009

Uma guerra

Na última quarta-feira (26) fui ao cinema assistir "O contador de histórias". Desde criança tenho paixão pelo cinema nacional e para mim, o filme é uma grande sacada.
Conta a história do mineiro (meu conterrâneo) Roberto Carlos, ex-menino de rua que se tornou contador de histórias após ser adotado por uma pedagoga francesa que estava no Brasil fazendo uma pesquisa.
O caçula de uma família pobre e com muitos filhos, Roberto foi o escolhido pela mãe -analfabeta e ignorante - para ir a Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem), amplamente massificada na TV como a melhor forma de educação para as crianças e adolescentes.
O filme mexeu comigo, principalmente durante a fala da diretora da Febem de Belo Horizonte naquela época, que disse a francesa: "Quando uma mãe chega aqui com o filho é porque ela já perdeu a guerra para a Febem".
E nota-se que a guerra vai muito além daquela diária, em conseguir o pão para alimentar os filhos.
É aquela guerra omissa, que talvez só seja curada com amor. Roberto Carlos teve o mérito de encontrar com alguém cheio de amor no coração e se deixou doar.
Mais importante do que isso, o filme narra a história real de Roberto, que após ter se recuperado, adotou outros 20 meninos de rua, que como ele, eram considerados irrecuperáveis.
Fica então uma dica, de filme, de olhar mais com o coração e de como o amor pode vencer a guerra. Piegas mas verdadeiro !



Divulgação

PAZ.
Jéssica Balbino

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O caminho do bem

Para mudar os hábitos, resolvi dizer mais vezes 'sim' aos convites diários que me fazem e na segunda-feira (24), quando a coordenadora de uma Ong local, que cuida de depedentes químicos me ligou convidando para uma reunião na noite de terça, eu aceitei.
Mesmo cansada do trabalho, fui até o local, onde pude observar mães, pais, esposas, irmãos, famílias inteiras, bem mais cansadas do que eu. Não apenas de um dia de trabalho, mas cansadas de uma vida inteira lutando contra o vício das pessoas que mais amam.
Cerca de 90% dos atendimentos da Ong referem-se a pessoas que são viciadas em crack. Triste estatística, sendo que esta é apenas uma das Ongs que cuidam do problema.
Mesmo precariamente a reunião aconteceu, com algumas pessoas sentadas no chão, outras em pé, com um frio de aproximadamente 12°C e todos 'no tempo' como dizemos aqui em Minas, a esperança nos olhos de muitos ali contrastava com o cansaço já mencionado.
O ponto da alto da reunião foi a presença do tenente Edson da Polícia Militar, que apresentou o programa "Rede de Vizinhos Protegidos".
Novo na cidade e ainda recém implantado em alguma capitais, o programa cria vínculo entre os vizinhos de uma mesma rua e os órgãos de Defesa Social, minimizando os estereótipos e ajudando no combate ao crime, mais precisamente ao tráfico de drogas.
Incrível observar que algumas pessoas ainda escolhem o caminho do bem e tentam ajudar as outras.
O projeto da PM propõe que algo que anda meio esquecido: que os vizinhos conversem entre si, conheçam os hábitos uns dos outros, se comuniquem e fortaleçam uma rua, um bairro, uma comunidade e assim, possam combater, de uma forma 'segura' o que assombra aquelas famílias que estavam lá, no frio, sentadas no chão, ouvindo palavras de incentivo na luta de quem tem um dependente quimico na família.
A minha parte é divulgar mais a Ong, os efeitos que as drogas causam nas famílias, o programa da PM e o caminho do bem !



O entorpecente mundo do crime
Foto: Marcos Corrêa




PAZ.
Jéssica Balbino

segunda-feira, 24 de agosto de 2009




Porque a prisão é a da mente !
Crie. leia. escreva . liberte-se . faça a revolução .

Surpresa boa !

Hoje resolvi ir trabalhar apenas na parte da tarde ! Como eu não ganho por horário e sim por produção, tanto faz a hora que eu saia de casa.
Com o tempo livre, resolvi ler um pouco, dar uma viajada pelos blogs dos meus parcerios e para minha surpresa, ao entrar no blog do Robson Canto, encontrei uma foto minha: Robson Canto

Canto, querido ! Obrigada por somar...
e quanto a insônia, tenho tido também e acho que faz parte do processo criativo, da revolução, enfim !



Foto: Marcos Corrêa

domingo, 23 de agosto de 2009

Literatura Marginal entra pela porta da frente no Palácio das Artes em MG e conquista mais um espaço

Na última semana o MC Budog, 25 anos, do grupo de rap mineiro Elemento .S particiou do evento Terças Poéticas no Palácio das Artes em Belo Horizonte.
Junto com os integrantes Pquena e Rapper Julim, o texto 'Olhar para o hip hop que...', escrito por mim, do livro Suburbano Convicto - Pelas Periferias do Brasil foi lido pelo grupo, que caracterizados e numa performance singular, fizeram uma cena impossível de deixar o público calado ou alheio.




Jessica Balbino - Como funciona o evento?
Budog- : O evento se chama Terças Poéticas, é realizado todo ano nos jardins internos do Palácio das Artes em Belo Horizonte, local de grande nome e difícil acesso aos eventos da cultura hip op, mas graças a Deus e ao esforço dos artistas, as portas para cultura estão se abrindo! Os artistas passam por uma seleção e tem um espaço para estar divulgando seu trabalho, lembrando que está é a primeira vez que a cultura marginal, ou melhor, a literatura marginal teve seu espaço e continuará batalhando para conquistar cada vez mais. Como Disse a jornalista Janaina C. Melo (Mina Jana) e Ice band “O hip hop entrou nos jardins do palácio pela porta da frente, da próxima vez estaremos no Teatro do Palácio e seremos convidados a entrar.”


Jessica Balbino - Foi a primeira vez que vocês participaram do evento?
Budog - Sim. Através do apper Ice Band e de sua esposa, a jornalista Mina Jana, que abriram esse espaço não só pro grupo Elemento. S mas para vários artistas mostrarem sua literatura marginal como: Blitz(Crime Verbal), Leo(Comando Rap Mineiro), Arte Favela, Coletivo Voz, Gen(Retrato Radical), Black W, Kadu(S3M). E teve também uma apresentação do Artista “Novato” um grande nome na literatura marginal em Minas Gerais



Jéssica Balbino - Como foi a performance feita pelo seu grupo?
Budog- Olha foi muito louca a performance, mas vou avaliar de uma forma geral.
Seguinte, Ice band abriu o espaço pra todos nós como disse anteriormente, e em cima disso ele montou um único espetáculo com todos os grupos, vestidos como marginais “Assim a sociedade julga né!? Apenas pela aparência” mas então, estávamos a maioria de touca cobrindo a face, outros de óculos escuros, jaqueta, alguns sem camisa, pois estava amarrada em seu rosto cobrindo toda face. A idéia foi causar um impacto no público e mostrar que o marginal que eles julgam, também tem talento, e que não deve ser julgado pela aparência e sim pelo caráter e pela sua atitude.
Enfim, a performance em geral foi um sucesso, foi 1000 grau!



Jessica Balbino - Parece que rolou uma homenagem aos nomes da cultura hip hop e literatura marginal que já se foram? Como foi?
Budog - A apresentação foi um tributo feito aos artistas da cultura hip hop que já se foram. Cada poeta ao finalizar a literatura, poesia, prestava a sua homenagem aos mesmos, vitimas do descaso, do sistema, do crime e etc. ”Acho que o motivo da morte não importa são todos guerreiros “...... Alguns citados foram: Anita Motta, Duke (Retrato Radical), Sabotagem, Alex F(sistema negro), Chacrinha(Decreto Verbal) e vários outros artistas importantes que com certeza estão no coração de todos nós!




Jessica Balbino - Como o público reagiu?
Budog -
Eu achei que o público iria reagir de uma forma preconceituosa, mas não! Fomos recebidos com palmas e bastante barulho, ao final de cada literatura, o público aplaudia, alguns gritavam “bravo ! bravo” rs. Por incrível que pareça fomos muito bem recebidos no Palácio das Artes, alguns podem pensar assim ao ler essa entrevista: “Que bosta no palácio das Artes, até parece!”..... Mas pra todos nós é mais uma vitória, também para a cultura hip hop, são mais portas se abrindo para a periferia e com certeza isso é muito é importante.

Jessica Balbino - Como você avalia sua experiência?
Budog - Nossa sem palavras...... Primeira vez que recito um poema, que participo deste tipo de evento apesar de já estar envolvido no rap que também é poesia, mas dessa forma sem beat, sem DJ, foi a primeira e confesso que gostei !
Recitei junto com meu parceiro Rapper Julim, a sua poesia “Olhar para o hip hop que...”, eu gravei ela com base, com melodia, mas recitar foi diferente. Comecei recitar, aí do nada me deu uma vontade de falar cada vez mais alto, às vezes suspirava, falava mais baixo, é inexplicável, foi ótimo.Muito interessante
!




Jéssica Balbino - Alguma coisa que não foi perguntada, mas que você acha importante destacar?
Budog - Agradeço a você, Jéssica e também a Anita Motta (in memorian), pelo apoio e por ter confiado no nosso “trampo”, por ter cedido a sua literatura para gravarmos como introdução do nosso CD e por permitir que nos do grupo Elemento. S possamos recitá-la pelas ruas, palácios, periferias e etc.
Agradeço ao Centro de referência Hip Hop Brasil pelo apoio e pela oportunidade e ainda a coordenação do evento Terças Poéticas em geral.

“Não julgue pela aparência, Julgue pelo caráter”

Aos guerreiros in memória; “Perde-se um Homem na Terra, mas ganhasse um Anjo no Céu”. Descasem em paz, sua missão foi cumprida!!!




Taí ! Do povo para o povo, porque a nossa poesia e nossa cultura não podem parar !
Obrigada Elemento . S
É Minas, fortalecendo o sonho daqueles que carregam o sofrimento como estilo de vida !

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Estou de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído, a tribo. Espaço inteligível, claro, reto, com homens, mulheres e crianças transparentes, coloridas, comprometidas. Viagens alucinógenas com os pés fincados na terra, no ser, no coletivo.





A criança cresce e repete.
Endoculturação da terra: este é, sem dúvida, o caminho para a evolução.
Minha maior alegria desde criança é brincar na rua com meus amigos. A rua e todos os ambientes de encontro criam laços sociais, integram, provocam e libertam o homem para a criação.
(Prila Paiva)