Hip-Hop - A Cultura Marginal

Texto do livro de Jéssica Balbino é inserido em livro didático do Estado Rio Grande do Sul

TRAFICANDO CONHECIMENTO

Entrevista com a jornalista e escritora mineira Jéssica Balbino, militante do movimento hiP-hop, representante da nova literatura marginal brasileira

FEMININA EM FOCO

"Em meio a tantas armas que eles podem escolher no jogo real do “matar ou morrer”, o hip-hop escolhe a maior de todas as armas: a cultura. Uma cultura marginal, mas que não é propriedade dos grandes, não é da elite nem da burguesia. É a cultura de quem foi capaz de criá-la e levá-la adiante. É a cultura das ruas, do povo” (Jéssica Balbino)

PERIFERIA EM MOVIMENTO

Mineira multifacetada. Assim definimos Jessica Balbino, que é autora do livro “Traficando conhecimento”, jornalista e assessora de imprensa. Abaixo, uma entrevista que fizemos com ela.

Jéssica Balbino participa de livro coletivo de “Poetas do Sarau Suburbano”

Jéssica Balbino é jornalista e escritora, nasceu e vive em Poços de Caldas, mas permanece antenada com o que acontece pelas periferias do Brasil. O primeiro livro foi escrito com sua parceira Anita Motta,“Hip-Hop – A Cultura Marginal”. Ela também participou da coletânea “Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil”, organizado por Alessandro Buzo em 2007

terça-feira, 23 de abril de 2013

Mulheres representam a periferia em encontro poético no Flipoços


Elizandra Souza, Lunna Rabeti e Lívia Cruz são as convidadas para o debate 

A partir das 16h da próxima terça-feira (30), o palco principal do Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços) recebe militantes do feminismo na cultura hip-hop e nas periferias brasileiras para um debate que explora a poesia feminina na literatura da periferia.
As convidadas são a jornalista e escritora Elizandra Souza, que em 2012 lançou o livro ‘Águas da Cabaça’, com os poemas escritos ao longo dos últimos anos, entre eles o  ‘Em Legítima Defesa’, que inspirou o videoclipe ‘Nada foi em Vão’, da cantora Lívia Cruz, que também é uma das convidadas para o debate. No material audiovisual, a cantora explorou a violência contra as mulheres e utilizou elementos poéticos e rostos femininos para lembrar que a cada 15 segundos, uma mulher é vítima de agressão no Brasil.
Para completar o debate, a convidada é a criadora da FrenteNacional de Mulheres do Hip-Hop (FNMH²), Lunna Rabeti, que em 2012 ajudou na criação do livro coletivo ‘Perifeminas’ que envolveu cerca de 60 mulheres das periferias de todo o Brasil.
Quem media o debate é a jornalista Jéssica Balbino, que pesquisa e escreve sobre a cultura hip-hop e a arte produzida nas periferias.

Sobre o Flipoços
Esta é a 8ª edição do Festival Literário que recebe escritores nacionais e internacionais e é o quarto maior do tipo realizado no Brasil. Há três anos a organização do evento dedica um dia à atrações e artes da periferia.  Além da mesa feminina, esta edição do evento recebe também Toni C., RAPadura e Marcelino Freire para um debate sobre literatura e periferia. 

A finalização será feita com uma palestra do rapper Dexter, que acompanhado de Dj Loo faz um pocket show no festival. O graffiteiro Eduardo Kobra também faz uma participação especial no evento.


Serviço – O encontro acontece no próxima terça-feira (30) a partir das 14h no Espaço Cultural da Urca. O debate com a temática feminina está marcado para as 16h. A entrada é gratuita. Mais informações podem ser obtidas pelo site do evento www.feiradolivropocosdecaldas.com.br

sábado, 20 de abril de 2013

Não me diga que tudo vai dar certo...

A cada dia é um pedaço que vai embora, um fio de esperança que se rompe, um ciclo que nunca se fecha no polo positivo! Frustração, rejeição e sentimento de perda são constantes. Não há luz mais e o túnel também não termina. Me dizem que vai passar e que o tempo cura tudo. Cura? Ainda tenho feridas antigas e que sangram! Somadas às novas, quanto tempo seria necessário para que houvesse a cura?! Me falam também sobre ser forte! O que ninguém sabe é que nunca fui fraca e todo dia foi uma luta! Sempre foi mais difícil e eu sempre sorri, pra que fosse mais leve! Sempre tentei acreditar que haveria um final, ou que a luz nunca se apagaria! Mas estou no meio de um túnel, no escuro, sozinha e sem esperança de sair de dentro dele! Perdi muita gente importante dentro desse túnel e só o que vejo é o limbo ... e neste caso sei que é só uma questão de tempo até que eu fique ainda mais sozinha! Cansei de me ajoelhar e orar, Valdemar, pedir, esperar, ter fé e paciência! Tudo isso foi minando, junto com a luz que foi ficando cada vez mais fraca até se apagar por completo! Mas ainda me dizem que é preciso ter fé e lutar, como se eu não tivesse feito isso a vida inteira ... Como se algum dia tivesse sido fácil! É claro que eu errei! Errei muito! Mas me arrependi, aprendi, mudei! Melhorei! Mas nunca mereci nada e todas conquistas me foram tiradas! Não tenho mais força e nem vontade de seguir! Não consigo mais! Mas este não é mais um pedido desesperado de socorro! Não é nada ... É só uma dor escrita, num diario aberto ! É só um restinho de amor próprio que teima em existir e me faz sofrer ainda mais! Minha vontade é me enterrar em mim mesma e só! Aceitar essa escuridão e entender que algumas pessoas são abençoadas e outras não ! Que assim como sou rejeitada pelos seres humanos, também sou por um Deus que não gosta muito de mim! E nao venham me dizer que Deus esta me poupando, que sabe o que e melhor pra mim e que esta guardando algo muito bom. Isso ate funcionaria se em algum momento eu tivesse conseguido algo que eu quis, ou se em algum momento eu tivesse sido aceita e nao rejeitada o tempo todo. Não me peçam nada e nem me digam que tudo vai ficar bem! Eu sempre acreditei e nunca ficou! Já doeu vezes demais pra que eu me machuque mais e mais uma vez! Não posso me enganar novamente! Não posso sorrir mais. falsamente, fingindo que sou forte, que acredito em Deus e que um dia as coisas vão dar certo. Elas não vão! Eu sou perdedora e pra isso não há remédios! Uns merecem, outros não. Eu sou da segunda turma! Não quero pena, nem falsa ajuda! Quero um remédio que cure essa dor! Não hoje, não agora! Pra sempre! E não, isso não é uma indireta! Não precisam vestir carapuça que é só uma reflexão !!! No fundo, eu só quero o fim, mesmo que seja no meio do túnel e não no final, como insistem que eu devo chegar, mesmo com essa dor insuportável! Física, mental e sentimental! Só a dor me preenche e tem sido minha companhia!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

E o fim...

'é belo e incerto, depende de como você o vê'  (O Teatro Mágico)


Ás vezes eu acho que Deus não existe e, pro caso dele existir, talvez não goste muito de mim. Faz meses que permaneço com o coração pequeno, apertado, cheio de dor, cheio de vontades, cheio de desânimo, numa confusão de sentimentos que não consigo romper e sair desse limbo.

Passo pelas mais variadas emoções num único dia e chego ao final dele com a sensação de que não fiz nada, mas não me importo tanto, só quero que o tempo passe, afinal, dizem que o tempo resolve tudo. Então, quanto mais ele passar, talvez menos mal eu me sinta.

Em tardes como esta, me desespero e começo a achar que não fiz a escolha cerca. Talvez o FIM tivesse sido a escolha mais sábia. E FODA-SE o outro lado, o fato de ter que lidar com a vida após a morte ou vagar infinitamente pelo inferno. Será que seria tão pior do que vagar infinitamente pela vida?

Comprei um livro com 101 coisas para fazer antes de casar, engravidar ou mesmo envelhecer, li até a metade, mas simplesmente não consigo achar graça nas coisas. Imagina o que é transar sem tesão: to assim diante da vida. Viver sem ânimo, sem vontade.

Não consigo mais me empolgar ou sentir graça diante das coisas da vida, até as mais simples. Estou absurdamente estafada. Cansada de brigar comigo mesma, de lutar com a vida, de ter que fazer o dobro de esforço para conseguir o mínimo. De ter que implorar atenção e ser descartável. De ficar doente quando o profissional está OK ou de ter que ralar muito pra me estabilizar profissionalmente.

Me sinto cansada. Acho que cansaço é o sentimento que melhor me define. Tô cansada demais para tentar algo novo, to cansada demais para achar graça em qualquer coisa ou me encantar com algo/alguém para saber que dali  a pouco terei o coração partido mais uma vez. Tô exatamente assim, cansada demais para ter o coração partido de novo e de novo.  E de repente, não tentar mais nada é mais tentador do que ingressar em qualquer tipo de luta.



Assumir e sentir esse cansaço é melhor do que seguir lutando. Essa falta de amor, esse excesso de rejeição me deixaram assim. Não consigo mais enxergar para além da névoa. E confesso que não tenho me empenhado em conseguir. Talvez simplesmente porque eu não consiga mais romper, talvez porque o cansaço só me faça querer ficar quietinha, deitada num canto, conversando comigo mesma e lamentando as minhas perdas e as minhas dores. O típico: lamber as feridas.

Me desgasto quando as pessoas me trazem fórmulas prontas: você precisa rir, precisa sair, precisa sair, precisa namorar, precisa ter mais amigos, precisa não apenas trabalhar, precisa viajar, precisa emagrecer (sempre), precisa ir à academia, precisa viajar ! Realmente, eu preciso disso tudo, mas não consigo mais lidar com as minhas próprias decepções, com as minhas rejeições, com os cacos no chão. Não consigo mais colar o coração e ninguém tem a fórmula pra isso.

Mas também ninguém tem obrigação de nada, tampouco de se importar. Tampouco de se dirigir a mim.  E essa constatação e a certeza de que estamos sozinhos, com nosso fardo, nosso karma, nossas dores, amores e doenças me faz questionar até onde vale a pena?! O que de fato vale a pena?! Será que vale se vestir de amor próprio e continuar lutando, diariamente, por mais espaço, por dias melhores, por pessoas que te amem, por praticar o bem, ou é mais fácil e menos desgastante se entregar?! Aceitar?! A aceitação talvez seja o mais difícil nesse processo todo. Não dá pra simplesmente aceitar que as coisas tem que ser assim. Não dá, é antinatural. Mas também não dá mais pra lutar. Logo, dar um fim em tudo talvez seja a opção mais sensata. Menos dolorosa.  Que te livra de todo o desespero interno e te conecta o que causa toda essa dor, todo esse sofrimento, afinal, quem tiver relatos de sucessos, de amores bem sucedidos e de vidas que deram certo, eu aceito ! Relatos de amor verdadeiro também fazem bem. O único problema é que na minha vida esse amor trafega por uma vida de mão única e só vai ...


sexta-feira, 12 de abril de 2013

O que vale a pena?




Me lembrei de quando eu tinha 16/17 anos e era apaixonada por um garoto que tinha uma banda! (Claro) ... Eu fazia qualquer coisa por ele... Isso incluía passar meus finais de semana nas garagens de 'amigos' vendo-os ensaiar !!! Saiamos de lá tarde da noite e íamos pra baladas de rock! Eu adorava e isso significava ficar mais horas perto dele! Mas, significava também voltar pra casa, sozinha, com frio, de madrugada e o pior, com o coração extremamente partido, por te-lo visto conversar com TODAS as pessoas da balada, menos comigo. Sem falar nas meninas que ele xavecava! Muitas vezes, as beijava na minha frente! E eu, masoquista, na minha infinita vontade de trazer pra realidade um romance que só existia na minha mente e definitivamente na minha vontade! Platonismo puro! E o pior de tudo é que pessoas como eu (MULHERES QUE AMAM DEMAIS- MADA) sempre acham que estão presas a outras pessoas e esse meu 'amor' não me mandava pro inferno mas também não aceitava! E esse 'fato' era o que me matava aos poucos, já que minha Autoestima falida me fazia acreditar que ele era a unica pessoa do mundo! E isso fazia com que ele se tornasse o centro do meu mundo! Mas, não havia nada de bom em troca! Eu só me doava. E quanto mais eu fazia isso, menos retorno eu tinha, mas distante ele ficava! Quanto mais eu me desgastava para fazê-lo se encantar, como tinha sido um dia, mais ele me repugnava e rejeitava! não havia formula e eu perdia noites acordada pensando nele e dias obcecada escrevendo cartas e emails, implorando atenção !!! Mas o martírio acontecia mesmo quando ele tinha shows com a banda! Eu estava sempre lá, com a minha melhor roupa, cabelo e unhas impecáveis, independência a flor da pele e um so desejo: ser amada e desejada pelo cara que me desprezava! (Cabe este parênteses para dizer que ele não me ignorava por completo... Sempre que ele precisava de algo, vinha até mim e de um jeito mágico me fazia esquecer a raiva que eu tinha de mim mesma por me sujeitar a tais situações e ao mesmo ele me fazia lembrar dos momentos de cumplicidade que tivemos e eu me derretia toda e não pensava fuás vezes pra abrir as pernas e atende-lo) mas ele mal me olhava e quando o fazia, eu percebia o desprezo nos olhos dele... O desconforto por eu estar ali! A desatenção pro que eu dizia ... E eu sempre criava pretextos pra chamar atenção, pra parecer feliz, pra parecer 'casual' a minha presença ali... Mas no final eu ia pra casa chorando e dava um prazer secreto a minha 'amiga' que me acompanhava nos roles, mas secretamente ja tinha se aberto aos xavecos dele! O pior foi quando liguei para um 'amigo' em comum, na casa de quem aconteciam os ensaios da banda e perguntei qual o horário dia ensaios, quando uma outra pessoa me disse que eu 'não poderia' ir ao ensaio, já que muita gente estava prejudicando o desempenho da banda. Perai! Eu estava ali antes destas pessoas... Como assim eu não podia assistir ao ensaio? Naquele dia eu quis sumir! chorei o que tava preso na garganta e dias depois, escrevi uma carta de umas 20 paginas pra o amigo, dono da casa, praticamente implorando pra que ele fosse meu amigo, pra que entendesse que ele era importante pra. mim, e realmente era!!! na época, meu pai achou a carta e me disse que precisávamos entender quando alguém não queria ser nosso amigo ... E eu levei muito tempo pra perceber que embora eles fossem importantes pra mim e fizessem parte de um lado bom da minha existência, eu não era importante pra eles... Pelo contrario, eu era descartável... Minha presença era indesejada e eu do era querida quando podia oferecer algo!!! Resumindo: eu estava enterrando uma das melhores fases da minha vida por conta de uma fixação que só eu sentia e que por conta da minha Autoestima fragilizada e da minha falta de amor, achava que ninguém mais no mundo me daria a mesma atenção (leia-se migalhas) que ele !!! Olha que coraçãozinho doentio !!! Por fim, precisei praticamente obriga-lo a dizer que não queria mais ser nem meu amigo (porque eu não conseguia tomar essa atitude sozinha, mas me ressentia com a forma que as coisas eram convenientes para ele, mas dolorosas para mim) e após essa decisão eu quis morrer, mas não tive forças nem pra isso... E foi aí que comecei a reagir... Eu ja estava na faculdade e recebia vários convites pra festas universitárias, nunca aceitava! Tinha preconceito com os estilos de musica ( eu so gostava de rap e de rock), tinha vergonha e medo de não ser aceita! Ate que um dia fui num Pub, no meu primeiro trabalho e encontrei um amigo da van que ia pra faculdade!!! Poucas vezes eu me diverti tanto como naquela noite! E o melhor, ele fez questão que eu estivesse ali!!! E ainda me levou em casa... Pela primeira vez, em anos, sorri ao invés de chorar depois de uma noite na rua! Percebi como tinha sido simples: perdi o medo, fui eu mesma, sem tentar impressionar ou encantar alguém, joguei fora o preconceito, e fiquei perto de quem me queria por perto, mesmo que isso significasse gente nova e que eu ainda precisava a aprender a confiar! Esse garoto que encontrei no Pub se tornou um grande amigo, bem mais companheiro do que os que eu havia deixado pra trás junto com o cara de quem eu tanto gostava... Esse mesmo amigo me ajudou inúmeras vezes, por anos e me ensinou MUITO!!! Tempos depois, nos encontramos novamente e ele foi sensível da mesma forma! Amigo! Companheiro e cúmplice... E vi que a vida valia por relações assim e não pelas que queríamos impor ou nos forcar a ter!!! Contando assim, parece fácil, mas fiquei muito tempo doente por conta dessa rejeição... E hoje, mais de 10 anos depois, me peguei numa situação parecida (guardadas as proporções) e quis escrever sobre isso! Ainda choro ao lembrar de tudo e acho que o que mais me dói é a falta de amor próprio! Se eu gostasse mais de mim, teria me respeitado e não teria me humilhado tanto por algo que alguém simplesmente não tinha/ não queria/ não podia me dar! Foi duplamente sofrido!!! Mas na época, sobreviver significava vitoria, hoje eu ja nem sei!!! Tempos depois, vi esse cara na rua e mó lugar do desprezo eu vi admiração nele.... Era compreensível, afinal, eu tinha me tornado a mulher que sempre disse a ele que seria ... Tinha lutado e conseguido.... E isso com um agravante: tendo que reconstruir um coração partido! Aí me lembrei de como foi bom eu ter conseguido me afastar quando ele não me quis e do quanto isso significou pra que eu aprendesse a ser eu mesma e conseguisse lutar sem esperar nada de ninguém! Isso foi decisivo pra que eu tivesse me tornado a mulher que ele admirou na rua! E naquele dia eu quase o agradeci por ele ter me rejeitado! Se ele tivesse me aceitado, talvez eu estaria como ele, e naquele dia eu tive o amor próprio que me faltou e gostei mais de mim.... Mais um tempo depois e quando a onda era o facebook, ele me adicionou e desconfio que a admiração e o encanto dele tivessem crescido, já que qualquer manifestação minha era curtida e comentada! Só que eu tinha perdido o tesão fazia tempo e tudo que eu havia mendigado, suplicado e implorado era descartável! Exclui e bloqueei! Não era mais importante ... Esses duas o vi ao atravessar a rua! Antes que ele pudesse dizer oi, me lembrei das palavras dele que me atravessaram muito, durante tanto tempo. Abaixei a cabeça e o ignorei, exatamente como ele fez comigo, quando a coisa mais importante da minha vida era falar com ele! Mas, de volta ao presente, me peguei numa história mais intensa, porém parecida na essência, principalmente na parte da falta de amor próprio, no desespero por só um pouco de atenção, no desespero para produzir encanto, etc! E me peguei errando da mesma forma... Supervalorizando amizades de quem não me quer por perto, de quem só me procura quando precisa, de quem é incapaz de perguntar se estou bem... Aí, eu mesma me pergunto se vale a pena insistir numa história que só é importante pra mim e perder a chance de vive, de ser eu mesma, de abrir espaço para quem realmente quer estar perto e construir algo junto? São estas questões que tem povoado a minha mente e relembrar isso tudo me fez ver que não quero cometer os mesmos erros ... Que se quando eu era adolescente q tivesse simplesmente me afastado, sem cobrar um fim, pode ser que eles tivessem ido atras, mas se não tivessem, pouco importa, eu ja estaria noutra mesmo... Mas, tudo isso só me faz concluir que eu preciso gostar mais de mim e menos das pessoas!!! Talvez o grande passo pra não errar exatamente igual seja esse: AMOR PRÓPRIO !!!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Nem triste, nem feliz: em PAZ !

Hoje, no aniversário de 55 anos do meu poeta Cazuza, fica esta frase e este sentimento:

"Tem coisa que eu deixo passar. Não vale a pena. Tem gente que não vale a dor de cabeça.Tem coisa que não vale uma gastrite nervosa. Entende isso? Não vale. Não vale dor alguma, sacrifício algum."

Passei a vida inteira mendigando atenção e carinho de uma pessoa, que nunca me deu o que eu pedia. Até que um dia, não por maldade, mas por sinceridade, eu disse o que eu sentia. Essa mesma pessoa me cruxificou por isso. E disse que para ela eu tinha morrido. Não vou mentir. Doeu muito e ainda dói. Mas, não discuti. Não rebati. Não pedi nada além de perdão. Não lutei mais. E nunca mais mendiguei afeto dessa mesma pessoa. Que eu amava muito. Aceitei que ela não me queria. Que ela não me amava. E que, de fato, eu tinha morrido para ela. Assumi minha postura de quem já não existe mais. E a sensação hoje, anos depois, é de L-I-B-E-R-D-A-D-E ! Não posso dizer que estou triste, nem feliz. Mas estou em PAZ e talvez não exista sentimento melhor do que esse: Paz e liberdade. A justiça eu deixo por conta do tempo. Sempre ele, que é o responsável de tudo. Mas, fica também a ideia: não vale a pena mendigar por nada, nem por ninguém. Deixar a vida seguir e estar perto de quem realmente faz questão de você é o que importa. Quem não faz, é uma pena, mas, espero que essa sensação dure mais do que a carência e a necessidade de afeto e atenção.

quinta-feira, 28 de março de 2013

50 tons de preguiça

Hoje cedo vi o comentário do meu amigo Marcio Salata(a postagem pode ser lida aqui)  sobre quem lê '50 tons de cinza' e não sabe o que é KY, aí vendo os comentários embaixo do dele (tão mesquinhos e pequenos embaixo da publicação dele, que eu sei que foi despretensiosa e para brincar), eu senti uma preguiça IMENSA do mundo e uma vontade de expor um pouquinho do que eu penso, como o Cazuza 'Senhor, piedade, dessa gente CARETA E COVARDE ! Lhes dê um pouco de grandeza e corgem' 

50 TONS DE PREGUIÇA


O mais engraçado é que muita gente também NÃO LEU o livro e faz piadas, blogs e comenta com a maior propriedade do mundo, como se fossem PHD em BDSM e dominassem a literatura (ou mesmo a leitura estrangeira). Eu li toda a coleção e não gostei. Não gostei porque é um livro literariamente fraco, porque é machista e porque é tão BDSM como um sorvete de baunilha, se é que me entendem. É tão BDSM quanto um potinho de KY comprado na drogaria São Paulo numa tentativa vã de apimentar a relação. É um Sabrina de banquinha melhorado. É só isso. O livro e a saga toda do Christian Gray me cansaram porque são toscas. Mas, o que mais me cansa, são comentários de gente que não conhece a obra, tampouco literatura, e menos ainda do universo BDSM e quer expor a opinião. Gente que como a Jéssica Mello comentou ali em cima, acha que só quem é gorda (como é meu caso) e encalhada (não tenho propriedade para julgar ninguém neste aspecto mas sei que eu não sou) é que lê o livro. 
Não acho que o livro seja bacana, mas o li mesmo assim. Li porque fiquei curiosa. Li porque MUITA GENTE QUE NUNCA TINHA LIDO NADA estava lendo e comentando. Li para poder entender e ter uma opinião real sobre o assunto. Li porque sempre me interessei por BDSM e li para saber que o livro não tem NADA DISSO. Mas, não tiro o mérito da autora, que num país como o Brasil, onde as pessoas tem ORGULHO POR NÃO LER, conseguiu vender milhares de exemplares e fazer com que muita gente tivesse a coragem de comprar ou mesmo pegar emprestado, abrir e ler um livro...Por isso, não tiro o mérito do livro, embora concorde que está longe de ser a boa literatura. Mas, volto a repetir. Num país em que as pessoas se orgulham em não ler e que pouquíssimas pessoas fazem algo para mudar esta realidade, o livro é válido, sim ! É válido porque a partir dele a pessoa pode ter vontade de ler outras coisas e aí, mudar esse cenário lamentável. 
Então, fica a dica ! Eu li ele e outros 67 no ano passado (vide lista:http://jessicabalbino.blogspot.com.br/2013/01/livros-lidos-em-2012.html) e também sou gorda, mas coloco na roda que não sou encalhada e manjo muito mais de BDSM e de KY do que 99% dos que postam comentários toscos sem ler o livro. Portanto, sou gorda, não sou encalhada, li '50 tons de cinza e o restante da trilogia), já me aventurei no mundinho obscuro do SM e deixo, pra vocês, a diversão mais leve, para que aprendem um pouco e passem a se divertir, quem sabe, com menos PRÉ-CONCEITO na cama: http://www.erosmania.com.br/default.asp?secao=sexshop&parc=1160&gclid=COq147O2n7YCFRMZnQodrj0ALg 

É isso, 50 tons de preguiça com falta de conteúdo e preconceito de sobra !!!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Estou praticando ser gentil, ao invés de ter razão

"Estou praticando ser gentil, ao invés de ter razão", essa é uma das frases mais repetidas pelo personagem Pat, no livro 'O lado bom da vida' de Matthew Quick. Na lista dos mais vendidos, terminei de ler o romance em uma madrugada destas que perdi o sono, a fome e a vontade de viver (mais uma). Chorei demais enquanto entrei na história de um homem que passou anos em um sanatório e quando sai, não se lembra sequer do motivo que o fez parar lá. Não, não é um livro feliz e pra enxergar as coisas boas da vida o esforço tem que ser tremendo. Talvez tão grande quanto o físico que o personagem faz ao levantar pesos e correr para se manter em forma.
Não há 'happy end' e é muito próximo da realidade, onde as pessoas não são boas, tampouco legais. Onde o grande amor da sua vida vai pisar em você e você vai ser obrigado a conviver com isso (ou enlouquecer, como foi o caso do personagem), onde os laços e relações familiares são tão fragilizados quanto os de verdade. É um romance real. E por isso talvez seja bom. Talvez, a melhor parte seja a 'loucura' do personagem, pois ser louco, de certa forma, é ser livre. É poder dizer o que pensa, fazer o que sente vontade, ridicularizar-se sem ter a consciência - sua e dos outros - pra te apontar o que deveria ou não ter sido feito.
Contudo, como eu já disse, foi um livro que mexeu comigo. Que me perturbou. Que me fez pensar, mais uma vez, há algo que vem martelando há algum tempo: não há felicidade. Não há esperança e talvez não haja motivo pra seguir lutando. Faz tempo que eu não fico feliz. Feliz de verdade, completa, querendo que aquele momento dure pra sempre. Faz tempo que eu tô no piloto automático. Que eu acordo porque é preciso pagar contas. Que eu encaro 8 horas diárias (ou mais) de trabalho para poder pagar as contas. Contas que eu fiz comprando coisas das quais não preciso - e não uso durante as madrugadas que passo acordada tentando encontrar e encaixar as peças desse quebra-cabeças gigante chamando vida -. Faz tempo que não sinto aquele fiozinho que as pessoas chamam de esperança e que faz a gente vibrar ao pensar que no futuro as coisas darão certo. Não, elas não vão dar certo. As coisas não vão ficar bem. As pessoas vão morrer antes da hora, você vai se machucar, amar as pessoas erradas, ser rejeitado por quem você mais se dedica, implorar atenção de quem te ignora, ser cobrado por coisas que não te dizem respeito, ser sugado por um sistema que te enxerga como número, ser tragado pelo mundo que está pouco se fodendo pro que você sente. E por mais que eu fiquei indignada com a porção de injustiças que há no mundo e tente espalhar alma e poesia pelas ruas, eu tô cansada.
Cansada de estar sozinha, de lutar sozinha, de receber muito mais nãos do que sim, de amar quem me despreza, de correr atrás de coisas inatingíveis, de ler infinitos livros e teses e não conseguir ler as pessoas. De contar cada vez menos amigos de verdade a minha volta. De saber que não há ninguém com quem se possa contar e que o Sérgio Vaz está mais do que certo quando diz: 'Quando o bicho pegar, você vai estar sozinho. Não cultive multidões'. Pois é, tô cansada em trabalhar durante os dias de chuva. E também durante as manhãs de sol. E quando eu digo trabalhar, me refiro a tudo. Ao fato de ter que buscar, de alguma forma, força pra chegar no final do dia, ou pra encarar as madrugadas sombrias, que me dão vontade de não existir mais.
Deus? É complicado ter fé e mais uma vez como diz o Sérgio Vaz, eu me esforço para que ele acredite em mim. E quando todos os dias passam a ser iguais e as emoções também - as variantes são cada vez mais cansaço, cada vez menos fé, cada vez menos vontade - as pessoas se afastam e o sentido fica cada vez mais distante. Os sonhos também. Afinal, sonho guardado não faz milagre nenhum.
Mas também cansei de reclamar, pedir ajuda, gritar. Tentar mudar o mundo. Cansei de sonhar e ver tudo que eu sempre luto pra alcançar cada vez mais distante. Cansei de ser coadjuvante da minha própria vida. De servir e não ser alimentada nunca. Cansei. E cansaço é a palavra que me define hoje. O lado bom da vida é que eu ainda escrevo. E venho aqui, e mais uma vez, discretamente, envio um sinal de socorro. Um pedido de ajuda. Um grito, mesmo abafado, para que algo mude, que as coisas se movimentem, que os sonhos entrem em foco, embora eu acredite cada vez menos nisso e cada vez mais que os karmas nos prendem a coisas que não gostamos e que não viver, simplesmente é mais fácil. Se tudo acabasse agora, faria mais sentido. E tenha medo se um dia eu nem escrever mais. Se o twitter deixar de ser divã e se o facebook deixar de ser alvo de compartilhamentos em que eu peço ajuda. Ainda que discretamente. Tema também se eu não me manifestar mais. Tenho preguiça de continuar vivendo para continuar me desiludindo. É simples assim. Tenho preguiça de viver porque viver é sofrer e talvez dormir pra sempre seja menos doloroso do que o peso de todos os tipos de rejeição da vida.

É isso !!!

"Discretamente, enviei sinais de socorro aos amigos. Ninguém ajudou. Me virei sozinho' (Caio Fernando Abreu)


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

'E se aparentemente não tiver solução? Tenha fé'

'E se aparentemente não tiver solução? Tenha fé'. Terminei de assistir todas as temporadas da série Prison Break. Depois de relutar muito a pegar os DVDs (pois sabia que ficaria viciada), encarei a maratona de horas e mais horas na frente da TV para acompanhar as aventuras dos irmãos Lincon Burrows e Michael Scofield. Mas, mais do que isso, termino nesta noite a série com a sensação de que aprendi muito. Mais do que escapar de prisões de segurança máxima, sobreviver a tiroteios ou furtar carros em qualquer lugar do mundo ...rs... assistir a série me expôs a valores que muitas vezes, no dia a dia, ficam de lado, como: amizade, lealdade, ética, princípios e fé. O amor permeou todas as ações. Seja pela família, pelos amigos, pelas pessoas que conhecemos ao longo da caminhada, que no início não pareciam amigas, mas que as circunstâncias fazem com quem se tornem. Até mais do que isso, mas também aliadas. As pessoas que somos obrigadas a nos separar pelo caminho da vida também. Seja por motivos de saúde, porque Deus quer, ou porque simplesmente nós queremos e é preciso deixar para trás para poder seguir. As pessoas que nos ajudam, sem que mereçamos ou que peçamos, mas que acreditam na gente, por algum motivo e por mais motivos que damos para quem façam o contrário, não desistem da gente.
E o mais bacana disso tudo: lutar por algo justo e humanitário e por mais que pareça loucura, que te façam desistir, que tentem te comprar, que tentem te fazer abandonar, te matar, matar as pessoas que você ama. O que vale é não desistir. Existe algo maior, talvez alguma força, que nos guia e nos leva em direção a este sonho. Exatamente este, que parece o mais absurdo do mundo, mas é  o que aquece seu coração e te mantém acordado para realizá-lo.
Não perder a calma, mesmo em situações limites. Acreditar sempre e guiar-se pela verdade. Não a dos outros, mas a sua. As pessoas vão te trair, vão te decepcionar, você também vai se decepcionar consigo mesmo. Mas, seguir e lutar por o que mantém seu coração aquecido é a missão.
E embora possam parecer obviedades, às vezes deixamos de prestar atenção em coisas tão pequenas. Vamos ter, o tempo todo, a chance de empunhar armas. Cabe a nós decidir como vamos usá-la. Podemos nos guiar também pela razão e pelo coração. Equilibrá-los é o desafio.
Nada será mais importante do que a família e as pessoas que estiverem contigo, prontas para salvá-lo ou para sacrificarem-se, se isso significar que você pode caminhar em direção ao seu sonho.
Grande parte das pessoas se tornarão ou não amigas a partir de momentos de crise e isso determinará que vai permanecer. Algumas entrarão em nossa vida a partir das situações mais adversas, mas isso não significa que elas sejam ruins. A sinceridade, o perdão, a vontade de mudança e honestidade vão acontecer ao longo dos obstáculos e se alguém é capaz de se sacrificar por você, essa pessoa te ama. Simples assim. E são estas pessoas que estarão contigo para sempre. Nesta ou quando você partir. E o que valerá será apenas a luta, os dias sofridos, as coisas que você teve que abrir mão para chegar onde está hoje e que possivelmente terá que abrir ao longo dos dias, para tentar alcançar o sonho. Mas por fim, nada é mais importante que o seu sonho.
Na série, a vontade era de justiça. E a sua, qual é?!
Eu sei como vai ser daqui para frente: nenhum inocente pagará pelo que não fez. E eu? Sigo fazendo, afinal: todo ser humano é culpado do bem que não fez. 'E se aparentemente não tiver solução? Tenha fé'






segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

E eu não sei dizer se eu fiquei mais forte ou se eu morri também

Nem deu pra se despedir, e a dor ecoa na gente ...Resta seguir…

Queria saber transformar dor em poesia, mas não tenho esse dom. Aliás, em dias como hoje, tenho apenas o dom de ficar triste, de me isolar, de rever minha vida, reviver minhas dores. Chorar. Tentar entender. Me desesperar. Sentir. E, como não há outra opção, seguir.
Neste dia 19 de fevereiro faz seis anos que a minha melhor amiga se foi e por mais que eu poste aqui, no Facebook ou em qualquer outro lugar, a saudade só aumenta, a dor nunca passa e imagina ferida aberta?! É como se todos os dias alguém botasse o dedo ali. Continua machucando e incomodando e às vezes eu acho que vai ser pra sempre.
E quando eu sinto falta de clichês como 'se lembra quando a gente, chegou um dia a acreditar, que tudo era pra sempre?! Sem saber, que o pra sempre, sempre acaba....'


Pois é !!! Neste caso acabou e por mais que eu tente falar ou explicar a minha saudade, a falta que eu sinto, a minha dor, tento a sensação de que ninguém consegue entender, afinal, o mecanismo é julgar e condenar sem saber a história das pessoas ou o que elas são verdadeiramente. E talvez por isso você tenha sido tão importante (é, nunca vou perder a mania de escrever em primeira pessoa como se você pudesse me ler...). E acho que você foi tão importante porque nunca me julgou. Por que eu nunca te julguei. Nunca nos condenamos pelo que éramos, mas sempre nos apoiamos para sermos o melhor que poderíamos. E deu certo. Por todo o tempo em que estivemos próximas, deu certo.



Você nunca se importou com a minha bipolaridade, com a minha hipersensibilidade, com o meu excesso de carinho, com a minha loucura. E eu nunca me importei com o seu sem número de defeitos, porque enxerguei para além do que podemos ver nestas fotos, além do que captamos externamente.
No último dia 13 fez 10 anos que nos conhecemos, que entramos na faculdade e embora não pareça, tanta coisa mudou. Deste as metamorfoses físicas, até aquilo que sou. E nestes últimos seis anos, fiquei pensando em como as coisas avançaram tecnologicamente e em como você não conheceu tanta coisa - tanta rede social - que hoje faz parte do nosso dia a dia e que não nos imaginamos sem elas. Mas eu me imaginaria e trocaria tudo para voltar um dia - só um -, tipo o livro 'Por mais um dia' e poder lhe dizer o quanto sinto sua falta, o quanto errei, o quanto aprendi, o quanto mudei e o quanto eu gostava de vocês e acho que nunca consegui demonstrar como deveria.


Fico pensando no tanto de coisas que planejávamos e no tanto de coisas que eu tive que fazer sozinha. E a pior parte foi não ter pra onde voltar, não ter um ombro como o seu pra chorar, não poder te ligar e perguntar o que fazer.



É, eu nem choro mais, pois bem

Não sei dizer se eu fiquei mais forte ou se eu morri também

Realmente o tempo voa

E pensa, zoa, zoa, zoa
Nem deu pra se despedir
E a dor ecoa na gente
Resta seguir…

Dizem que quando seus amigos morrem

Morre um pouco de você
Nasce um lugar a se preencher
Do tamanho do que o que você ficou de dizer
E não pôde dizer (nunca vai esquecer)
Faz quantos anos, era comemoração (...)

E Deus só vê quando convém
E eu não sei dizer se eu fiquei mais forte ou se eu morri também

[emicida]




Nestes seis anos também perdi muita gente, muita coisa importante, muita coisa que foi ficando pelo caminho e eu não sei - nem sei se quero - como recuperar. Muita gente que está viva, mas mais distante do que você, que já se foi. E aí eu penso em tantos amigos que tiveram a chance de escrever uma história tão bonita, mas por nada ou por pouca coisa, resolveram deixar pra lá e se afastar, simplesmente porque é uma equação mais simples do que insistir, do que vestir-se com humildade, pedir perdão e perdoar. E se eu disser que não me importo, estarei mentindo. Eu me importo. Uma pessoa a menos, é sempre uma vida a menos e isso não é bom. Mas gente vazia enchendo espaço também não rende. Enfim, ás vezes eu ainda gostaria de pensar que apesar de tudo, apesar de todas as merdas, eu ainda tinha você, tinha nossa amizade, tinha pra onde correr e pra quem chorar. Ou ainda, com quem rir, com quem comemorar, com quem planejar, com quem trabalhar.



É triste pensar que coisas tão boas e importantes ficaram pra trás e algumas, como a falta que você me faz, é impossível de se desfazer. Tento ser melhor. Continuo errando pra caralho, mas quero ser melhor. Quero aproveitar cada dia, quero dizer as pessoas como elas são importantes pra mim, quero que elas saibam e sintam isso, quero que não existam dúvidas, quero amar, quero fazer planos, quero sonhar e quero realizar. Quero trabalhar e quero ter a mesma sintonia que eu tinha com você. Quero poder ser eu mesma, sem precisar fazer tipo, carão e mesmo assim ser respeitada e amada. E queria um sem número de coisas que eu só vou ficar querendo, porque são tão impossíveis quanto te dizer tudo isso.
Enfim, é só um desabafo, naquele momento - o blog é meu e eu escrevo o que eu quiser - em que você não tem mais como ou o que fazer. Todos os recursos já foram esgotados e não há volta.



Há tanta coisa que eu queria te contar, há tantos planos profissionais, pessoais, tantas pessoas que eu conheci, tantas pessoas que se foram, tanta gente que eu sinto falta, tanto, tanto, tanto. E que é um tanto só meu e talvez seja esse transbordar de sentimentos em ter pra onde escoar que me deixa cada vez mais triste, cada vez mais sem vontade de seguir, cada vez mais desanimada. E não que eu queira, mas porque não sei qual seria o remédio.
Talvez a falta de uma amizade assim. Talvez um simples torpedo no cel. Um torpedo me zuando numa festa junina. Um pássaro oriental feito de papel. Uma certeza de que tudo ficaria bem porque você estaria comigo independente de qualquer coisa - mas você não está mais, que porra ! E eu não posso fazer absolutamente NADA pra mudar isso. E talvez seja essa sensação de impotência diante de certas situações - como a sua morte - que me deixam cada dia mais triste e desanimada.
Queria poder te contar que eu tô doente - cada dia mais - e que não sei como fazer pra melhorar. E que por mais que eu me esforce, não vejo resultados. E isso me doi e me deixa ainda mais doente, porque é horrível acordar com dor, ir trabalhar com dor e voltar para dormir com dor. E é uma dor que nunca passa e soma-se a outra, pior ainda. E que pena que outros amigos, mesmo vivos, também já se foram :(




Queria te contar que perdi pessoas importantes, que meu gato morreu e que eu ainda sinto o cheiro dele pela casa e a falta dele. Assim como eu sinto a sua. Que eu penso ter visto ele na caixinha dele, assim como eu pego o telefone pra te ligar ou te procuro online no meu msn até hoje, porque eu nunca tive coragem de deletar e durante muito tempo liguei pro seu número só pra ouvir sua voz na gravação.
E queria ainda que você soubesse que eu já não lembro mais com tanta nitidez como era sua voz, sem ter que recorrer aos nossos vídeos e gravações. E queria que você soubesse que isso machuca muito.
Queria que você soubesse que as pessoas que me conhecem hoje não imaginam que a minha melhor amiga morreu e que eu nunca superei isso. E que psicólogo ou psiquiatra nenhum conseguem perceber essa dor. E que todos os meus outros amigos não entendem como é essa dor. Como é perder alguém e não poder fazer nada a respeito, mas, ainda sim, ter que continuar.



Queria que você soubesse que eu não choro mais na frente das pessoas quando elas falam de você, mas eu chego em casa e passo noites inteiras lembrando de tudo e tentando organizar as coisas na minha. Queria também que você soubesse que é INSUPORTÁVEL voltar na faculdade. Que eu ODEIO quando dizem: lembra da nossa turma na faculdade?! Por que a nossa turma, PORRA, era você. Porque a minha turma era você e ninguém sente a sua falta como eu sinto. E ninguém entende como é foda estar no meio deles e não poder fazer uma piada que fosse só nossa, como eles fazem. E que eu me sinto o peixe fora d´água sempre. E que era melhor ser patinho feio com você. ODEIO quando me dizem para deixar ir, simplesmente porque eu não consigo. Não dá pra ser simples assim. Embora pareça...
Enfim, queria isso... queria tanta coisa. Queria que o ar parasse de faltar quando eu lembro de você. Queria que você não tivesse morrido. E será que é pedir muito pra Deus que não tire a sua melhor amiga quando você tem 21 anos e ela 25 e vocês acabaram de se formar, tem um livro no forno e um sem número de projetos pra realizar?!



É pedir muito que você tenha sempre sua melhor amiga a seu lado e que na melhor época pra curtir os quatro anos ralando na faculdade - e usando a mesma calça jeans porque não existia grana pra comprar outra - você tenha a pessoa que sofreu contigo esse tempo do seu lado?!
Será que seria muito?! Nunca vou entender. Nunca vou superar. Nunca vai parar de doer e de me sufocar. E que merda de mundo é esse que eu não posso nem ter a minha melhor amiga perto?! Que merda é me sentir impotente e interrompida e não poder mudar nada. Nada que eu faça: sair, beber, me divertir, viajar, curtir, trabalhar, transar, despirocar vai curar, vai melhorar, vai fazer com que essa ferida cicatrize. Nada. E é isso que de repente eu gostaria que as pessoas entendessem. Sem perguntas, sem conselhos. Que agissem com amizade. Apenas isso. Um abraço ou um pequeno gesto - como um telefonema, um sms, um inbox, ou o equivalente tecnologico - já resolveria. E é difícil continuar. É difícil ignorar essa dor. E espero que algum dia eu volte a sonhar com você e possa te dizer uma parte disso. Mesmo que em sonho. "Quem sabe um dia a gente se tromba, nem que seja sonhando, pra eu te dar o abraço que ficou faltando".


Dois anos de MUDANÇA com o projeto "Um Brinde"

Cena da gravação do clipe em Campinas (SP). Foto: Márcio Salata 
'Vamo brindar?'

Dia de comemorações, de lembra que há exatos dois anos dávamos início a uma ação que ganhou o país e até mesmo locais do exterior e que começou com uma conversa informal, uma estratégia sobre qual a melhor data para lançar um videoclipe que invade esferas como saúde, educação e trânsito. Sem falar, é claro, na arte e na cultura. O "Um Brinde" nasceu assim, e em poucos dias, fizemos todo corre para gravar uma chamada, autorar um DVD, colocar um menu, traduzir a letra toda para o inglês, gravar e imprimir o DVD, fazer capinhas pra ele, organizar lançamentos, enviar os discos para todos os pontos do Brasil e estar presente em boa parte das ações e lançamentos. Foram mais de 200 pontos, mil DVDs distribuídos gratuitamente e um sem número de pessoas beneficiadas pela ação.

 Em algum momento das discussões do clipe. Foto: Vras77

Fora isso, recebemos prêmios, reconhecimento, olhares de gratidão e o mais importante: fizemos a nossa parte. Não por qualquer objetivo por trás, mas por abraçar uma causa e fazê-la com amor. Fazer a coisa acontecer no melhor estilo 'nós por nós'. E deu certo. Como o Renan Inquérito disse em uma entrevista: fizemos o que nenhum ministério fez. E posso ser polêmica e dizer que fizemos o que ninguém do hip-hop fez: entramos em locais que antes nos fechavam as portas, como Assembleias Legislativas, Câmaras de Vereadores e a dos Deputados, além das escolas, presídios e festivais.




Pudemos falar para crianças, jovens, dependentes químicos, pessoas em conflito com a lei, o público do rap, do rock, do reggae, do samba, enfim. Falamos uma língua única, porque foi dita e feita de coração.
Hoje - 18 de fevereiro - chegamos há dois anos da ação e ela não para. Recentemente foi premiada pelo edital Agente Jovem, do Ministério da Cultura, reconhecida como uma das ações de transformação da juventude no país. E a luta continua. Ela segue a cada dia, a cada execução da música, a cada play no vídeo, a cada pessoa que nos procura e pede uma ação referente ao projeto.
Sou muito feliz e orgulhosa por fazer parte desta ação e por ter ajudado a escrever mais esta parte do hip-hop brasileiro de uma maneira prática.  Não sei se dá para comemorar, mas é inevitável não ficar feliz ao saber que um projeto pode mudar a vida de muitas pessoas, como pude ouvir e presenciar nestes 730 dias de "Um Brinde".
Apesar de todos enroscos, de muitas brigas, discussões, desentendimentos... existe sempre muita amizade e cumplicidade e a eterna vontade de fazer MUDANÇA ;)

sábado, 5 de janeiro de 2013

Livros lidos em 2012



O último ano foi atípico e repleto de problemas pessoais que me impediram de me dedicar ao blog e a a literatura como eu gostaria, no entanto, nos acréscimos, consegui bater a meta que propus a mim mesma: ler 60 livros no ano. Não faço isso por algum motivo específico, mas porque amo ler e gosto de me dedicar a isso...
Então, segue a lista. Alguns eu realmente/simplesmente perdi tempo em ler. Podem me julgar. Outros, foi um verdadeiro presente.
O destaque vai para 'Um Defeito de Cor', de Ana Maria Gonçalves, indicado por Sérgio Vaz. O melhor que li em 2012, quase mil páginas sobre a negritude. Vale a pena. Sigamos rumo a 2013....

1)      O Hip-Hop está morto (Toni C.)
2)      Do vinil ao Download (André Midani)
3)      Mães de Maio
4)      Assuntos Inacabados – Lee Kravitz
5)      Sarau da Ademar – Poder para o povo preto
6)      Raquel (Elo da Corrente)
7)      Zona de Guerra (Marcos Lopes)
8)      Alugo meu corpo (Paula Lee)
9)      Baseado de Ponta Coletivo Marginaliaria
10)   Preciso te contar uma coisa (Melissa Hill)
11)  Doce Ilusão (Melissa Hill)
12)   Não comi, não rezei, mas me amei (Gisela Rao)
13)   Traição entre amigas (Thalita Rebouças)
14)  Zona Úmida (Charlotte)
15)   Cordel (Ferreira Gullar)
16)   Amor fora de hora (Katrina Mazetti)
17)   Fam da Rua (Lobão)
18)   Mulheres que amam demais
19)   Profissão MC (Alessandro Buzo)
20)   Confissões de uma ex
21)   A resposta (Histórias Cruzadas)
22)   Gêmeas (Mônica de Castro)
23)  Um Souvenir Made In Honk Kong (Zeca Baleiro)
24)   Pode Pá que é Nóis que tá (Mesquiteiros)
25)   Presentes da Vida (Emily Giffin)
26)   Era uma vez ...1980 (autor de Brasília)
27)   O amor é para os fortes  (espírita)
28)   Ame o que é seu (Emily Giffin)
29)   Deus foi almoçar (Ferréz)
30)  50 tons de cinza (E L James)
31)   Nenhum amor é em vão (espírita)
32)  Mães em guerra (chicklit)
33)  A Cremalheira
34)  Manteiga de Cacau (Sacolinha)
35)  O último vôo do flamingo (Mia Couto)
36)  A estrela mais brilhante do céu (Marian Keyes)*
37)  Sua grande chance (Johanna Edwards)
38)  A mordida da manga (Mariatu Kamara)
39)  Águas da Cabaça (Elizandra Souza)
40)  Mafalda – 10 anos (Quino)
41)   A história da música em quadrinhos
42)  Amar é Crime (Marcelino Freire)
43)   Abençoadas Marias
44)   50 tons mais escuros (E L James)
45)  Antes que eu vá*
46)   Desde que o samba é samba (Paulo Lins)
47)  Escola seu título (Daniel Minchoni)
48)  A menina e a ilha (Raquel de Souza)
49)  Um Defeito de Cor (Ana Maria Gonçalves)
50)   A vida do jornalista como ela é (Duda Rangel)
51)   50 tons de liberdade (E L James)
52)   As verdades que ela não diz (Marcelo Rubens Paiva)
53)   Videoverso (Gabriela Marcondes)
54)   Desterro (Alexandre de Maio e Ferréz)
55)  Vendo poesia (Leo Cunha)
56)  Bansky (graffiti)
57)  Devolva meu lado de dentro (Sinhá)
58)  O pequeno livro sagrado – Menor Slam do Mundo (Daniel Minchoni)
59)  Antologia do Burro
60)  Antologia do Burro II 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Num corte lento e profundo

Sei tudo sobre o amor. O amor é não sabe nada sobre mim. (sv)

A frase do Sérgio Vaz resume exatamente o meu sentimento. Se é que eu estou sentindo alguma coisa. Não há mais esperança. Não há mais crença nas pessoas. Não há mais  força. Mas também não há o conforto do vazio, como ser lançada para cima e cair, no ar. Sem dor, sem nada, só o vazio. Não sei fazer poesia. Nem estou tentando. Aliás, faz tempo que não tenho vontade de tentar nada.

Parafraseando o Caio Fernando Abreu, talvez seja apenas um envio de sinal de socorro aos amigos.  Talvez seja uma tentativa. Talvez seja a última. Talvez.

Talvez seja urgente. Talvez não. Talvez seja só necessidade de descanso. De gente. De agito. De calmaria. De qualquer coisa que me dê alegria. Algum retorno. Que o bumerangue volte e traga algo.

Fiz sempre tudo certo e as coisas só deram erradas. Em menos de dois anos perdi tudo que eu levei a vida toda para conquistar. Não sei se foi minha culpa. Aliás, ela tem sido a única companhia, que me consome, dia após dia. Não há mais vontade. Tô desistindo e de repente esse pedido de ajuda nem seja para que as coisas se revertam, mas para que elas tenham um fim. Para que alguém me ajude, de fato, a acabar com tudo. Não quero continuar lutando. Estou, definitivamente, desistindo da missão. Não quero mudar. Não quero seguir. Quero parar e encerrar. Simples assim. Ou não tão simples, quando não se consegue o óbvio: desistir.

Não há mais graça em lutar. Não há mais o que esperar. Não há vontade. Não há desejo. Não há nada. Mas ainda há. A contradição. Há a contradição. E apenas ela, que é a única coisa que pulsa. e que de repente faz acreditar. Fiz tudo certo e só tive resultados errados. Na verdade, fiz errado. Mas me arrependi. Pedi perdão. Mudei. Tentei acertar. Fiz tudo de acordo com a lei de Deus. Com a lei dos homens. Com o meu coração. Me livrei das maldades. Dos pensamentos ruins. Dos comportamentos auto-destrutivos. Daquilo que atrasa. Tentei me livrar de tudo. Trabalhei honestamente. Paguei contas.
Fui fiel. Assumi erros, culpas. Fiz o que deveria ser o certo. Nada veio. Nada daquilo que eu quis. Que eu desejei. Que eu almejei. Que eu procurei veio. Não houve troca. E tudo um dia acaba. Assim como os recursos naturais. Estou esgotada. ex-gotada. 

Antes mesmo de eu nascer, Caio Fernando Abreu escreveu: 'Quis morrer de novo, engoli outra rejeição - mas estou vivo e, sinto muito, vou continuar.' Mas eu não. Eu quis morrer, engoli outras rejeições e sinto muito, não vou continuar. Não quero. Não consigo. Não aguento. Não tem sentindo. Nem sentimento. E sem estas duas coisas, não há motivo para seguir. Sinto muito. Não quero. 

Reza a lenda maia que o mundo acabaria no dia 21 de dezembro deste ano. 'E neste dia, se o mundo acabar não vou ligar p´raquilo que eu não fiz', Não vou ligar. Não espere que eu faça mais do que aquilo que eu já fiz. Não prometa nada. Tampouco que vai mudar. Eu sei que tudo é efêmero. Menos a dor e a falta de fé que eu sinto hoje. Que eu senti ontem. Que eu venho sentindo há alguns meses. Maquiada por pequenas porções/poções de ilusão. Que nunca iludem o suficiente.

Queria, sim, ser atirada para cima. Não sinto nada. Nem revolta, nem raiva, nem desejo de vingança, nem aqueles/estes sentimentos ruins que às vezes são bons, pois nos fazem sair do lugar. Nos fazem lutar. Nos fazem brigar e sonhar com a vitória. Com o dia em que triunfaremos e quem nos fez sofrer vai estar assistindo.

Mas hoje não. Ninguém me faz sofrer. Exceto eu mesma. Mas é um sofrimento lento. Como diria Cazuza: num corte lento e profundo, entre você e eu. Entre eu. E apenas eu. Esses dias lhe disse tudo. Pensei que fosse melhorar. Que eu fosse me revoltar. Que a dor fosse o sinal de que algo não anda bem. Como uma reação. Mas não. Não reagi. Não mudei. Não sai da mesma posição. Não acreditei. Não me iludi. Não me enganei. Não me conformei. E talvez seja isso que aumente a dor até formar um abismo, onde não há mais nada. Nem em volta, nem acima, nem abaixo. Só o abismo. E o ar. O ar que eu tô cansada de respirar e que desejo que me falte, para que eu também falte e tudo acabe. Não quero mais. 


“Discretamente, enviei sinais de socorro aos amigos. Ninguém ajudou.Me virei sozinho. Isso me endureceu um pouco mais. Não foi só você, não. Foram também pessoas até mais íntimas, (…) me virei sozinho com enormes dificuldades. Não me lamurieiMas preciso que as pessoas saibam que isso doeu — exatamente porque algumas destas pessoas (…) importam para mim.” 
— Caio Fernando Abreu


Quero deixar de me importar. Com elas, comigo. E assim, acaba tudo. T-U-D-O vira o NADA !  (JB) 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

E neste dia, se o mundo acabar, não vou ligar pra aquilo que eu não fiz

"Quando vi a estrada pela primeira vez nem sequer sabia o quanto ia ter que caminhar pra chegar até aqui, e mal sabia que esse tipo de estrada não tem fim, só paradas breves para que o coração possa registrar os momentos.
A vida não para, nem aqui, nem hoje e talvez, nem nunca. Quem sabe o futuro? Ninguém vence enquanto a luta não acaba, um dia como hoje é apenas uma vitória passageira (...)" [Sérgio Vaz]



A foto acima foi tirada hás eis anos. Dia 31 de outubro (Dia das Bruxas, rá) de 2006, quando apresentei o meu TCC. Ao meu lado, Anita Motta. Neste momento, estávamos ouvindo as considerações do nosso orientador, para então recebermos a notícia: vocês estão aprovadas. 
Talvez seja redundância explicar a foto, que fala por si, embora não dê pra ver nosso rosto, nossas mãos apertadas expressa o medo do momento. Será que vamos conseguir?
Nossa fantasia exagerada de cultura hip-hop à parte, este foi, talvez, um dos dias mais importantes da minha vida, mas como a frase do Sérgio Vaz, o tempo não para e o coração teve pouco tempo para registrar momentos como este. 
Ontem estive em Salvador (BA) para uma palestra acerca da cultura hip-hop e do jornalismo feito na periferia, tudo isso vinculado a juventude invisível do nosso país. Engraçado que, neste dia, há seis anos, quando eu olhava a estrada pela primeira vez e deixava de ser estudante para ser jornalista (por formação), não imaginava onde tudo daria. Na verdade, não imaginava que a minha melhor amiga, na foto, ao meu lado ( e assim foi por quatro anos), iria embora tão cedo e me deixaria, frustrada e interrompida, com todos os nossos sonhos sobre os ombros e muita mágoa e machucados para continuar tentando realizá-los. 
Ontem, de novo, caminhando pelo pelourinho, relembrando como meu projeto de TCC surgiu, sabendo que ele não foi apenas um meio de garantir nota mínima para aprovação, mas investimento de tempo, sonho, dinheiro e realização de vida, pude ver que a vida gira, dá tantas voltas (gera problemas), mas que aquilo que somos, verdadeiramente, e trazemos no brilho dos olhos, ninguém pode nos tirar. 
Infelizmente, não só a Anita, mas muita gente se perdeu por esta estrada. Esta que eu comecei a caminhar há seis anos e ontem, quase todo este tempo depois, pude parar para sentir os resultados. 
Que pena que alguns abraços nunca mais poderão ser dados. Que pena.




Mas que bom que  a vida, mesmo com nossos cacos, segue e que o que plantamos, obrigatoriamente, vamos colher. 
Minhas palavras são o cúmulo do clichê, mas num dia como hoje, eu não poderia deixar de vir até aqui, no meu espaço e sem me preocupar com mais nada, além daquilo que eu sinto, verdadeiramente.

"Francamente, um dia como hoje é ótimo para dizer obrigado. Não como pagar dívidas, mas pra praticar a gratidão se mesquinharia e sem nada em troca, porque pensando nos tantos amigos que se foram, não tive a oportunidade de dizer isso, na verdade tive, mas não disse, por isso, antes que eu ou você parta sem se despedir adequadamente, quero te pedir obrigado, por tudo, por nada obrigado" [Sérgio Vaz]

E, novamente, o dia de ontem, foi para isso. Praticar a gratidão, sem nada em troca. Apenas para viver e sentir que, apesar de toda dor, de todo corte que sangra, há algodão doce e giz colorido, em algum lugar, plantando sonhos. 

Este dia em que a lágrima molha o meu sorrido, é porque, de alguma forma, você está por perto. Eu sinto isso. Como eu disse, nem alegre, nem triste. Em paz.Só queria que você soubesse disso.

E aqui, apenas alguns trechos aleatórios de uma parte interrompida, que dói, sangra. Mas que hoje, me deixa em paz.

Ás vezes fico me perguntando como seria hoje se você ainda estivesse aqui e me perco nos meus 'paraísos artificiais', tentando encontrar uma resposta que não vem, tentando não perder as poucas lembranças que são apagadas pelos afazeres do dia-a-dia, pelo desespero em realizar os sonhos, que antes eram nossos e agora passam a ser 'tão meus' e tão somente meus. 
E às vezes tudo que eu queria era con
versar contigo pelo ICQ, pelo msn de madrugada, trocar sms, bilhetes durante a aula ou mesmo deitar no seu colo e contar como foi meu dia, chorar as mágoas, rir dos sonhos mais bobos e não ter R$ 2 pra dividir um lanche no supermercado perto da faculdade.
Ás vezes os dias, os meses e os anos se tornam tão efêmeros e tudo que eu queria era comentar sobre uma roupa, rir de alguma piada que fosse só nossa, e te contar como a minha vida ta hoje, o porque eu to machucada, como eu tô me recuperando e como foi meu dia no trabalho...e sonhar, mas não só sonhar, colocar em prática tudo que a gente tinha em mente para dominar o mundo....
E inúmeras vezes eu me sinto tão tola por te escrever como se você pudesse ler, mas doi tanto que o ar falta e eu me pergunto se um dia essa dor vai passar e eu vou parar de perder o sono por madrugadas inteiras, conversando sozinha e te contando que hoje meu dia foi bom, mas seria melhor se no final dele eu pudesse contar com vc !



E hoje eu me permito chorar, publicamente, de saudade, da falta que eu sinto, da dor que queima e me tira o ar, da ausência que faz silêncio em todo lugar ...
Essa foi a primeira foto que tiramos, em 2004 ! Pensa que fazem 8 anos e doi como se fosse hoje, e queima como se fosse hoje e traz tanta coisa boa que parece que fo
i hoje.
Olho pra mim e vejo como mudei, mas como algumas coisas permaneceram. Fico me perguntando como você estaria hoje, com quem estaria namorando/casada, quantos projetos teríamos juntas, quantas vezes por semana nos falaríamos, como eu te marcaria aqui no face em uma foto como ela, quantas vezes por ano viajaríamos, quantas vezes por dia eu me lembraria de você (e poderia te ligar, te chamar, te amolar)
E mais, que roupas você usaria, que livros leria, quantas vezes nos reuniríamos em churrascos, que músicas ouviria, em que festas iriíamos, o que nos faria rir hoje, o que nos faria chorar?
Mas são só suposições, imaginação e algo que não acontece. Não sei como seria se você ainda tivesse aqui. Nunca vou saber. Só sei que esta foto foi tirada em um dia feliz, em uma época em que éramos mais da metade sonhos e quase nada de realidade, mas arrisco dizer que éramos mais felizes e talvez, mais completas.
E ainda lembro exatamente do que você me disse neste dia: gosto de você assim, sem sofrer por amor. Continue. ;)
Cá estou, Kbça ! Sofrendo, sim...mas continuando...

SAUDADE !!!

"Se eu ousar catar, na superfície de qualquer manhã, as palavras, de um livro, sem final... sem final... valeu a pena" [O Rappa]  

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Projeto Perifeminas contempla 50 mulheres com participação em livro coletivo

Idealizada pela Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop, obra reunirá autoras com textos inéditos

Imagine um livro inteiro só feito por mulheres. Agora imagine um livro inteiro feito por mulheres de verdade, que lavam, passam, cozinham, amam, vivem, trabalham e ainda militam nas causas femininas e nos direitos do ‘sexo frágil’. Ele é real. Trata-se do projeto Perifeminas, idealizado pela Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop (FNMH²).

Por meio de oficinas sobre a história do hip-hop, a mulher e a sociedade, redação e edição de texto, diferenciação de conteúdo, linguagem, gíria, gramática, ilustrações, marketing e publicação, 50 mulheres serão contempladas com a oportunidade de publicar seus contos, poesias e desabafos.
Surge, na história do hip-hop o primeiro livro feito inteiramente por mulheres. Nele, será possível ler as vivências, dramas e conquistas ligados a cultura urbana e ao dia-a-dia nas periferias. Todos os textos serão inéditos e a participação é gratuita.

Serviço – As inscrições estão abertas e vão até o próximo dia 31 de julho. As interessadas em participar do projeto podem escrever para projeto.perifeminas@gmail.com. Mais informações pelo telefone (11) 7839-8050 ou pelo site www.mulheresnohiphop.com.br

Clique aqui baixar a ficha de inscrição

Programação*

- A história do hip-hop
- A mulher na sociedade
- Organizando as ideias/ Público alvo
- Diferencie seu conteúdo
- Linguagem: gíria, gramática e pontuação
- Redação/edição de texto
- O papel do autor/pesquisador
- Ilustradores, editor, marketing, livreiro
- Como publicar um livro

Cursos e palestras: Jéssica Balbino e Nereide Rocha
Ilustração: Riska e convidadas
Organização: Jô Mapoulas

  • As oficinas estão programas para acontecer a partir de agosto no Espaço Mulheres no Hip-Hop, localizado a rua Jurupá,180, sala 6, Centro, São Paulo – SP.